terça-feira, 18 de dezembro de 2012 (Foto: Campos 24 Horas – arquivo e O Diário)
Manifestantes fecham a Rodovia RJ-240, que liga às obras do Porto do Açu
Uma manifestação na tarde desta terça-feira (18) fechou a Rodovia RJ-240, que liga a Rodovia BR-356 (Campos/São João da Barra – SJB) às obras do Porto do Açu, em SJB. Produtores rurais do 5º distrito de SJB fecharam a estrada na altura da localidade de Campo da Praia. O protesto é contra a desapropriação de terras e o processo de salinização da água no 5º distrito sanjoanense.
Durante o manifesto, a RJ-240 ficou interditada, impedindo que caminhões e carretas com destino às obras do Porto do Açu passassem pela rodovia. Os caminhoneiros tiveram de buscar alternativas através de estradas secundárias.
MPF instaura inquérito – No início do mês, o Ministério Público Federal (MPF) em Campos instaurou inquérito civil público para verificar eventual salinização do canal do Quitingute, em SJB. O processo de concentração progressiva de sais estaria ocorrendo por causa do aterro feito com areia retirada do mar, objetivando elevar a área para erguer o Distrito Industrial do Açu. O inquérito foi instaurado após o MPF receber uma representação que noticiava a existência de impacto de grande alcance gerado pelas obras de construção do Complexo Logístico Portuário do Açu, realizadas pelo grupo EBX, do empresário Eike Batista.
O procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, responsável pela abertura do inquérito, pediu que seja enviado um ofício ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para que o órgão encaminhe as licenças concedidas às empresas responsáveis pela obra. Além disso, o MPF pede informações das medidas tomadas ou a serem exercidas no combate ao impacto, assim como a realização de fiscalização no local, para constatar a veracidade do ocorrido.
LLX – Em nota, a “LLX esclarece que, conforme estudos e pesquisas acadêmicas já realizados, a presença de salinidade nas águas subterrâneas e superficiais do Açu decorre da própria estrutura geológica da região, formada a partir do processo histórico de avanço e recuo do mar. As Lagoas de Grussaí, de Iquipari e Salgada, bem como o Canal Quitingute, são caracterizados como de água doce à salgada.
Os estudos sobre os níveis de salinidade realizados pela LLX não são avaliados a partir de um dado pontual, e sim por meio de monitoramento periódico em mais de 40 pontos (águas subterrâneas, lagoas e canais) situados na área de influência do Complexo Industrial do Superporto do Açu. Os resultados são enviados aos órgãos ambientais competentes, na forma determinada pelo Instituto Estadual de Ambiente (INEA).
A LLX possui convênio com a FAPUR (Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica) da UFFRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) para apoio às atividades agrícolas da região do Açu, no qual é realizado o constante monitoramento das águas do Canal Quitingute e do Canal Andrezza, utilizadas para irrigação de atividades agrícolas no Açu. Os resultados demonstram que a água utilizada para irrigação nos cultivos monitorados na região desde 2007 não sofreu alterações decorrentes das obras de implantação dos empreendimentos”.