
O prefeito Wladimir Garotinho (PSD) chega neste fim de semana à marca dos 100 dias de governo em Campos, tendo cumprido várias metas, dentre elas estão duas de suas principais promessas de campanha: dar respostas imediatas na área de saúde, como ampliar a estrutura já existente para atendimento de Covid e reabrir algumas UBS (unidades básicas de saúde) fechadas pelo último governo em plena pandemia, e pagar as dívidas com os servidores deixadas pelo governo Diniz. E foi além: fez uma engenharia financeira que o levou a injetar cerca de R$ 300 milhões no comércio local com o pagamento dos vencimentos dos servidores e prestadores de serviços (RPAs). Entre os objetivos não alcançados está a não reabertura ainda do Restaurante Popular. Além das metas alcançadas para os primeiros meses de governo, algo chama a atenção em Wladimir: a capacidade de diálogo e articulação junto aos governos estadual em federal. Prova disso é que, em apenas duas semanas, ele abre um total de 62 novos leitos de UTI e de clínica médica para os pacientes de Covid, em virtude da invasão de uma nova variante do novo coronavírus, agravando a pandemia. Logo, a situação impôs ao prefeito respostas imediatas, como ampliar a estrutura já existente. E agora já anuncia a montagem de usinas de produção de oxigênio para abastecer os hospitais do município. Nesta entrevista exclusiva ao Campos 24 Horas, Wladimir faz um balanço de suas atividades, inclusive nos feriados e fins de semana. Entre outros assuntos, ele avalia as medidas duras que adotou como o lockdown ante a curva crescente de novos casos de contaminação e óbitos. “O trabalho é diário, inclusive nos fins de semana e feriados. Diante da gravidade da situação e, com as medidas que tivemos que tomar, com o fechamento de ruas da área central, registramos menor circulação de pessoas nas ruas”. O prefeito também anuncia medidas na área social e diz como tem feito para atender famílias carentes com membros desempregados, além de falar a respeito de linhas de crédito para os comerciantes mais atingidos pela pandemia. E ainda como vê um cenário que chama atenção nas ruas: um número cada vez maior de pedintes nas esquinas. (Leia a entrevista completa abaixo)
Campos 24 Horas - A respeito dos 100 dias de governo, queremos saber inicialmente como o senhor conseguiu pagar em menos de três meses R$ 106 milhões de atrasados que o governo anterior deixou com o funcionalismo. Sabe-se que a prefeitura em seu governo tem buscado manter o pagamento do servidor em dia. Portanto, são cerca de R$ 300 milhões circulando em Campos, só com as folhas de pagamento do serviço público. É um sinal que seu governo começa a se sedimentar? O que diferencia essencialmente o seu governo do governo Diniz do ponto de vista de gestão da área econômica? Wladimir Garotinho - Meu governo está cuidando de pessoas e digo isso de uma forma geral porque sabemos que, para a máquina chamada administração pública funcionar é preciso que várias peças e engrenagens funcionem de forma harmoniosa. Manter os salários em dia é obrigação de todo gestor, mas que não vinha sendo cumprida pela gestão anterior e, para conseguir, tivemos que tomar medidas difíceis, como reduzir cargos comissionados e prestadores de serviços RPA, além otimizar custos. Sabemos a importância também do pagamento dos servidores para o comércio porque são cerca de R$ 85 milhões, por mês, injetados na economia local. Esse ano, em três meses, foram aproximadamente R$ 300 milhões porque, também, efetuamos pagamento dos servidores do ano passado. Não quero ficar olhando pelo retrovisor ao ficar falando do ex-prefeito. Quero olhar para frente porque temos toda uma população para cuidar. Do ponto de vista econômico, eu e meu vice-prefeito, Frederico Paes, sempre deixamos claro o reconhecimento da importância da nossa principal vocação, que é a agricultura, mas também temos outros instrumentos de fomento à economia, como o Fundo de Desenvolvimento do Município de Campos (Fundecam), que possui várias linhas de crédito. (Leia mais abaixo)
