Clarissa critica 10 anos de administrações do PMDB no Rio‏

Deputada apontou as escolhas erradas, a falta de planejamento e gestão como as principais marcas da década de governos do mesmo grupo político no Estado e na capital


03/03/2016   22h48   |   Foto: Edson Leal Clarissa capaA deputada federal Clarissa Garotinho (PR-RJ) fez um balanço das marcas negativas dos governos de Sérgio Cabral (2007 a 2014) e Pezão, atual governador, e da administração de Eduardo Paes, prefeito do Rio, eleito em 2008 e reeleito em 2012. Para a parlamentar, que discursou nesta quarta-feira (02), no Plenário da Câmara dos Deputado,  “administrações continuadas, de um mesmo grupo político e afinadas com o Governo Federal deveriam apresentar um modelo de gestão, mas o resultado percebido pela população é um desastre”. Clarissa apontou as escolhas erradas das gestões do PMDB como as causas para a atual crise vivida pelo Estado e pela capital. “O governo Sérgio Cabral foi marcado pela farra indiscriminada nos incentivos e isenções ficais. Tinha incentivo fiscal para tudo, para termas, para casas de massagem e até para o cabeleireiro da primeira dama da época, sua esposa”. “Não dá para Pezão colocar a culpa da atual crise na gestão anterior, ele era o vice”, afirmou a parlamentar. A deputada também relembrou a gastança, as viagens seguidas para a Europa e a utilização de helicópteros na gestão de Sérgio Cabral como luxo desproporcional ao momento da gestão pública. “Helicóptero a serviço do Estado não é para transportar cachorro ou babá da família do governador, pode até transportar o governador para distâncias maiores e não apenas os 10 quilômetros diários que Cabral percorria de casa para o trabalho”. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) calculou que o Estado receberia até este ano R$ 230 milhões de investimentos públicos e privados por causa das Olimpíadas.  “A FIRJAN afirmou que o Rio de Janeiro recebeu o maior volume de recursos do mundo. Para onde foi esse dinheiro? De que maneira esses recursos foram usados para hoje o Rio de Janeiro estar enfrentando uma crise deste tamanho”, questionou. Segundo Clarissa “depois do período de bonança vivido por Cabral, agora os servidores estão com salários atrasados, sem previsão de quando vão receber, sem calendário de pagamento, conquista dos trabalhadores do ano de 1999. Os servidores públicos ainda não receberam o décimo-terceiro, estão recebendo o salário Casas Bahia, ou seja, parcelado. Os fornecedores também estão sem receber, alguns há oito meses, outros não recebem há quase um ano, os serviços estão prejudicados, além da ameaça de greve dos professores”. Clarissa Garotinho também criticou o anúncio de novas metas realizado na comemoração do aniversário de 451 anos da cidade do Rio de Janeiro pelo prefeito Eduardo Paes, sem antes ter conseguido cumprir as metas lançadas anteriormente. “Pasmem os senhores, o plano de metas para os últimos quatro anos não foi cumprido, a Prefeitura não reduziu óbitos em partos, não aumentou o número de guardas municipais, não cumpriu a meta de garantia de acessibilidade, não cumpriu a meta de cobertura do programa de saúde da família. Como confiar em metas de governantes que não cumprem as metas anteriores?”, questionou. Mobilidade A deputada criticou os valores das tarifas praticadas no Rio de Janeiro. “Depois do reajuste, a tarifa do metrô do Rio é a mais cara do Brasil”. “Para reajustar a tarifa do ônibus, o argumento utilizado foi a implantação de ar-condicionado, porém, os equipamentos não foram colocados e o aumento permaneceu”, complementou. Para Clarissa, “uma das maiores provas da falta de planejamento das administrações do PMDB está na área de transportes. É barca que não atraca direito, vagão do metrô que não passa no túnel, bonde que não cabe no trilho, além das obras atrasadas como a da linha 4 do metrô para a Barra da Tijuca, que podem não ficar prontas até as Olimpíadas. Essa obra, que deveria estar pronta desde o ano passado, está custando 80% a mais que o valor inicial, ou seja R$ 9 bilhões. Eduardo Paes perdeu uma oportunidade histórica de deixar um grande legado quando, ao invés de transformar o setor de transporte no Rio investindo em um transporte de alta velocidade e alta capacidade, continuou investindo em ônibus, o modal mais caro, mais poluente e que transporta menos passageiros por unidade. Um modelo importado de Curitiba da década de 1970”. Segurança Clarissa avalia que as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) são apenas peças de marketing. “Muitos dos contêiners que confinavam os policiais já foram abandonados. Sem estrutura para a segurança pública, a criminalidade voltou a aumentar nas regiões ditas pacificadas. Em janeiro deste ano, os roubos de rua aumentaram 10,4% e o de veículos 16% se comparados ao mesmo período de 2015. São esfaqueamentos na Lagoa, em Copacabana, turista morto na Quinta da Boa Vista e uma grande sensação de insegurança”. Saneamento Segundo a parlamentar, as promessas presentes na carta de intenções apresentada no período da candidatura do Rio para realizar as Olimpíadas, não foram cumpridas. “A Baia de Guanabara foi despoluída em menos de 50%. Já desistiram de despoluir as lagoas de Jacarepaguá. Os especialistas classificam a rede de esgoto do Rio como medieval, comparável a Londres e Paris do século XIV”. Saúde A crise na saúde, para a deputada, é um capítulo a parte. Decretado estado de emergência no setor, o Rio de Janeiro registra um déficit de R$ 1,4 bilhão e  a maior mortalidade de usuários do SUS em 30 anos, “a taxa de mortalidade no SUS no estado do Rio foi maior que a média nacional por grupos de 100 mil pessoas. Em 2015, a média do Rio  foi de 6,57 mortes contra a média nacional de 4,2”. Segundo o Conselho Federal de Medicina, o Rio de Janeiro investe menos em saúde que a média nacional. “O Brasil gasta em média, por dia, por usuário do SUS o valor de R$ 3,89, já a saúde do carioca vale para as administrações do PMDB apenas R$ 1,78”, afirmou. Para Clarissa, o Rio de Janeiro está enfrentando um grave problema de gestão. “Não houve planejamento para formar um fundo soberano para prever a variação do preço do petróleo e minimizar os efeitos da queda dos valores das commodities. Não há gestão quando são encontrados mil toneladas de medicamentos com prazo de validade vencido desde 2009 estocados pelo governo do Rio. Além do desperdício de remédios, a prioridade está deturpada no Rio de Janeiro. Foi encontrada uma grande quantidade de medicamentos reservada para as Olimpíadas, enquanto cirurgias eletivas estão sendo canceladas, UPA’s estão fechando as portas e hospitais estão registrando falta de insumos básicos” finalizou.  



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