O Ministério Público Federal (MPF) se opôs aos pedidos de libertação ou prisão domiciliar de nove doleiros alvos da Operação Câmbio, Desligo, da Força-tarefa Lava Jato/RJ. Os habeas corpus em nome de Ernesto Matalon, Francisco Araújo da Costa Júnior, Henri Joseph Tabet, Paulo Aramis Albernaz Cordeiro, Patrícia Matalon Peres, Roberto Rzenzinski e Sergio Mizhray vão ser julgados pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF2) nesta quarta-feira, dia 5. O MPF na 2a Região (RJ/ES) expediu pareceres ao Tribunal ressaltando a necessidade da prisão de cada um desses alvos.
O MPF destacou ao TRF2 que as prisões preventivas continuam indispensáveis para garantir o êxito das investigações e que uma substituição da prisão por medidas alternativas seria insuficiente para a garantia da ordem pública e da aplicação da lei penal. Os doleiros estão entre os investigados por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação à organização do ex-governador Sergio Cabral.
“Busca-se, por ora, paralisar uma das atividades-fim da organização: a prática reiterada de evasão de divisas e a ocultação de valores financeiros oriundos de corrupção e sonegação fiscal, além de preservar a regularidade da instrução criminal”, afirmam os procuradores regionais Andréa Bayão, Carlos Aguiar, Mônica de Ré, Neide Cardoso de Oliveira, Rogério Nascimento e Silvana Batini, do MPF na 2a Região, para os quais é preciso impedir novos atos de ocultação de bens que interfiram nas investigações em andamento. “Os vínculos entre os doleiros os tornam profundos conhecedores da origem e destino de recursos manejados pela organização criminosa. Não há dúvida de que, em liberdade, eles podem interferir na recuperação do produto do crime.
”Em cada um dos nove pareceres, o MPF apresenta uma série de argumentos pela prisão dos doleiros e discorre sobre a movimentação financeira em operações clandestinas de câmbio nos últimos anos. As transações somavam quantias de milhões de reais em períodos diversos – de dezembro de 2010 a abril de 2011, por exemplo, só Paulo Albernaz fez 212 depósitos somando mais de R$ 4,3 milhões.
Processos:
1. 0004922-62.2018.4.02.0000 (Paulo Aramis Albernaz Cordeiro)
2. 0004754-60.2018.4.02.0000 (Sergio Mizhray)
3. 0004931-24.2018.4.02.0000 (Ernesto Matalon)
4. 0005045-60.2018.4.02.0000 (Henri Joseph Tabet)
5. 0005009-18.2018.4.02.0000 (Marco Antonio Cursini)
6. 0005128-76.2018.4.02.0000 (Francisco Araújo Costa Júnior)
7. 0005292-41.2018.4.02.0000 (Richard Andrew de Mol Van Otterloo)
8. 0005290-71.2018.4.02.0000 (Patrícia Matalon Peres)
9. 0005422-31.2018.4.02.0000 (Roberto Rzezinski)