‘Não vou me calar’, diz jornalista que teve sigilo da fonte violado por Moraes

Campos 24 Horas – O jornalista maranhense Luís Pablo declarou, em 12 de agosto de 2026, que não irá interromper seu trabalho de informar a população, apesar das operações que resultaram na apreensão de seus equipamentos e na identificação de sua fonte. Ele considera essa ação uma violação do sigilo jornalístico e um risco para todos os profissionais da imprensa. A investigação começou após Pablo denunciar, em novembro de 2025, o uso indevido de um carro do Tribunal de Justiça pelo ministro do STF, Flávio Dino.

O jornalista maranhense Luís Pablo afirmou, nesta quarta-feira, 12, durante entrevista ao programa Oeste com Elas, que não pretende interromper seu trabalho diante das operações que atingiram seus equipamentos e sua fonte. “Eu não vou me calar, vou continuar no meu papel de informar a população”, declarou.

Para o jornalista, o caso pode criar um precedente para profissionais de imprensa em todo o país. Ele afirmou que a apreensão de seus equipamentos permitiu a identificação de sua fonte e classificou a medida como uma violação do sigilo jornalístico.

“O que está acontecendo comigo não é só um risco para mim”, disse. “O que está acontecendo comigo pode acontecer com qualquer pessoa.”

“Eles estão querendo me fazer de exemplo em que não se pode falar de ministro do STF”, continuou. “Estão querendo dizer que o que acontece é isso, o resultado é esse: se denunciar um ministro do STF, a pessoa vai na sua casa, pega seus equipamentos e quer saber quem está passando a informação.”

Entenda o caso – A investigação começou depois que Luís Pablo denunciou, em novembro de 2025, que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizava carro do Tribunal de Justiça do Estado para atividades de lazer. O jornalista também publicou que a família de Dino também usava o veículo.

De acordo com a Polícia Federal (PF), quem repassou essas informações para Pablo foi Raimundo Cutrim. Este ocupou a Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria de Assuntos Legislativos do Maranhão. Ele usou sua posição para acessar sistemas de acesso restrito e ver informações e imagens dos veículos.

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O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a busca e apreensão tanto na casa de Cutrim, nesta terça-feira, 11. A polícia, porém, só chegou até o nome da fonte depois de apreender, em março de 2026, dois celulares, um notebook e um pendrive do jornalista.

Em entrevista ao Oeste com Elas, Pablo esclareceu que, desde março, jamais foi procurado por nenhuma instituição para prestar depoimento sobre as denúncias que fez. Pelo contrário, tentaram atribuir ao jornalista um crime. “No meu caso, o único crime que está acontecendo é esse de quebrar o sigilo da fonte”, disse Pablo.

Fonte: Revista Oeste