Campos 24 Horas – A Fundação Municipal de Saúde (FMS) apresentou, nesta segunda-feira (28), na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, o relatório detalhado referente ao segundo quadrimestre de 2026. A audiência foi presidida pelo vereador Marcos Gonçalves, conhecido como Dr. Maninho, e contou com a participação do presidente da FMS, Arthur Borges, que apresentou os principais investimentos, ações e resultados da rede municipal de saúde.
Durante a apresentação, Arthur destacou a mudança no perfil de atuação da FMS, que vem investindo na modernização das estruturas e dos equipamentos para ampliar a capacidade de atendimento e avançar também na assistência preventiva.
“Durante muito tempo, uma característica da Fundação era ser basicamente um órgão reativo. A gente estava sempre correndo atrás de um problema que já tinha acontecido. Nosso objetivo agora é modificar essa realidade. Primeiro, foi necessário reformar os prédios, melhorar as estruturas e completar as equipes. Agora, chegamos a um segundo momento, que é a modernização do nosso parque tecnológico”, explicou.
Segundo o presidente, a proposta é ampliar a oferta de procedimentos eletivos, reduzindo a necessidade de intervenções emergenciais que poderiam ser evitadas com o diagnóstico e o tratamento realizados antecipadamente. “Quando a gente consegue operar uma criança com uma hérnia inguinal em uma fase inicial, por exemplo, talvez evite que ela chegue à emergência com uma complicação intestinal que precise de uma cirurgia de urgência. O objetivo é justamente evoluir e começar a oferecer mais cirurgias eletivas, agendadas, dentro das características do hospital”, ressaltou.
Modernização tecnológica e novos equipamentos - Entre os investimentos apresentados estão os 20 novos aparelhos de ventilação mecânica entregues ao Hospital Geral de Guarus (HGG), acompanhando a ampliação de 20 leitos da unidade. Os equipamentos permitem diferentes modalidades de ventilação, atendendo pacientes de diversos quilos, inclusive aqueles que necessitam de suporte invasivo e não invasivo.
A rede de urgência e emergência também está recebendo novos aparelhos de radiologia digital. O equipamento já instalado no PU Central será implantado nas demais unidades, permitindo a visualização remota das imagens, a emissão de laudos à distância e a redução do uso de substâncias químicas utilizadas na revelação de filmes.
A tecnologia possibilita, por exemplo, que exames realizados em unidades mais distantes, como Morro do Coco, sejam avaliados por médicos de outras unidades sem a necessidade de deslocamento imediato do paciente.
O Hospital Ferreira Machado (HFM) também recebeu quatro novas mesas cirúrgicas elétricas, sendo uma instalada no centro cirúrgico antigo e três no novo espaço inaugurado recentemente. Os equipamentos permitem movimentos que os modelos anteriores não ofereciam e suportam pacientes de até 250 quilos.
Arthur destacou que a ampliação da estrutura cirúrgica acompanha o crescimento da demanda. Em 2025, o HFM realizou 2.450 cirurgias. Somente nos primeiros oito meses de 2026, a ortopedia contabilizou 1.540 procedimentos, com previsão de alcançar aproximadamente 2.400 até o fim do ano, caso o ritmo seja mantido.
“Um dos problemas que a gente tinha era justamente a suspensão de cirurgias por causa da chegada de pacientes de urgência. Você tinha um paciente agendado para uma cirurgia de fêmur e, naquele momento, chegavam dois ou três acidentados, então precisava cancelar. Com o novo centro cirúrgico, teremos uma estrutura separada para as cirurgias eletivas, com equipes específicas, preservando também o atendimento de urgência e emergência”, explicou.
O presidente também mencionou a aquisição de novos focos cirúrgicos com iluminação de LED e equipamentos para ampliar a realização de procedimentos, além dos investimentos em tomografia.
Durante a apresentação, Arthur também destacou a aquisição de um gerador de marca-passo externo, por meio de contrapartida, para atender pacientes com determinadas arritmias que necessitam de controle imediato até a transferência para uma unidade especializada. Foram mencionados ainda novos equipamentos odontológicos, como compressores e canetas.
Outro resultado apresentado foi a manutenção de cinco anos sem pacientes nos corredores do HFM. Apesar do marco, o presidente ressaltou que a rede ainda opera acima de sua capacidade e que os investimentos precisam continuar. “Com todas essas ações, conseguimos comemorar cinco anos sem pacientes nos corredores. Mas precisamos entender que ainda trabalhamos com uma capacidade operacional acima do limite. Existe a necessidade de melhorar isso, e os investimentos em tecnologia fazem parte desse processo”, afirmou.
Na área de especialidades, foi anunciado o início do funcionamento do programa Mais Especialistas, que já conta com aproximadamente 14 médicos atuando na realização de exames pela Fundação. Arthur também ressaltou as ações de valorização dos profissionais de enfermagem e informou a realização da oitava captação de órgãos de 2026, que resultou na doação de um fígado e dois rins.
O relatório também trouxe dados sobre a ampliação dos procedimentos realizados no HFM, com registro de aproximadamente 1.600 a 1.700 procedimentos no mês anterior, representando um aumento de cerca de 30% em relação à estrutura operacional anterior.
Na assistência pediátrica, o presidente destacou que a rede municipal conseguiu atravessar o período de maior circulação de doenças respiratórias sem as dificuldades que costumavam ocorrer em anos anteriores. Atualmente, são 60 leitos de enfermaria e quase 20 leitos de UTI, além da estrutura da Clínica da Criança e das demais unidades de atendimento.
Reorganização da rede e ampliação dos atendimentos - Outro ponto abordado foi a reorganização dos serviços da UPH de Travessão, com a manutenção de uma ambulância com médico para transferir pacientes que necessitam de atendimento em outras unidades. Segundo Arthur, são realizadas entre três e quatro transferências por dia.
O presidente também apresentou os resultados do PU Central que chegou a registrar 6.341 atendimentos em um único mês. Para ele, os números demonstram a importância dos investimentos realizados na unidade, que passou a ser referência para o modelo de reorganização das demais UPHs.
Em relação ao HFM, foi registrado um aumento de aproximadamente 5% nos atendimentos durante o primeiro quadrimestre, com destaque para as demandas de ortopedia e pediatria. O crescimento na assistência infantil foi relacionado às mudanças no fluxo de atendimento da região central, levando à ampliação da equipe pediátrica durante o período de doenças respiratórias.