Mais Ciência reuniu pesquisadores e gestores municipais para alinhar projetos do ciclo 2026/2027


  • 05/10/2026, 07h22, Foto: Ascom .

Campos 24 Horas - A pesquisa acadêmica saiu das universidades e encontrou, ao longo de setembro, os setores da Prefeitura de Campos que lidam diretamente com os problemas investigados pelos projetos do ciclo 2026/2027 do Programa Mais Ciência. Ao longo de setembro, coordenadores das pesquisas aprovadas se reuniram com representantes de secretarias, órgãos e áreas da administração municipal para apresentar propostas, alinhar objetivos e discutir como o conhecimento produzido poderá dialogar com demandas concretas da cidade. Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), o programa utiliza a pesquisa como instrumento de aproximação entre universidades e poder público.

A coordenadora do Mais Ciência e gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Científica da Seduct, Leonora Tinoco, explica que as reuniões fazem parte de uma etapa importante para aproximar os pesquisadores dos setores que conhecem diretamente os desafios municipais. A proposta é estabelecer uma interlocução desde o início dos projetos, permitindo que as pesquisas considerem informações, experiências e necessidades identificadas pelos profissionais que atuam nos serviços públicos. Para ela, “a aproximação também amplia as possibilidades de que os resultados das pesquisas retornem à sociedade em forma de conhecimento aplicável às demandas de Campos”.

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Na Defesa Civil, os encontros reuniram projetos relacionados à vulnerabilidade socioambiental, erosão costeira, drenagem urbana, inundações e segurança de pontes. Foram discutidos o “Atlas de Vulnerabilidade Socioambiental de Campos dos Goytacazes”, o “Protocolo técnico de monitoramento, classificação e alerta para áreas sujeitas à erosão costeira na orla marítima de Campos dos Goytacazes”, a “Análise Integrada de Vulnerabilidade Urbana e Drenagem em Campos dos Goytacazes com base em dados censitários”, o projeto “Defesa Civil nas escolas”, a “Simulação de eventos de inundações em Campos dos Goytacazes utilizando os softwares Blender e Iber”, além de duas pesquisas voltadas à avaliação e ao monitoramento da vulnerabilidade estrutural de pontes.

“Recebemos propostas excelentes, com temas importantes. Os estudos relacionados a drenagem, pontes e alagamentos ampliam o conhecimento disponível para a gestão e podem contribuir para reduzir a exposição da população durante períodos de chuvas intensas”, disse o secretário de Defesa Civil, Alcemir Pascoutto

Na área de Saúde Mental, os projetos abordaram desde a articulação entre agentes comunitários de saúde e os serviços de atenção psicossocial até as condições de trabalho de profissionais dos Centros de Atenção Psicossocial, além das relações entre saúde, território e uso de espaços públicos. Também foram apresentadas pesquisas sobre atenção psicossocial a usuários de álcool e outras drogas, histórias da atenção psicossocial em Campos e promoção de espaços de discussão sobre antirracismo. A Guarda Municipal e as áreas de Gestão de Pessoas e Governança Digital também receberam uma pesquisa dedicada às repercussões do trabalho sobre a saúde mental dos agentes, com atenção aos fatores de risco psicossocial.

O Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) concentrou projetos relacionados à mobilidade urbana e ao direito de circulação. Entre eles estão estudos sobre transporte público e acessibilidade para pessoas com deficiência, características do transporte intermunicipal, infraestrutura para mobilidade ativa, cartografia das redes de mobilidade e da infraestrutura cicloviária, além de uma pesquisa sobre arborização urbana e qualidade dos deslocamentos. A Subsecretaria de Urbanismo, por sua vez, recebeu pesquisas sobre habitação social, aproveitamento de fibras de coco em painéis sustentáveis, mobiliário urbano produzido com materiais reciclados e levantamento georreferenciado de condomínios horizontais.

Na Seduct, a área de Diversidade e Inclusão recebeu pesquisas que tratam de gênero, sexualidade, raça, direitos humanos, cultura negra, juventudes camponesas, liberdade religiosa, inclusão e práticas educativas. Entre os projetos estão “A escola como território de cidadania”, “EducaFlow”, “Jogo do Privilégio e da diferença”, “Língua de preto, lutas e resistências”, “Juventudes camponesas”, “Diálogos de fé”, “Cine Egbé” e “Práticas educativas lúdicas como estratégia de inclusão na rede municipal de educação”.

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Para Diego Nascimento, gerente de Diversidade e Inclusão da Seduct, o diálogo entre pesquisadores e profissionais da rede permite identificar pontos de contato entre as pesquisas e as ações já desenvolvidas. “O mais importante desse encontro é justamente identificar essas interseções e pensar como cada projeto pode contribuir com aquilo que já desenvolvemos na rede. A pesquisa ganha quando consegue dialogar com a realidade das escolas, e a política pública também ganha quando pode contar com conhecimento produzido a partir dessa realidade”, afirmou.

A área de Ciências Humanas e o trabalho relacionado à história e ao patrimônio também fizeram parte da agenda. Entre os projetos discutidos estiveram “Uso de fontes primárias em aulas de História Contemporânea”, “Atlas Escolar Digital de Campos dos Goytacazes”, “Patrimônio Goitacá”, “Nós Propomos! Campos dos Goytacazes”, “Circuito histórico, artístico e arquitetônico das igrejas barrocas de Campos dos Goytacazes” e “Patrimônio vivo”. As propostas aproximam pesquisa, educação e memória local, utilizando documentos, patrimônio arquitetônico, cartografia e referências culturais como recursos para ampliar o conhecimento sobre o município.

O Programa Saúde na Escola reuniu pesquisas sobre diferentes dimensões da saúde no ambiente educacional. A pauta incluiu saúde mental e autocompaixão de estudantes, condições higiênico sanitárias e contaminação microbiológica em serviços de alimentação, dificuldades cognitivas na Educação Infantil, orientação a famílias de crianças com transtorno do espectro autista não verbal e primeiros socorros. Também foram discutidos estudos sobre adoecimento docente, saúde cardiovascular, saúde auditiva e relação entre deslocamentos escolares e indicadores de saúde. O conjunto evidencia a diversidade de temas que podem ser investigados a partir da realidade das unidades da rede municipal.

O Arquivo Público Municipal também participou das articulações do Mais Ciência, aproximando pesquisadores e memória histórica da cidade. A gerente Rafaela Machado destacou a contribuição dos projetos para ampliar o contato da população com documentos, autores, obras e diferentes aspectos da história local. Para ela, a parceria tem produzido resultados relevantes para o Arquivo ao aproximar a população de diferentes dimensões do patrimônio documental e histórico do município.

“Eu sou absolutamente fã do Mais Ciência, eu acho que é um caminho que a gente tem trilhado junto às instituições de ensino, pesquisa, junto à população, a cada cidadão, de conhecer melhor a cidade, conhecer o universo que a gente habita, conhecer autores locais, o contexto de produção de algumas obras, da publicidade e, principalmente, trazer o campista para mais perto da sua história”, afirmou Rafaela.

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Leonora Tinoco explica que, com a rodada de reuniões concluída, o próximo passo é dar continuidade ao desenvolvimento das pesquisas em diálogo com os setores municipais envolvidos. A partir das demandas apresentadas e das contribuições dos gestores e profissionais das áreas atendidas, os coordenadores poderão avançar na execução dos projetos, mantendo a interlocução com os órgãos públicos ao longo do ciclo 2026/2027. A expectativa é que esse acompanhamento favoreça a produção de conhecimentos conectados às características de Campos e amplie a circulação dos resultados entre pesquisadores, poder público, escolas e população.



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