C24H- Quais foram os maiores desafios nesses 100 dias. O senhor tem um início de governo como nenhum prefeito das últimas décadas enfrentou, em função da pandemia. Quais são as informações que o senhor tem obtido das autoridades da Saúde, quais os impactos positivos deste período de lockdown no município? Wladimir- Realmente, temos enfrentado muitos desafios em Campos desde janeiro e, neste momento da pandemia, com a nova variante circulando, o desafio tem sido ainda maior, mas a luta pela saúde da nossa população e por um tratamento digno tem sido constante. Temos feito de tudo para que o índice de contaminação reduza, por isso, tivemos que impor medidas de restrição no município há cerca de duas semanas, como fechamento do comércio, e a montagem de barreiras na semana passada, fechando o quadrilátero central e redução da circulação de pessoas nas ruas do município. Chegamos a ter nosso sistema de saúde colapsado com 100% dos leitos ocupados e pessoas na fila de espera e intensificamos nosso trabalho e voltamos a fazer apelo à população para que respeitasse as restrições. Esse cenário fez com que tivéssemos que voltar para a fase vermelha. Temos equipes de fiscalização trabalhando incansavelmente, diariamente, para fazer valer os decretos municipais e, com isso, fazer reduzir essa curva crescente de novos casos e óbitos no nosso município. Estamos abrindo novos leitos e sendo incansáveis na busca de novas vacinas e, durante nossas reuniões do Comitê de Crise Covid-19, ouvimos nossos técnicos da área de saúde, os profissionais que estão na linha de frente, Ministério Público, Defensoria Pública e representantes do comércio. Estamos sendo muito transparentes e responsáveis em todas as medidas que estamos tomando. Sabemos que, para conter o vírus, só com vacina e isolamento social e as restrições das últimas semanas junto com as medidas trouxe os primeiros resultados. Como as vacinas estão chegando aos poucos, é reduzir a circulação de pessoas nas ruas e, com isso, conter o vírus. Quero aproveitar e parabenizar os profissionais de saúde que têm sido verdadeiros heróis no enfrentamento à Covid-19.
C24H- Há uma escassez de vacinas, de equipamentos e de equipes médicas. Como Campos têm enfrentado estas dificuldades nos últimos 100 dias? Wladimir - Com muito trabalho, recorrendo ao Governo do Estado e ouvindo nossa equipe da saúde. Temos contado muito com o apoio do Governo do Estado, mas infelizmente as vacinas ainda chegam em quantidade inferior a que precisamos para nossa população. Estamos recebendo novas vacinas e, nesta sexta-feira (09) mesmo, o secretário estadual de saúde trouxe mais 11.500 doses. Então, atualmente, temos cerca de 60 mil campistas vacinados, mas queremos acelerar a imunização e promover uma vacinação em massa para que todos estejam protegidos contra esse vírus. Quando recebemos uma remessa maior de vacinas, preparamos um calendário ininterrupto que está permitindo ampliar os postos de vacinação e imunizar maior número de pessoas. Neste final de semana, tivemos 10 postos de vacinação funcionando.
C24H - Os possíveis efeitos das novas variantes têm levado aos hospitais pessoas mais jovens e já em estado grave. A agressividade que a doença tem demonstrado nas últimas semanas tem gerado um grau mais elevado de consciência na população, especialmente os mais jovens? Wladimir - Temos apelado constantemente à população para que mantenha os cuidados preventivos e nossa equipe de fiscalização não para. O trabalho é diário, inclusive nos finais de semana e feriados. O que percebemos foi que, diante da gravidade da situação e, com as medidas que tivemos que tomar, com o fechamento de ruas na área central, nas últimas semanas, registramos menor circulação de pessoas nas ruas. Durante reunião do nosso comitê, nesta sexta-feira (09), vamos reunir estas informações e outras, como a abertura de novos leitos, a chegada de mais doses de vacina, e nossa expectativa é de que nossa curva caia, refletindo os resultados das restrições, o que possibilitará reduzir a sobrecarga do sistema de saúde, que estava colapsado. As equipes técnicas da prefeitura têm trabalhado incansavelmente para enfrentar a pandemia, gerando resultados. Até domingo teremos mais 10 leitos de UTI abertos e na semana que vem serão outros 10 leitos de UTI, fora os 10 leitos abertos na semana passada. Então, Campos conseguiu em 15 dias abrir 30 novos leitos de UTI. Na última semana, foram abertos 13 leitos de clínica médica e, na próxima semana, serão mais 49 novos leitos de clínica médica, totalizando em duas semanas, a abertura de 62 novos leitos. A prefeitura segue trabalhando para ampliar a estrutura existente e articulando com a Beneficência Portuguesa a instalação de uma terceira usina de oxigênio no hospital, como também montar uma usina própria para o Hospital São José, que hoje é abastecido por cilindros.
