Se por um lado a tecnologia avança em medidas de segurança do governo, por outro também é aproveitada pelos grupos criminosos. Muitos têm usado drones para monitorar a ação de policiais e antecipar operações. O alerta foi dado pelo ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e roteirista de “Tropa de elite”, Rodrigo Pimentel, durante evento promovido pelo EXTRA nesta segunda-feira. Um caso que ilustra este risco aconteceu no fim de junho deste ano, quando traficantes usaram drones para monitorar os carros da Polícia Civil e os policiais para fazerem disparos contra as equipes que participavam de uma operação no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. (Leia mais abaixo)
Pimentel lembrou o uso de drones também em confrontos entre facções rivais em outras comunidades da Zona Norte. Em 2017, o crime organizado usou 12 equipamentos com câmeras acopladas para buscar não só informações da polícia, mas de grupos inimigos. (Leia mais abaixo)
— A gente percebe que tráfico e milícia estão avançando na produção e controle de imagens nos seus próprios “bunkers”. Existem hoje em favelas do Rio centros de comando e controle que recebem centenas de imagens, o que torna quase impossível uma operação policial surpreender os bandidos — avalia Pimentel, que destacou a capacidade da polícia de fazer frente ao cenário: — A médio prazo, eu acho que será ainda mais difícil uma operação acontecer sem que os traficantes saibam com 15 ou 20 minutos de antecedência. Mas, se o tráfico consegue coordenar essas imagens, a polícia consegue também. (Leia mais abaixo)
No fim de junho, a Polícia Civil informou que bandidos usaram drones para monitorar os carros da corporação e os policiais para fazerem disparos contra as equipes que participavam de uma operação no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Os agentes tentaram cumprir mandados de prisão contra chefes de facções criminosas de outros estados que estavam no conjunto de favelas e ainda no Complexo da Penha. O bando ateou fogo em barricadas. Dois moradores ficaram feridos por balas perdidas. (Leia mais abaixo)
Sensação de insegurança
Em 2023, o número de mortes violentas no Estado do Rio chegou ao menor patamar desde 1991, quando a série histórica começou a ser feita pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). A letalidade violenta teve queda de 5% em relação ao ano anterior, e roubos de rua também diminuíram. Mas os índices não alteraram a sensação de insegurança na população. Para Rodrigo Pimentel, a circulação massiva de informação influencia a percepção da população: (Leia mais abaixo)
— Ao mesmo tempo em que essas imagens nos trazem elucidações de crimes, elas nos trazem pânico. Apesar dos números em queda, as pessoas não acreditam nos dados, há sensação de medo. (Leia mais abaixo)
O comércio é um setor que também sente os efeitos dessa percepção, segundo aponta Júlio Ezagui, vice-presidente de Relações Institucionais do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio (SindilojasRio): (Leia mais abaixo)
— A informação está muito rápida. Antes a gente sabia de uma ocorrência pelos meios de comunicação e pela mídia tradicional, hoje a gente tem inúmeras plataformas distribuindo mídias. O tempo todo a gente é bombardeado com vídeos de assaltos, furtos, violência sexual. Isso contribuiu para o aumento da percepção de insegurança. No comércio, isso se reflete. Há cada vez menos lojistas na cidade porque eles têm medo da violência urbana.