Aos 77 anos, o taxista Elifas Levi Rodrigues decidiu realizar um sonho antigo: cursar psicologia para compreender melhor a depressão da mulher, que enfrenta a doença há mais de 20 anos. Neste domingo, 9, ele dá mais um passo rumo a esse objetivo ao prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), acompanhado da neta Laura Rodrigues Oliveira, de 17 anos.
“Eu e ela temos uma pequena diferença, são só 60 anos que nos separam”, brincou, durante entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.
Natural de Lages (SC), Rodrigues concluiu apenas o ginásio antes de ingressar em um curso técnico de mecânica industrial. Casado há 55 anos com Talma, precisou abrir mão dos estudos para trabalhar e sustentar a família.
Ele foi aprovado em um concurso da Petrobras, em Curitiba, e se aposentou aos 46 anos. Dois dias depois, já estava de volta às ruas, desta vez como taxista — profissão que exerce há três décadas.
Mais de 17 mil pessoas acima dos 60 anos se inscreveram no Enem – Em 2023, decidiu retomar os estudos em uma turma da EJA (Educação de Jovens e Adultos) e concluiu o ensino médio em um ano e meio. Homenageado como aluno destaque, hoje divide o tempo entre o trabalho e os estudos com a neta. “Ela me ajuda com redação e atualidades, e eu dou uma força em matemática e física”, conta.
Rodrigues quer usar a nota do Enem para cursar psicologia à noite. “Não dá pra parar de trabalhar, mas quero entender a doença da minha mulher pra poder ajudá-la”, afirma.
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, cerca de 17 mil pessoas com mais de 60 anos estão inscritas no Enem deste ano — apenas 0,3% do total. “Queria que mais gente voltasse a estudar, jovem ou velho. A gente sempre consegue aprender”, diz o taxista.
Fonte: Revista Oeste