A juíza Myriam Therezinha Simen Rangel Cury declinou competência e encaminhou para o Tribunal do Juri o processo que julgará se o sargento da Marinha Aurélio Alves Bezerra cometeu homicídio doloso ao matar seu vizinho negro Durval Teófilo na porta do condomínio em que os dois moravam. O pedido foi feito pelo Ministério Público após a Justiça modificar o crime pelo qual o militar responde e definir que o caso precisa ser tratado como homicídio doloso — quando há intenção de matar. (leia mais abaixo)
Nesta quarta-feira, a viúva Luziane Teófilo irá oficiar a Marinha cobrando explicações pelo caso. Segundo a defesa da família, comandada pelo advogado Luiz Carlos de Aguiar Medeiros, até o momento não houve uma manifestação da Marinha sobre o caso. Procurada nesta terça-feira para comentar o episódio, a Marinha não respondeu os contatos feitos pela reportagem. O EXTRA também tenta contato com a defesa do militar. (leia mais abaixo)
Nesta quinta-feira a viúva também prestará um novo depoimento à Polícia Civil, que investiga o caso. (leia mais abaixo)
Família diz estar sofrendo intimidações
Dias após o assassinato de Durval Teófilo, morto por um sargento da Marinha em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, a família diz sofrer intimidações em uma tentativa de abafar o caso. O EXTRA apurou que as ameaças sofridas pela família são “veladas” e teriam partido de vizinhos e conhecidos do autor do crime. Ao menos dois comentários colocaram em dúvida a segurança da viúva e sua filha. Em um deles, foi dito para ambas terem cuidado pois agora estão sozinhas. Temendo por sua integridade, a família deixou o condomínio. (leia mais abaixo)
A viúva, Luizane Teófilo, explica que o advogado da família, que também é assistente de acusação no caso, acompanha as tentativas de intimidações. Ainda não foi feita uma queixa formal, mas as intimidações teriam como objetivo fazer que a família parasse de comentar o caso na mídia. (leia mais abaixo)
A viúva e a filha não estão morando no condomínio em que Durval foi assassinado, mas a família teme por sua segurança. (leia mais abaixo)
— Não adianta me coagir, eu não sou amiguinha da família dele nem sei quem são ou quero saber. Não estou aqui por fama ou para ganhar likes. Eu perdi meu melhor amigo — diz Luiziane. (leia mais abaixo)
A família participa, nesta segunda-feira, de uma reunião com duas Comissões da Assembleia Legislativa do Rio. Os deputados estaduais Dani Monteiro (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos, e Carlos Minc (PSB), presidente da Comissão de Combate ao Racismo, recebem os familiares e seus advogados. Os parlamentares prestam auxílio jurídico e dizem que irão cobrar um posicionamento oficial da Marinha sobre o caso: (leia mais abaixo)
— Até o momento, ninguém veio pedir perdão. O que eu mais quero é Justiça, não apenas paras os negros e por Durval, mas também pela minha filha. Todo o tempo ela pergunta se o papai vai voltar — desabafa Luizane, emocionada.
Fonte: Extra