Pelo menos 14 enfermeiros morreram em decorrência de infecção pelo novo coronavírus no Brasil, segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). E outras 12 mortes estão em investigação. O documento da entidade de classe aponta também que há 330 profissionais com diagnóstico confirmado para Covid-19, dos quais 223 estão em quarentena e 107 encontram-se internados. Há ainda outros 2.214 enfermeiros afastados de seus serviços por suspeita da doença. No total, 2.570 enfermeiros foram afetados pelo coronavírus no país.
As mortes confirmadas foram registradas em São Paulo (7), Distrito Federal (2), Amazonas (1), Pernambuco(1), Rio Grande do Sul (1), Rio Grande do Norte (1) e Rio de Janeiro (1). Já os óbitos em investigação estão em São Paulo (6), Pernambuco (2), Amazonas (1), Goiânia (1), Maranhão (1) e Rio de Janeiro (1). Oito dos 14 profissionais com a morte confirmada por causa do coronavírus estavam na faixa etária de 31 a 50 anos. E apenas 2 tinham mais de 60 anos. (Leia mais abaixo)
Dentre os 2.570 enfermeiros impactados pela doença, 68,12% trabalham na região Sudeste, a mais afetada pela Covid-19 no Brasil com 13.371 casos confirmados e 833 mortes, segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde. A região Sul concentra 16,39% destes profissionais, 10,28% deles estão no Nordeste, 2,88% no Norte e 2,34% no Centro-Oeste.
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Entre os profissionais que trabalham na saúde, os de enfermagem são os que correm mais risco de se infectarem pelo coronavírus porque são eles quem fazem mais procedimentos de cuidado junto ao paciente, se expondo mais à infecção. Segundo o enfermeiro Walkirio Almeida, coordenador do Comitê Gestor de Crise - Covid-19 do Cofen, a entidade de classe esperava que a doença infectasse seus profissionais, mas o número de casos tem surpreendido:
— Que haveria profissionais acometidos, já sabíamos. Nos países onde a doença chegou primeiro, isso aconteceu. Mas comparando os nossos números com os desses países, percebemos que estamos acima da média. Para nós, neste momento, este é um dado preocupante.
O porta-voz do Cofen aponta três aspectos que podem ter contribuído para o alto número de infecções entre os profissionais de enfermagem no Brasil: a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) ou o racionamento deles; a má preparação dada pelos hospitais aos profissionais sobre o protocolo de manejo do paciente com suspeita ou confirmação de Covid-19; e a substituição dos EPIs por outros equipamentos não adequados à área da saúde, como o uso de capas de chuva no lugar de aventais. (Leia mais abaixo)
— Temos recebido denúncias de profissionais que informam não estarem tento acesso aos EPIs ou que este acesso está restrito. O que acontece em algumas unidades de saúde é que há todos os equipamentos, mas eles são racionados. O grande problema é que isso faz com que os profissionais precisem usar este equipamento por mais tempo que o recomendado pelo fabricante, aumentando seus riscos de infecção — afirma Almeida.
— Outra reclamação que temos recebido dos profissionais é a falta de preparo para atender os pacientes. Muitos hospitais não repassaram para suas equipes os protocolos da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde sobre como manejar os pacientes com suspeita ou confirmação de coronavírus, deixando os profissionais ao risco de infecção.
Fonte: O Globo