C24H – Mesmo com as dificuldades deste início de governo, o senhor conseguiu abrir unidades do saúde que o governo anterior fechou. Como isso foi possível? Wladimir - Campos é um município com mais de 4 mil quilômetros quadrados de extensão e, naquele momento, só pensei que precisávamos reabrir essas unidades para cuidar das pessoas. As Unidades Básicas de Saúde que reabrimos são em localidades mais distantes da sede do município, o que aumenta a necessidade delas em funcionamento, principalmente, em período de pandemia. Queremos reabrir mais porque sabemos que vai proporcionar melhor atendimento em saúde para a população, mas também sabemos que essa nova onda da Covid-19 exigiu medidas que tivessem respostas imediatas. Esse inimigo invisível, que é o vírus, nos faz rever as medidas a todo instante. Ao mesmo tempo, busquei novos leitos, mais vacinas e kits de intubação, medicamentos que não estamos sendo encontrados no mercado. Não é só uma dificuldade de Campos. É de todo o país.
C24H - Neste período de excepcionalidade em razão dos efeitos devastadores da pandemia, o senhor cogita ampliar ou remanejar recursos para a área da Promoção e Ação Social a fim de socorrer os mais necessitados? Wladmir - Há sim essa possibilidade e estamos fazendo estudos para avaliar a viabilidade porque temos conhecimento de que a área social também é uma preocupação. Nossa Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social já está tomando providências e atendendo muitas famílias através dos nossos equipamentos. Temos recebido demandas dos Cras e, também, reforçado a assistência à população em situação de rua, principalmente, na abordagem social, tentando convencê-los a ir para uma das nossas unidades de acolhimento onde, além de alimentos, cama para dormir, é oferecido resgate à cidadania. Na semana passada, iniciamos a campanha Vacinação Solidária onde todas as pessoas que quiserem contribuir podem levar um quilo de alimento nos postos de vacinação. Não é obrigatório. É um ato de solidariedade. Também estamos concluindo as obras para a reabertura do Restaurante Popular porque entendemos a importância deste equipamento social e no combate à fome porque, muitas pessoas neste momento estão passando por muitas dificuldades e privações e temos o dever de ter um olhar diferenciado para esta área. (Leia mais abaixo)
C24H- Alguma proposta ou parceria entre prefeitura para que o comércio possa aperfeiçoar o potencial de vendas online ou em delivery, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, junto com o Sebrae, junto com entidades do comércio como ACIC e CDL? Wladmir - O diálogo tem sido permanente com ACIC, CDL e Carjopa e, neste momento tão difícil para todos nós, sabemos as dificuldades enfrentadas pelo comércio. Alguns comerciantes estão se reinventando e mantendo as vendas através de suas redes sociais e a entrega domiciliar, o delivery. Meu secretário de Desenvolvimento Econômico, Marcelo Mérida, também, tem ouvido os lojistas, suas sugestões, e estamos, em conjunto, buscando soluções para ajudar o comércio. Também tenho buscado parcerias com o Governo do Estado, através dos secretários, para que possamos atender às demandas que nos chegam em diferentes áreas.
C24H - A economia está em frangalhos. É cada vez maior o número de desempregados e pedintes nas esquinas. Muitos dos micro e pequenos negócios prenunciam encerramento de atividades. Como enfrentar a questão econômica, as demissões em massa, que podem também afetar as receitas municipais e gerar um caos social? Wladimir - Tenho conversado muito com o setor produtivo e essas entidades de classe e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e, juntos, estudamos formas de reabrir de forma gradativa o comércio, de modo seguro e responsável, mas os cuidados precisam continuar. Também estamos estudando novas possibilidades de ajudar a fomentar a economia do nosso município, seja através de linha de crédito ou maior prazo para pagamento de IPTU. Dessa forma, queremos fomentar nossas economia e preservar empregos.
C24H - E as milhares de pessoas que dependem do trabalho informal, como empreendedores e ambulantes, como analisa a situação destes trabalhadores e se o governo tem algo estudo em andamento para criar algum tipo de incentivo a eles? Wladimir - Temos em Campos o Espaço do Empreendedor, que atende pessoas interessadas em sair da informalidade, e uma linha de crédito do Fundecam, voltada para este público, que inclusive foi criada pela minha mãe, quando foi prefeita. Neste momento, estamos fazendo uma avaliação do atual cenário e de que forma será possível ajudar.
