Campos 24 Horas - Nem sempre o silêncio de um adolescente significa que está tudo bem. O novo episódio do Sala 404, intitulado “Silêncio Emocional”, aborda a saúde mental na adolescência e pode ser assistido no canal do PAE no YouTube. Conduzido pelo Estação Educação, iniciativa da Diretoria de Programas e Projetos (DPP) da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), o programa conta com a participação do psicólogo Jonathan Paixão, falando sobre depressão, sinais de sofrimento emocional, dificuldade de pedir ajuda e importância da rede de apoio.
Durante a conversa, Jonathan Paixão diferencia a tristeza, que pode fazer parte das experiências cotidianas, de um quadro depressivo. Para explicar a diferença, o psicólogo recorre à imagem de uma tempestade e dos danos que ela pode provocar. “A tristeza é um período e a depressão você perde o prazer de viver”, resume. A explicação ajuda a apresentar aos estudantes e às famílias uma distinção importante sem transformar sentimentos comuns em diagnósticos.
O tema ganha relevância diante dos dados apresentados no episódio sobre o crescimento das mortes por suicídio entre adolescentes. Segundo informações do Ministério da Saúde citadas no programa, entre 2016 e 2021, a taxa de mortalidade por suicídio entre jovens de 15 a 19 anos aumentou 49,3%, chegando a 6,6 óbitos por 100 mil jovens. Entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, o crescimento informado foi de 45%. Os números são utilizados como ponto de partida para discutir por que ainda pode ser tão difícil falar sobre medo, angústia, insegurança e outros sentimentos.
Outro ponto discutido é a forma como o sofrimento pode aparecer no comportamento dos adolescentes. Segundo Jonathan, nem sempre eles conseguem verbalizar o que estão enfrentando e podem apresentar mudanças que passam despercebidas no cotidiano familiar. “No jovem, no adolescente, ele dá sinais, ele não expressa, porque às vezes a casa não é uma casa de expressividade, de acolhimento”, afirma. O psicólogo também chama atenção para diferentes formas de manifestação, lembrando que tanto o isolamento quanto uma postura excessivamente sociável podem esconder dificuldades emocionais.
A conversa também aborda o peso do julgamento e a importância de procurar ajuda. Jonathan destaca que existem redes de apoio e serviços de saúde que podem ser acionados, mas observa que o medo de ser julgado ainda pode impedir que muitos adolescentes falem sobre o que estão vivendo. Ao defender que a saúde mental receba atenção contínua, ele compara esse cuidado ao acompanhamento médico periódico. “Saúde mental é que nem aquela saúde que a gente tem que ir todo ano no médico, fazer aquele check-up e olhar para ver se estamos bem ou não. A gente tem que cuidar da gente todos os dias”, afirma.
Para Carolina Sobrinho, coordenadora do Estação Educação, abordar saúde mental no ambiente educativo também envolve criar condições para que os estudantes reconheçam seus sentimentos e saibam onde buscar apoio. “O Sala 404 procura abrir espaço para conversas que fazem parte da realidade dos nossos estudantes e que nem sempre encontram espaço para serem discutidas. Falar sobre saúde mental é também falar sobre acolhimento, escuta e prevenção, mostrando que pedir ajuda não deve ser motivo de vergonha ou julgamento”, aponta.