Caso Marielle: veja o que disseram ao STF os réus presos

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a ouvir, nessa semana, cinco presos por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco. No atentado, em março de 2018, o motorista Anderson Gomes também foi morto.(leia mais abaixo)

Os cinco réus no processo no Supremo são: os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes do crime; o delegado Rivaldo Barbosa, que seria o mentor do assassinato; o ex-policial militar Robson Calixto, conhecido como Peixe, ex-assessor de Domingos Brazão e que, de acordo com as investigações teria ajudado a dar sumiço na arma do crime; e o Major Ronald Paulo Alves Pereira encarregado de monitorar a rotina da parlamentar, segundo a delação de Ronnie Lessa.(leia mais abaixo)

O depoimento do Major Ronald está agendado para a próxima terça-feira (29).(leia mais abaixo)

Confira abaixo um resumo do que foi dito até agora.(leia mais abaixo)

Chiquinho Brazão – Primeiro a ser ouvido, o deputado federal Chiquinho Brazão chorou algumas vezes durante a audiência, conduzida pelo desembargador Airton Vieira.(leia mais abaixo)

Falou que Marielle era uma pessoa muito amável e que tinha uma boa relação com ela.(leia mais abaixo)

“Fizeram uma maldade muito grande com ela. Marielle sempre foi minha amiga. Era uma vereadora muito amável e com quem a gente tinha uma boa relação. Ela (Marielle) sempre foi muito respeitosa e carinhosa”.(leia mais abaixo)

O deputado garantiu que não conhecia Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle, e que se encontrou apenas quatro vezes com Edmilson Oliveira da Silva, o Macalé — responsável por levar a “encomenda” pelo assassinato de Marielle a Lessa. Macalé foi assassinado em novembro de 2021, em Bangu.(leia mais abaixo)

Questionado pelo promotor Olavo Pezzotti, auxiliar da Procuradoria Geral da República, Chiquinho respondeu sobre grilagem e projetos na Câmara dos Vereadores sobre regularização de terrenos. Ele não foi questionado pelo promotor sobre o planejamento da morte de Marielle.(leia mais abaixo)

Chiquinho contou que mesmo participando de comissões na Câmara de Vereadores nunca se interessou em receber denúncias contra facções criminosas.(leia mais abaixo)

“Caso de polícia eu nunca tratei. Eu nunca me interessei. A Marielle também corria desses assuntos. Tenho família que frequenta Jacarepaguá. Não quero saber o que é milícia ou o que é tráfico”, disse.(leia mais abaixo)

Domingos Brazão – O conselheiro do Tribunal de Contas do Estadio (TCE) disse ao STF que não conhecia pessoalmente Ronnie Lessa — o assassino confesso da vereadora — e que só o viu pela televisão.(leia mais abaixo)

“Nunca vi esse senhor. A primeira vez que vi a imagem do Ronnie Lessa, me parece que foi no IML, no dia que ele foi preso”.(leia mais abaixo)

Falou que Lessa se sentiu “encurralado” após a delação do ex-PM Élcio de Queiroz.(leia mais abaixo)

“Ele (Ronnie Lessa) só decide falar após a delação de Élcio de Queiroz. Ele se sentiu acuado, encurralado. E decidiu falar. Foi a oportunidade que o Lessa teve de defender, proteger o seu comparsa, Cristiano Girão (ex-vereador). É a única explicação que vejo. Já perdi noites acordado sem entender o que acontece”.(leia mais abaixo)

Durante o depoimento, Brazão se emocionou e desabafou sobre as acusações da Procuradoria Geral da República:

“Eu preferia ter morrido no lugar da Marielle. Ele [Ronnie Lessa] tá destruindo a minha família. Que tipo de gente faz isso? O senhor acha que ia ter coragem de levar e envolver meu irmão nisso? É claro que a família da Marielle sofre, mas ele poderia ter me matado. Eu não sei como ele (Ronnie Lessa) dorme”.(leia mais abaixo)

Domingos Brazão contou que perdeu 26 quilos desde que foi preso, há 7 meses, e disse não acreditar no que está acontecendo.(leia mais abaixo)

“A gente duvida até de Deus. Não entendo por que estou preso por envolvimento com pessoas que não conheço. Estou perdendo a minha vida aqui sem ter a oportunidade de me defender. Uma vírgula muda uma sentença. O maior alvo da CPI das Milícias (em 2008) foi o Cristiano Girão. Aí em 2010, 2011, o pessoal começa a ser preso, denunciado. Período em que começa um certo encolhimento da milícia”, afirmou o conselheiro do TCE.(leia mais abaixo)

Ele admitiu que conhecia Marcus Vinícius Reis dos Santos, o Fininho, da milícia de Rio das Pedras, que foi preso em uma operação do Ministério Público do Rio (MPRJ), mas negou qualquer envolvimento com o grupo paramilitar.(leia mais abaixo)