C24H - O desemprego e a fome já afligem milhares de pessoas. Numa crise de pandemia, o Restaurante Popular seria um local onde as pessoas poderiam bater a porta em busca de socorro alimentar. Quando será reaberto? Wladimir - Com certeza! A reabertura do Restaurante Popular é um equipamento social e de segurança alimentar muito importante e eu já vinha falando isso antes mesmo de assumir a prefeitura. À medida que a pandemia se prolonga, a questão social tende a se agravar. Como já disse, estamos com o Restaurante Popular em obras e isso sem custos para a prefeitura porque, lançamos o Programa Amigo da Cidade, e uma empresa assumiu a obra. Nosso objetivo era abrir no dia 28 de março, aniversário de Campos, mas devido ao agravamento da pandemia não foi possível. Assim que estivermos em uma fase do plano de retomada econômica mais branda, iremos reabri-lo, mas não estamos de braços cruzados. Nossas equipes da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social estão atendendo as famílias em vulnerabilidade. Temos, ainda, a Vacinação Solidária, que poderá ajudar também as pessoas que estão em dificuldade temporária, ou seja, perderam o emprego recentemente, mas que, em breve, confiamos muito isso, estarão de volta aos seus postos de trabalho.
C24H - Como avalia a participação dos governos estadual e federal nesta pandemia? Wladimir - Tenho buscado tanto no Governo do Estado como em Brasília apoio para nossa cidade e já tivemos várias respostas positivas de uma forma geral para Campos. Na pandemia, entendo que a situação está difícil para todos com falta de leitos e medicamentos, mas estamos conseguindo vacinas, equipamentos, medicamentos e novos leitos. Continuamos na luta para oferecer o melhor para nossa população. Tem sido uma batalha de hora em hora para conseguir remédios, uma batalha de todos os prefeitos. Falei com todos eles da região sobre a dificuldade de medicamentos. Na noite de quinta-feira (08) fiz pedido emergencial, em contato pessoal com o governador Cláudio Castro, e a resposta foi que eles não estavam conseguindo comprar os medicamentos mas disse que ia ceder um pouco do que tinha de estoque. Nesta sexta-feira (09), além de receber mais uma remessa das vacinas – recebemos 11 mil doses – também recebemos mais uma remessa do “kit intubação”, com medicamentos fundamentais para o tratamento de pacientes internados em estado grave em UTI. Mais uma vez, o Governo do Estado prontamente atendeu o nosso pedido. Esses medicamentos, que não estão sendo encontrados no mercado, vão nos ajudar neste momento tão difícil. Continuamos a nossa luta de salvar vidas e vacinando a nossa população de forma ininterrupta. (Leia mais abaixo)
C24H - O município de Campos, por sua extensão territorial, impõe ao governo algumas dificuldades para fiscalizar, coibir e punir quem transgride as medidas protocolares para frear o alastramento do vírus. Como tem funcionado esta fiscalização no Centro, na Baixada, Guarus, norte e sul do município? Wladimir - A equipe de fiscalização tem sido incansável. Trabalha diariamente atendendo a muitas denúncias de descumprimento do decreto. Em algumas vezes, os fiscais constatam as irregularidades infelizmente. Como possui grande extensão territorial, é complicado estar em todos os locais, por isso, é tão importante a conscientização das pessoas: que usem máscara, álcool 70% e evitem aglomeração. As equipes de saúde estão esgotadas porque, em um ano de pandemia, imaginava-se que o ritmo de trabalho seria reduzido e, na verdade, o que aconteceu com a circulação da nova variante no Brasil, foi um aumento do número de casos e óbitos e agravamento do quadro dos pacientes, que agora são mais jovens. Com as restrições das duas últimas semanas, conseguimos reduzir a circulação de pessoas e frear a curva de casos, que estava ascendente. Isso permitiu, cientificamente, flexibilização na atividade comercial e reabertura gradual, tratada junto com as entidades de classe, mas existem pontos que estamos revendo porque ainda não podemos sair da fase vermelha. Vale ressaltar que, mesmo com as flexibilizações, é preciso bom senso de todos porque precisamos lembrar que a situação ainda é grave. A pandemia não acabou.