Morte de Letycia completa 2 anos: a dor da mãe e o julgamento dos acusados

Postado por Fabiano Venancio – A noite daquela quinta-feira, dia 02 de março de 2023,  vai marcar para sempre na vida da dona de casa Cíntia Pessanha Peixoto Fonseca, que viu sua filha, a engenheira Letycia Peixoto Fonseca, 31 anos, ser assassinada (Aqui) com cinco tiros, quando dois indivíduos que estavam numa moto se aproximaram de seu carro, em frente à sua casa, no Parque Aurora, em Campos, e fizeram os disparos. Letycia estava grávida de oito meses de Hugo, cujo pai era o professor de química do Instituto Federal Fluminense (IFF), Diogo Viola de Nadai, a época com 37 anos,  que era seu companheiro. Passados poucos mais de dois anos do crime bárbaro, a mãe, que chegou a correr em desespero atrás de um dos criminosos e levou um tiro na perna, falou ao Campos 24 Horas sobre suas lembranças e dor que sente até hoje de perder Letycia. “É uma dor que me persegue todos os dias, desde quando vou dormir e ao acordar e nas horas que se seguem”. Os advogados do caso, Rafael Crespo e Márcio Marques, também falaram ao Campos 24 Horas a respeito do julgamento dos três acusados de serem executores e intermediário, que está marcado para o dia 21 de maio próximo, e outros dados do processo. Já o julgamento de Diogo, acusado de mandante, ainda não foi marcado por conta de um recurso.

A dor pela perda brutal da filha lhe marca como uma perene cicatriz exposta no coração materno. Assim, só lhe resta lutar por Justiça. “É muito doloroso. Uma crueldade muito grande o que fizeram com ela. É uma dor que me persegue todos os dias, desde quando vou dormir e ao acordar e nas horas que se seguem. É assim todos os dias. Sei que não vou ter minha filha e nem meu neto que poderia ser a alegria da casa, então o que me resta é lutar por justiça com as forças que ainda me restam”, disse Cíntia.

Cintia afirma ter convicções de que o mandante do crime é o professor Diogo Viola de Nadai, que  conheceu Letycia quando ela ainda era estudante de engenharia no IFF.

“Minha filha não tinha inimigos. Não havia razão alguma pra ela ser assassinada daquela forma. Ele (Diogo) sempre foi uma pessoa muito educada com a gente, fazíamos comemorações juntos aqui em casa. Passou inclusive o Natal aqui para dois meses depois minha filha ser morta daquele jeito”.

Cintia admite que, a partir do dia do crime, passou a notar um comportamento estranho em Diogo. Segundo a mãe da vítima, o professor dormia enquanto toda família estava envolvida com o crime

 “Na sexta-feira, um dia após o crime, enquanto a família estava na rua agilizando documentações, todos acordados e revoltados, ele ficou lá em casa dormindo, mostrando total indiferença. Havia outras conexões, outras conjunções que me levam acreditar”.

Além de Diogo, estão presos outros acusados pelo crime, Gabriel Machado Leite, que intermediou o contato com Dayson dos Santos Nascimento e Fabiano Conceição Silva, os executores.

JULGAMENTO – O julgamento de Diogo ainda não tem data porque entrou com recurso, e seu processo foi desmembrado para a quinta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O advogado Rafael Crespo, que atua na defesa de Diogo, afirma que as investigações carecem de provas para incriminar seu cliente. 

“Não se pode sair em busca de um culpado sem que haja provas materiais do que ele está sendo acusado. O Gabriel fala que conversou, que telefonou pra ele e se encontraram, mas não há perícia nos áudios das ligações que comprovem. É inadmissível que uma pessoa seja levada a julgamento com base em falácias acusatórias”, afirmou Rafael.

Os demais acusados, além de Diogo, são Gabriel Machado Leite, apontado como o contratante dos executores de Letycia, e Fabiano Conceição Silva, Dayson dos Santos Nascimento,  suspeitos da execução. Os três vão à júri popular no dia 21 de maio.

ADVOGADO DA FAMÍLIA – Já Márcio Marques, advogado da família de Letycia, informou que caso ainda está na fase de recursos e disse também que pleiteia em sua petição “uma punição rigorosa para os acusados, pois se trata de um crime que chocou a todos por sua crueldade e covardia”.

De acordo com as investigações, o professor Diogo, que também é comerciante, mantinha duas uniões estáveis sem que uma companheira soubesse da outra. Para a Polícia, a gravidez de oito meses de Letycia era um momento crucial. (VÍDEO ABAIXO: RELEMBRE A ENTREVISTA DA MÃE DE LETYCIA POUCOS DIAS APÓS O CRIME)