“Eu não dava essa confiança (a milicianos). Entrava na comunidade e ia aonde tinha que ir, sem olhar para o lado. Seria muita cara de pau alguém me afrontar ali. Eles não querem problema. Eu não ia bater boca com eles (os milicianos). Mas se tivesse acontecido alguma coisa dessas eu iria representar às autoridades sobre esses problemas”.(leia mais abaixo)

Rivaldo Barbosa – O delegado Rivaldo Barbosa começou seu relato dizendo que a sua prisão em março de 2024 significou a sua morte.(leia mais abaixo)

“Eu fui assassinado. Me prenderam, me botaram numa viatura e me trouxeram para cá. Me enterraram e vou tentar ressuscitar. Eu acredito na Justiça. A minha liberdade tem que vir em razão da verdade e ela já brotou”.(leia mais abaixo)

Rivaldo respondeu a perguntas do desembargador Airton, do promotor Olavo Pezzotti, das assistentes de acusação que representam as famílias de Marielle Franco e de Anderson Gomes, além dos advogados dos outros 4 réus.(leia mais abaixo)

“Sou uma vítima das mentiras do Ronnie Lessa. Aliás, hoje eu vejo que todos nós somos: eu, Chiquinho (deputado federal) e o Domingos (Brazão)”, disse.(leia mais abaixo)

O delegado também apontou Cristiano Girão como o possível mandante do crime, e não os irmãos Brazão. Girão foi investigado por chefiar uma milícia na Gardênia Azul e seria comparsa de Lessa, de acordo com o delegado da Polícia Civil do RJ.(leia mais abaixo)

Robson Calixto, o Peixe – Assessor de Domingos Brazão no TCE, o ex-PM Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, iniciou seu depoimento já na noite de sexta-feira (25).(leia mais abaixo)

Robson não foi diretamente ligado aos homicídios de Marielle e Anderson, mas, segundo as investigações da Polícia Federal, faz parte do grupo dos irmãos Brazão, apontados como mandantes do crime.(leia mais abaixo)

De acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), Peixe tinha a função de gerir as atividades de grilagem do grupo.(leia mais abaixo)

Na denúncia, ele é apontado como responsável por determinar pagamentos a diversos construtores e loteadores, utilizando-se de terceiros “como intermediários – com o fim de ocultar a origem dos recursos – e transferindo valores a “laranjas” que são ligados aos reais destinatários do dinheiro”.(leia mais abaixo)

Para a PGR, essas nomeações tinham como objetivo criar redutos eleitorais nas áreas por eles controladas, explorar atividades imobiliárias ilegais por meio da grilagem e com o poder armado das milícias. Essa prática teria garantido o ganho patrimonial dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão.(leia mais abaixo)

Robson Calixto negou as acusações.(leia mais abaixo)

“Eu sou motorista do Domingos Brazão. Estou sempre com ele. E eu atribuo (o Ronnie Lessa ter apontado o seu nome no caso) à citação do meu nome porque eu andava com o Brazão. Eu não faço ideia como o Lessa ouviu falar de mim. Graças a Deus nunca encontrei com ele (Ronnie Lessa)”, disse Robson Calixto.(leia mais abaixo

Robson Calixto ainda complementou:
“Ninguém nunca vai falar que sou miliciano. Eu sou trabalhador. Eu ganho meu dinheiro suado. Nunca me envolvi com milícia”.(leia mais abaixo)

Major Ronald será ouvido na terça – Assim que Peixe concluir o seu depoimento na terça-feira (29), Major Ronald começará a falar, seguindo a estrutura dos depoimentos anteriores: perguntas do desembargador Airton Vieira, do representante da PGR, o promotor Olavo Pezzotti, das assistentes da acusação e dos advogados dos outros réus.(leia mais abaixo)

Ele pretende esclarecer as acusações de que ajudou a definir data e local do atentado contra Marielle.(leia mais abaixo)

Ronald, diz a PGR, era encarregado de obter informações sobre a rotina da parlamentar e monitorou as redes sociais dela. Ele soube que ela participaria de um evento na Casa das Pretas, na Rua dos Inválidos, e “encontrou a oportunidade para a execução do homicídio”.(leia mais abaixo)

Com a informação, de acordo com a procuradoria, Major Ronald telefonou para Edmilson “Macalé” – intermediário entre a “missão” da execução de Marielle e Ronnie Lessa – na manhã do dia do atentado. Segundo a PGR, em seguida, Macalé telefonou para Lessa para repassar a informação recebida.(leia mais abaixo)

Com o encerramento dos depoimentos, terá começa o prazo para manifestações da PGR, depois das assistentes de acusação e finaliza com as defesas dos réus. Depois, o processo segue para decisão do STF.

Fonte: G1