Garotinho: Governo está subestimando o risco de convulsão social no país

Artigo publicado pelo ex-governador Garotinho em seu blog


22/02/2016     21h56    |   Foto: Divulgação Garotinho 1402Sinceramente pensei muito antes de escrever este artigo para o blog, mas é melhor avisar do que ser surpreendido pelos fatos. Analisando os últimos acontecimentos, entre eles mais um rebaixamento de agência internacional da nota de investimento do Brasil, a divulgação de que o desemprego já atinge a 9 milhões de brasileiros, que o governo não tem até agora nenhuma proposta articulada para reverter o atual quadro de crise política e econômica generalizada, temo pelo pior. Você que está lendo sabe que a pior pessoa do mundo é aquela que não tem mais nada a perder. Quantos brasileiros estão ficando nessa situação por dia? É evidente que este número de 9 milhões de desempregados está subestimado, qualquer um sabe disso. Devemos estar com mais de 15 milhões e em ritmo crescente. As receitas dos estados e municípios e do próprio governo federal não permitem a sustentação de uma rede de proteção social para atravessar a crise econômica, ou seja, as pessoas estão começando a ficar desesperadas. Um homem desesperado é perigoso. Imaginem 15 ou 20 milhões de pessoas sem perspectiva. O que se apresenta no horizonte das pessoas racionais é uma explosão social. A Argentina, que já passou por isso, teve saques em supermercados e lojas, e chegou a um ponto de desagregação social que levou o então presidente Fernando de la Rúa a fugir do palácio de helicóptero. Faço esse alerta porque o governo federal não apontou até agora um caminho que nos leve a algum lugar. Esse é o pior dos mundos. O governo trabalha dia e noite para evitar o impeachment da presidente, como se isso fosse suficiente para enfrentar os dramáticos problemas econômicos do país. Se o governo invertesse a lógica nos traria alguma esperança, ou seja, se a economia voltasse a crescer ou pelo menos se estabilizasse, até mesmo o impeachment perderia força. Todos os sinais mostram que a economia está sem rumo, ladeira abaixo, e isso incentiva aquilo que o governo tem gastado tempo e energia para impedir: o impeachment da presidente. Se não voltarmos a gerar empregos, crescimento na indústria, na construção civil, não importa se há fato concreto ou não contra a presidente. O povo irá para as ruas pedir o impeachment por sua sobrevivência pessoal. Neste caso a ordem dos fatores altera o produto. O que está empurrando cada vez mais gente contra o governo é o sentimento de que o governo quer se manter no poder, mas não tem resposta para a gravidade do momento que o país atravessa. Quando as panelas vazias forem para a rua, com as barrigas também vazias, sem carteira de trabalho, sem dinheiro para manter os programas sociais, será o caos, e aí não há quem segure, os panelaços vão se espalhar de norte a sul.



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