O Ministério Público Federal (MPF) se reuniu com representantes da Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) para apurar a possibilidade de reincidência de doenças psiquiátricas e o aumento de casos de suicídio em agentes, delegados, escrivães, papiloscopistas e corpo administrativo da PF, além de agentes da PRF e agentes de execução penal federal (Polícia Penal). (leia mais abaixo)
A reunião, realizada na sede da Procuradoria da República do Rio de Janeiro, no último dia 17 de agosto, contou com a participação do coordenador do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial, procurador da República Eduardo Benones, o presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais no estado do Rio de Janeiro (SINPRF-RJ), José Roberto Gonçalves de Oliveira, e o presidente do Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro (SSDPFRJ), Luiz Carlos Cavalcante. (leia mais abaixo)
No início do encontro, José Roberto expôs que um dos problemas já identificados para o adoecimento psicológico é a situação funcional em que vivem os agentes. Além de ser um trabalho estressante, o concurso da instituição não é regionalizado, o que faz com que os policiais frequentemente atuem em locais distantes de seus familiares e do círculo de amigos, sem previsão de retorno. O representante também explicou que como este é um problema emocional, muitas vezes a questão econômica não é suficiente. (leia mais abaixo)
“Deveríamos ter algum tipo de trabalho em que o policial conseguisse, eventualmente, ver a sua família. Na fronteira foi feito um suporte financeiro com o adicional de fronteira, isso ajuda, mas para o policial que não aguenta a carga emocional a questão financeira não resolve”, ressalta o representante da PRF. (leia mais abaixo)
José Roberto também explicou que parte da cobrança emocional vem do próprio agente. “Neste meio além da pressão da sociedade, o próprio policial se cobra. Ele tem que manter uma postura e um controle por causa da arma que é sua responsabilidade”, completa. (leia mais abaixo)
Para Luiz Carlos, a profissão por si só é uma das mais estressantes e isso já bastaria para um adoecimento. Ele explica que uma das causas do ambiente de trabalho ser muito adoecido, é a polícia federal não ter uma estrutura de carreiras, sendo apenas uma carreira dividida em 5 cargos. Além disso, não há uma política pública de prevenção a doenças mentais e psicológicas, sendo a entidade de classe quem custeia o sistema de cuidado psicológico. (leia mais abaixo)
“A ausência de uma regulamentação de carreira e de uma perspectiva de crescimento é um dos fatores que causa o adoecimento dos agentes. Outro motivo é a ausência de política pública de prevenção. Se de um lado a administração pública não regulamenta a carreira e coloca os policiais dentro de um ambiente extremamente estressante, por outro lado não dá nenhum respaldo e amparo quanto à saúde mental deles”, relata o representante da PF. (leia mais abaixo)
Por fim, o procurador da República Eduardo Benones destacou que o controle externo não atua somente na área criminal e explica a importância de olhar o adoecimento mental dos agentes. “Fala-se muito em eficiência e é necessário, mas é importante que se pense e se fale sobre a saúde mental dos policiais federais”, ressaltou. (leia mais abaixo)
“Portanto, cada um dos fatores que agrava o stress, numa profissão que é intrinsecamente estressante, deve ser identificado, debatido e, na medida do possível, solucionado. O fato é que o número de suicídios é preocupante e não vamos resolver isto ficando em silêncio. Tomaremos as medidas que estiveram ao alcance do MPF, inclusive recomendações às autoridades competentes e eventuais ações judiciais”, concluiu.