Campos 24 Horas - O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 revelou que as ligações telefônicas são o principal canal usado na disseminação de golpes no Brasil. Elas correspondem a 53% das tentativas de estelionato digital.
De acordo com a pesquisa produzida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em março de 2026, 15,8% da população com 16 anos ou mais foi vítima de um golpe ou perdeu dinheiro pela internet ou pelo celular no último ano. O índice representa 26,3 milhões de pessoas. Já o relatório "O Estado dos Golpes Brasil de 2026" estima que 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro em fraudes no período, com prejuízos que chegam a cerca de R$ 21,2 bilhões.
A cada 1 minuto e 31 segundos, um estelionato digital é aplicado no país. Em 2025, foram registrados 346.753 casos. Segundo o delegado da Polícia Civil do Distrito Federal Erick Sallum, “faltam profissionais capacitados para lidar com os novos formatos de crimes cibernéticos”. Para ele, os principais problemas na proteção dos usuários estão na dificuldade de impedir o acesso a informações sigilosas e na ineficiência para rastrear os criminosos.
O pai, de 87 anos, do produtor cultural Alexandre Diniz, 58, foi uma das vítimas de estelionato digital. Em abril de 2025, ele recebeu mensagens de um golpista que se passava por um funcionário do banco. “O suposto funcionário explicou que precisava acessar a conta do meu pai para verificar o acesso indevido. A partir de um link enviado, o golpista pode entrar remotamente no banco”. Diniz explicou que a partir deste momento, o estelionatário fez uma ligação para o pai, que informou dados como senhas e logins.
Com o acesso liberado, foram feitas diversas transferências que totalizaram por volta de R$ 130 mil. “Todos nós ficamos arrasados, não só pelo montante, mas porque ele se sentiu ingênuo por ter sido pego no golpe”, afirmou Diniz.
Apesar do susto, foi identificada uma falha do banco em bloquear as transferências, o que permitiu que recuperasse o valor total perdido. Isso só foi possível porque a família fez múltiplas idas em agências, mandaram carta ao gerente e falaram com a ouvidoria, que reconheceu o erro.