Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra os delegados Maurício Demétrio e Allan Turnowski, os dois teriam se associado para beneficiar amigos investigados no âmbito da Operação Hipócrates, deflagrada em maio de 2018, pelo GAECO e pela Coordenadoria de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (CCCLD) da Polícia Civil. A operação visava a combater desvios de verbas em contratos do município do Rio. Entre os alvos estavam ex-presidentes, diretores, administradores e funcionários da Fundação Bio-Rio, do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), e de outras pessoas jurídicas. Para o MP, as mensagens trocadas entre os delegados “evidenciam que a diligência, apesar de sigilosa, já tinha sido vazada para os “amigos”, que receberiam acompanhados de advogado a equipe responsável por efetivar o cumprimento da ordem de busca e apreensão”, escrevem os promotores. (leia mais abaixo)
O MP afirma ainda que Demétrio pediu a Turnowski que não houvesse imprensa no “Novo Leblon”, “já que os ‘amigos’ estariam esperando as equipes com advogados, o que evidenciaria o vazamento”. Um dos alvos da operação, Luiz Eduardo da Cruz, ex-presidente do conselho de administração do Iabas, morava no Condomínio Novo Leblon à época da operação. (leia mais abaixo)
Em uma das mensagens, Demétrio fala a Turnowski sobre a operação e, segundo a denúncia do MP, pede para ele “intervir junto aos delegados que atuavam na investigação para que estes tivessem ciência da relação de “amizade” dos dois com os alvos de modo a tentar influir negativamente no regular andamento das diligências”. No diálogo, Demétrio diz que “eles vão na casa de um amigo nosso segunda-feira aí… entendeu? Fazer uma visita… aquelas visitas de manhãzinha (…) o cara é nosso amigo lá… fazer o que tem que fazer, mas devagarinho, né?”. A denúncia prossegue afirmando que “ao final, Allan Turnowski acata a solicitação de Maurício Demetrio, admitindo que estava tomando providências”. (leia mais abaixo)
Também na denúncia, o MP conclui que “o vazamento da operação se confirmou, tendo sido decretada a prisão preventiva de Luiz Eduardo da Cruz em razão desta circunstância”. Na decisão em que decreta a prisão de Cruz e sua esposa, em 5 de junho de 2018, o juiz Paulo Roberto Sampaio Jangutta cita o fato, levantado pelo MP, de que o casal teria agido para ocultar ou destruir provas que estariam em um dos escritórios da dupla, demonstrado que ambos estavam “cientes de antemão da determinação judicial de busca e apreensão nos endereços de seus escritórios”. (leia mais abaixo)
Foi anexada à denúncia uma foto em que Cruz e Demétrio aparecem um ao lado do outro, sem camisa, fumando charutos. Cruz segura uma garrafa de champanhe. (leia mais abaixo)
Em nota, a defesa de Luiz Eduardo da Cruz afirma que o ex-presidente do conselho de administração do Iabas “foi absolvido e o processo envolvendo a Fundação Bio-Rio, extinto”. O texto segue dizendo que “os documentos a respeito do suposto vazamento de informações são públicos e provam que a afirmação não é verdadeira. Como esclarecido ao juiz à época, a denúncia e medidas cautelares estavam disponíveis aos advogados, portanto, não estavam sob sigilo, o que pode ser confirmado sem dificuldade pelo acesso a petições e à decisão do próprio Tribunal de Justiça”. (leia mais abaixo)
O advogado Leonardo Dickinson, que defende Maurício Demetrio, disse em nota que “precisa se inteirar integralmente dos autos pra poder se manifestar”. O GLOBO procurou a defesa de Allan Turnowski para comentar o assunto, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.
Fonte: Extra