HFM: E assim se passaram 62 anos...


Atualizado: segunda-feira, 09  de junho de 2014    -    Foto:  Campos 24 Horas

Campos 24 Horas entrevista Ricardo Madeira__________________________________ Diretor do Hospital Ferreira Machado

ARicardo Madeira 6 história se repete. Em 1952, no dia 11 de junho, quando foi inaugurado em Campos o Hospital dos Tuberculosos, também chamado de Sanatório Ferreira Machado, hoje Hospital Ferreira Machado, estava trabalhando no local o jovem médico tisiologista, Décio Lobo de Azevedo, tempos depois nomeado diretor. E agora, na próxima quarta-feira, aniversário do considerado maior hospital do interior do estado do Rio, quem está como diretor geral é o filho daquele médico e diretor de outrora, que trabalhava com tuberculosos: Ricardo Madeira Coelho de Azevedo.  

Mas a história se repete e muda. Em 1975 o Hospital dos Tuberculosos fecha as portas e somente reabre 16 anos depois, em 1991, pelo então Prefeito Anthony Garotinho que, na época, transferiu seu gabinete para o 4º andar do hospital para acompanhar tudo de perto. E assim se passaram 23 anos do Hospital Ferreira Machado (HFM).

Desde o primeiro governo Rosinha Garotinho no mesmo cargo (2009), o cirurgião toráxico, coronel médico do Corpo de Bombeiros e médico do Ministério da Saúde, Ricardo Madeira, considera que o HFM evolui muito durante este período, o que, segundo ele, pode ser constatado tanto na estrutura física do prédio, quanto no número de especialidades atendidas, profissionais contratados e demanda diária, vinda também de vários municípios vizinhos, como São João da Barra, São Fidélis, São Francisco do Itabapoana, Cardoso Moreira, Macaé, Itaperuna, entre outros.

Campos 24 HorasPara começar, o senhor fala em crescimento físico do hospital. Do lado de fora, este não é visível....

Ricardo Madeira 8Ricardo Madeira – São obras internas e de importância. Posso citar a nova Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) com mais 32 leitos, inaugurada em junho do ano passado, quando até então tínhamos somente seis leitos mais a UPG e UTI de quatro leitos, para suprir a deficiência. Inclusive, o índice de infecção hospitalar baixou muito com essa nova UTI. E agora vamos inaugurar o novo Centro Cirúrgico, com três salas modernas de cirurgia e com toda aparelhagem nova. A novo Centro Cirúrgico vai aumentar em 70% a capacidade instalada de atendimento em termos de cirurgia. Neste caso foram investidos cerca de dois milhões entre obra física e equipamentos.

Campos 24H- E para por aí?

Ricardo Madeira – Claro que não. Já temos programada a reforma do Pronto Socorro, que em breve vai para licitação, e acreditamos que as obras comecem ainda este ano. E vamos continuar investindo em equipamentos e em pessoal, como já vem acontecendo. Sem deixar de lado a humanização do atendimento, também já colocado em prática. Além disso, também trabalhamos para atender cada vez melhor a parte que o HFM tem vocação, que o trauma.

Campos 24H– Mas somente trauma? E as outras especialidades?

Ricardo Madeira– Atendemos também outras especialidades, mas a vocação do HFM é para trauma, emergência. Veja bem. Se comparado janeiro a maio de 2013 com o mesmo período de 2014, houve um aumento de 90% em traumas, principalmente ocasionado por arma de fogo, além de aumento de mais de 30% por acidente de motocicletas, 50% por agressão física e mais de 30% ocasionado por queda na construção civil. Outras especialidades e urgências podem ser atendidas nas outras unidades pré-hospitalares e Hospital Geral de Guarus.

Ricardo Madeira 5Campos 24H–– E de que forma o HFM trabalha para fazer essa separação de atendimento?

Ricardo Madeira– Através da informação e formação técnica das equipes, para que outras especialidades sejam levadas para estes locais que citei. A informação preventiva à população se dá através dos veículos de comunicação, mostrando para onde as pessoas podem se dirigir em casos de menor gravidade. E no hospital, através de protocolo de classificação de risco, depois do paciente se acolhido e classificado, ele é encaminhado para outras unidades, se for o caso, sempre dando prioridade à emergência.

Campos 24H–– Num hospital do tamanho do Ferreira Machado é difícil falar em humanização?

Ricardo Madeira– Realmente aqui é tudo muito grande. Hoje são mais ou menos 200 leitos (antes não chegava a 180), cerca de 2 mil funcionários e atendimento anual que passa de 80 mil. Mas mesmo assim temos programa de humanização que engloba atendimento na emergência com classificação de risco, nas clínicas médicas e na criação de uma ouvidoria, um canal de comunicação entre o cidadão e a instituição, no sentido de gerar melhorias. Trabalhamos com pessoal interno para que entenda que o local de sofrimento tem que ter atividade técnica, mais também acolhimento. E o pessoal do RH faz treinamento sistemático com todos os profissionais do Pronto Socorro neste sentido.

Campos 24H–– Mas para que o profissional haja desta forma ele tem que estar estimulado...

Ricardo Madeira– Sim e por conta disso apresentamos novidades. Vamos começar agora com o plantão médico 12 horas, o que anteriormente era de 24 horas. Isso é para que o profissional não se sinta cansado e possa atender ainda melhor o paciente. Isso, junto com o aumento salarial por categoria, que já aconteceu. Os médicos, por exemplo, tiveram aumento médio de mais ou menos 40%, fora os 10% concedidos pelo governo municipal.

Ricardo Madeira 4Ricardo Madeira 2Campos 24H–– Vamos falar agora de problemas. Um deles é o elevador do hospital, sempre com defeito...

Ricardo Madeira– Já compramos mais três elevadores, que não foram instalados ainda, por problemas técnicos. Por enquanto estamos com dois e por serem obsoletos, passam por constante manutenção. E como já disse, por serem antigos, sempre apresentam problemas. Mas tudo isso logo será resolvido.

Campos 24H–– E o problema da superlotação, principalmente, no Pronto Socorro?

Ricardo Madeira– Olha, ela se deve a três problemas. O primeiro é a dificuldade na porta de saída do paciente, ou seja, depois dele estabilizado, deve ir para a rede conveniada que, por sua vez, não atende com a velocidade e número desejado. O segundo são os pacientes de casos de menor gravidade e que podem ir para outras unidades. E o terceiro problema é o encaminhamento sem aviso de outros municípios, contrariando, inclusive, a lei, motivo de frequentes investidas do Ministério Público a favor do HFM, multando esses municípios que trabalham dessa forma. São muitos municípios, alguns até que são referência em diferentes especialidades no estado do Rio, como Macaé e Itaperuna.

Campos 24H–– Diante das críticas, o que o senhor pode falar sobre o HFM, além dos avanços já citados acima?

Ricardo Madeira– Hoje a gente vê mais elogios da população do que críticas, porque as pessoas estão sendo mais informadas, principalmente, pelo setor de ouvidoria, que se dá por diferentes canais de entrada, como e-mail ([email protected]), site (www.fmscampos.org.br/ouvidoria) ou caixa de sugestão ou presencialmente. Isso nos deixa mais animados quanto aos rumos do Hospital Ferreira Machado. _____________________________ Postado por Fabiano Venancio



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