Rio investiga dois casos por suspeita de intoxicação por metanol

Dois pacientes com suspeita de intoxicação por metanol seguem monitorados pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). A pasta foi notificada para acompanhar uma mulher em Niterói, na Região Metropolitana, e um homem em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos. Ambos apresentam quadro de saúde estável.

Os dois casos foram notificados nos últimos dias. A SES-RJ “aguarda o resultado da análise laboratorial para confirmação ou descarte”, informou em nota na tarde desta segunda-feira. Enquanto isso, o governador Cláudio Castro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pedem maior rigor nas fiscalizações, como tem ocorrido em bares, restaurantes e ambulantes.

Também em nota, através da Prefeitura de São Pedro da Aldeia, a de Secretaria Municipal de Saúde informou que a suspeita do paciente foi registrada na última sexta-feira (2) no Pronto-Socorro Municipal. Segundo o comunicado, o homem, de 37 anos, residente em outro município e está em São Pedro da Aldeia a trabalho. Ele “procurou atendimento por meios próprios apresentando dor abdominal e desorientação após relatar ingestão de bebida alcoólica em menos de 12 horas”.

A pasta destaca que “os sintomas iniciais são semelhantes tanto à intoxicação por álcool comum quanto por metanol, motivo pelo qual foi adotado o protocolo previsto para esse tipo de suspeita”. O homem “apresentou melhora significativa, estando, atualmente, lúcido e orientado”.

No caso de Niterói, segundo a prefeitura, a mulher relatou que ingeriu bebida alcoólica na Lapa, no Centro do Rio. Na capital, ao menos 13 rumores de contaminações foram investigadas, mas descartadas. A paciente não está internada no momento e apresenta bom estado geral. A SMS acompanha o caso e aguarda o resultado do exame, destca a pasta. A secretaria ressalta que as unidades de saúde do município “estão em alerta para os sintomas da intoxicação por metanol e segue as orientações do Ministério da Saúde para as condutas a serem adotadas nos casos suspeitos ou confirmados”.

O secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, orienta as medidas apra quem apresentar sintomas de intoxicação, em casos suspeitos.

— As recomendações para quem tem sintomas de intoxicação por metanol é procurar uma unidade de saúde o quanto antes, que vai fazer exames laboratoriais e verificar o quadro. A unidade faz a notificação à Secretaria e a Vigilância Sanitária pode ir até o local da possível infecção para averiguar se o produto está sendo vendido — explicou Soranz.

Os sintomas da intoxicação podem aparecer entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão, e incluem dor de cabeça intensa, náusea, tontura, visão turva e dificuldade para respirar. Em caso de suspeita, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde, sem tentar se automedicar.

A SES-RJ também orienta que a população evite o consumo de bebidas alcoólicas de procedência duvidosa, especialmente as que são vendidas de forma irregular ou com preços muito abaixo do mercado.

O metanol é uma substância química usada principalmente na indústria, presente em solventes e combustíveis, e altamente tóxica quando ingerida. No organismo, é transformada pelo fígado em compostos que podem causar danos graves ao sistema nervoso, afetando a medula, o cérebro e o nervo óptico, o que pode levar à cegueira, coma e até à morte. Também há risco de insuficiência pulmonar e renal.

Força-tarefa para acompanhar cenário – O governador Cláudio Castro falou nesta segunda-feira, durante coletiva, sobre a preocupação do governo do Rio com bebidas adulteradas com metanol, que já provocaram mortes e intoxicações em outros estados. No Rio, ainda não há registros de casos, mas as autoridades estão em alerta.

— Desde o dia que isso explodiu estamos realizando diversas fiscalizações e diligências. Mais uma vez, tem a questão das fronteiras, assim como acontece com arma, droga e produtos contrabandeados. Temos muita dificuldade quando essas bebidas entram pelas estradas — explicou o governador.

Castro afirmou que foi criada uma força-tarefa, que contou inclusive com a participação das estradas federais, e reforçou que o governo espera não ter problemas judiciais para poder atuar de forma plena.

— É uma situação grave. O governo está dando toda atenção, sobretudo com a Secretaria de Polícia Civil, que já tem inquérito aberto sobre isso, mas também na ponta com a Secretaria de Defesa do Consumidor. Lembrando que somos o único estado ou o primeiro com a criação de uma Secretaria de Defesa do Consumidor exatamente para situações como essa. Ela, junto com o Procon, está nas ruas desde o dia que aconteceu, para que possamos garantir que no Rio de Janeiro estamos combatendo isso — disse.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) emitiu uma recomendação conjunta destinada às entidades que representam os setores de turismo e lazer da capital fluminense, em que pede a adoção de medidas rigorosas de controle e rastreabilidade na venda de bebidas alcoólicas.

Isto para prevenir fraudes, adulterações e falsificações. Entre as ações indicadas às entidades estão a de comunicar e orientar os associados sobre a necessidade de implementar práticas de gestão de risco e compliance na comercialização de bebidas.

Fonte: Extra