Orçamento das famílias campistas também é afetado pela alta no preço da comida

Postado por Fabiano Venancio – Os preços dos alimentos têm assustado os campistas. Depois do café, os ovos de galinha passaram a figurar como vilão da inflação de alimentos. A alimentação no domicílio subiu 8,2% nos últimos 12 meses e, além disso, tivemos os combustíveis subindo bastante. Com isso, o peso dos gastos com alimentação no orçamento das famílias aumentou de forma significativa, fazendo com que qualquer alta no preço seja percebida de forma bem mais intensa,  sobretudo os mais pobres. Representantes de entidades do comércio e da indústria de Campos, como Associação Comercial e Sindivarejo e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, foram ouvidos pelo Campos 24 Horas sobre a situação da inflação dos alimentos.  

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic) e do Sindicato do Comércio Varejista de Campos (Sindivarejo), Mauricio Cabral, considera que a alta desses produtos do setor alimentício tem forçado a boa parte da população substituir alguns destes itens ou mesmo cortando do cardápio.

“Esse movimento afeta também o varejo que precisa se ajustar em suas estratégias para manter as vendas”, frisou Cabral, que ainda explica que, para não perder clientes, o setor de alimentos tem buscado se adaptar investindo em promoções e descontos para atrair os consumidores para compensar a baixa nas vendas”.

FALHA DO GOVERNO LULA, APONTA ECONOMISTA – O economista Ranulfo Vidigal, diretor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, atribui a alta dos alimentos à falta de uma política de abastecimento do governo federal. “Há alguns anos que no Brasil não há uma política de estoques reguladores que é um mecanismo de capital importância para enfrentar situações como essa”, avalia.

Outro fator apontado por Ranulfo é a concentração de esforços da agricultura brasileira na exportação. “O Brasil tem uma vocação para exportação de alimentos, abrindo mão do mercado interno. O governo deveria definir limites para exportação que somente deveria ir lá pra fora depois de abastecimento do mercado interno, sobretudo em produtos de primeira necessidade. Isso deveria ser feito mediante uma política de compensações para quem prioriza o mercado interno”.

O preço do café mais que dobrou nos últimos meses, passando de R$ 32,00 para mais de R$ 70,00 o quilo.

Já o ovo acumula alta de 16,4% somente neste ano. Nos 12 meses do ano passado foi 10,4%.
A alta dos preços se deveu à gripe aviária nos EUA que fez despencar a produção local e gerou aumento no volume de importações naquele país.

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL  – Já o vice-presidente da Acic, Fernando Loureiro, saúda a isenção de tributos de gêneros de primeira necessidade, medida anunciada pelo governo federal, mas com ressalvas. “Toda isenção ou redução de tributos deve ser bem recebida, mas há os tributos estaduais, como o ICMS. Os governadores vão abrir mão de receita?”, indaga.

Loureiro também questiona a medida do governo em importar gêneros de primeira necessidade. 
“Somos exportadores de alimentos. O governo vai ter custo de logística, de transporte e ainda arcar com os custos cambiais desses produtos que são comodities com cotação em dólares nas bolsas do mundo afora. Não ficaria bem mais em conta investir na produção ou na aquisição dos produtos aqui mesmo?”, questiona.

SEM DINHEIRO – O ex-presidente do Sindivarejo, Roberto Viana, que comercializa gêneros alimentícios no atacado e no varejo, avalia que o principal problema está na forma como governo vem administrando a economia brasileira.

“O problema é que o povo está sem dinheiro. O governo precisa incentivar a industria ao invés de ficar dando esmola ao povo”, comentou.

Viana considera que a inflação sempre irá existir em maiores ou menores índices. “Todos os anos temos quebra de safra, problema de seca ou enchente. Os preços flutuam, é algo sazonal, sobe e daqui a pouco baixa. Mas me parece que não é o caso do café, que vai demorar em estabilizar seu preço”.

Roberto Viana também mencionou o aumento dos preços do chocolate com previsão de 50% devido a alta nos preços do cacau em 80%.