Duas oportunidades: Na rua Marechal Floriano e rodoviária

ENTREVISTA com Joiza Rangel Abreu, supertintendente de Trabalho e Renda


13/03/2016    06h56   |   Foto: Campos 24 Horas fotoPostado por: Fabiano Venancio Toda mudança, num primeiro instante pode causar estranheza e até resistência por parte das pessoas. Mas muitas, se analisadas friamente, são benéficas e para um bem geral. Essa semana aconteceu com a Superintendência de Trabalho e Renda, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, que há anos tinha seu Balcão de Empregos na 28 de Março, local conhecido como antiga Big-13 Jeans e, agora, está nos altos da Rodoviária Roberto Silveira, onde o fluxo de pessoas é diário e intenso. Isso faz com que mais pessoas possam saber onde existem vagas de emprego no município, levando-se em consideração que toda semana é fixada uma nova lista de oportunidades no local. Já na rua Marechal Floriano, 255, perto do Jardim São Benedito, funciona a sede da superintendência. E se falando em oportunidade de trabalho, o que não mudou é a constante exigência do competitivo mercado para pessoas que estejam cada vez mais qualificadas. As pessoas que pensam que, para entrar no competitivo mundo do mercado de trabalho basta ter qualificação profissional, estão enganadas. É preciso ter qualificação e algo mais, como por exemplo, se adequar ao perfil da empresa em que está se candidatando, respeitar horários, normas, comportamentos, entre outros, ou seja, agregar valores. E este “algo mais” que faltar, pode ser sinônimo de desemprego. A superintendente, Joilza Rangel Abreu, afirma que é por essas e outras que o Balcão de Empregos hoje é respeitado e procurado pelo empresariado, não só de Campos, mas de toda região. Não foi à toa que, em 2013, ainda quando Secretaria de Trabalho e Renda, Campos foi colocada em 36º lugar num universo de 50 municípios, como a cidade que mais contratou, de acordo com Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), órgão do Ministério do Trabalho. E também não é à toa que, atualmente, o órgão tem parceria com inúmeras empresas privadas para oferecer o melhor aos campistas. Confira a entrevista: Joilza Rangel - foto Rodolfo Lins (1)Campos 24 Horas – O que tem mudado dentro desse quadro de oportunidade de emprego no município? Joilza Rangel – A mudança não é só no município, é geral. Hoje o mercado está tão exigente, que se determinada empresa precisa de um técnico, por exemplo, ela não vai selecionar um profissional mais graduado além do que ela precisa, ela vai selecionar um bom técnico, porque isso implica em questões salariais. Muitas empresas acabam demitindo esse profissional, colocando outros mais jovens e com salários menores. Mas é claro que o bom profissional, aquele capacitado, tem seu lugar garantido sempre. C24H – Porque muitos não são selecionados para as vagas ou ficam desempregados logo? Joilza – Como eu já falei, as empresas estão cada vez mais exigentes. O funcionário tem que ser pró ativo, ter comprometimento com a empresa, seguir o seu perfil, mostrar envolvimento com o trabalho. Sem falar na pontualidade, assiduidade, respeitar as normas, entre outros. Para você ter uma ideia do grau de exigência de uma empresa, às vezes a gente envia mil currículos, para ela selecionar 30 pessoas, que é o número de vagas dela. C24H – Qual é o perfil de pessoas que procuram o balcão? Joilza – Não existe um perfil determinado. Temos pessoas de diferentes escolaridades, desde o básico, até curso superior e, também, pessoas de todas as idades. Na semana passada mesmo, tivemos uma senhora de 75 anos que foi se candidatar a uma vaga no curso de costura, uma pessoa que sentiu necessidade de se qualificar. Temos pessoas que sabem que não basta fazer um curso e parar, tem que agregar valores. C24H – E as empresas continuam procurando o balcão, quando têm ofertas de vagas? Joilza – Com certeza. O empresariado coloca suas vagas no balcão, sem contar que nós também disponibilizamos o espaço para eles fazerem suas entrevistas, recrutamento e até treinamento, o que era feito no antigo endereço e vai continuar nos altos da rodoviária. Claro que somente os mais qualificados conseguem a tão almejada vaga de emprego. Nós ficamos sabendo que existem outros balcões de empregos na cidade, particulares, mas que na verdade não são balcões de emprego, porque nesta nomenclatura está embutida a venda de curso. Ou seja, oferecem vaga de emprego, mas a pessoa tem que fazer determinado curso. A gente não faz isso. Nós encaminhamos o currículo da pessoa para à vaga oferecida, independente dela ter qualificação ou não. Aí vai depender de cada um. Nós não damos cartinha de emprego a ninguém. Sem contar que também oferecemos cursos, todos de graça.Joilza Rangel - foto Rodolfo Lins (6) C24H – Quantos e quais cursos estão sendo oferecidos atualmente? Joilza – Estamos com mais de 70 cursos à disposição com descontos que vão de 20% a 40%, entre eles, salvatagem e huet, montador de andaime. auxiliar de cozinha, técnico em segurança do trabalho, assistente de administração pessoal, cozinheiro básico, assistente de operações de logística portuária, almoxarife, auxiliar de plataforma, informática básica, entre outros, com dez empresas parceiras, entre elas, o Cietec, Datafox, North Rio, Pré-Sal e muito mais. C24H – E diante desses cursos todos, tem mais vindo por aí? Joilza – Sim, como nos anos anteriores, vamos promover junto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Mas ainda não posso adiantar, porque estão sendo planejados, conversados, para sempre surgem novas oportunidades para as pessoas que querem realmente se qualificar e se preparar para o mercado de trabalho. C24H – Vamos falar agora da emissão de carteira de trabalho… Joilza Rangel - foto Rodolfo Lins (2)Joilza – Sim, essa parte é na sede da superintendência, na rua Marechal Floriano. Hoje elas são digitalizadas e a primeira parte desse trabalho nós fazemos, em parceria com a Superintendência do Ministério do Trabalho, que fica com a fase final do documento. Esse trabalho é oferecido de segunda à sexta-feira, das 8 às 17h. Por semana são agilizadas cerca de 150 carteiras. C24H – No início da entrevista a senhora falou de um atendimento sócio assistencial que é feito no balcão. Que atendimento é esse? Joilza – É um atendimento muito importante. São pessoas que são atendidas nos nossos Centros de Referência e Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), CentroPop e, ainda, pessoas encaminhadas pela Justiça para fazerem cursos de qualificação e até mesmo para concorrer à vaga de emprego. É um trabalho realizado em parceria com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), com quem desenvolvemos os projetos Jovem Aprendiz e Jovem Alerta. E tem jovens que saíram para diferentes campos de trabalho, supermercados, Infraero, entre outros. C24H – Para ficar mais claro, com essas mudanças o que tem na sede do órgão e nos altos da rodoviária? Joilza – Nos altos da rodoviária tem o balcão de empregos, atendimento aos projetos Jovem Aprendiz e Jovem Alerta com os cursos, captação de vagas de trabalho e monitoramento do trabalho e acompanhamento dos selecionados. Na sede tem o atendimento social feito por nossas assistentes sociais para os dois projetos que já citei, emissão de carteira de trabalho, encaminhamento para cursos e empresas parceiras.



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