Postado por Fabiano Venancio – Amigos, admiradores, ex-alunos e personalidades da vida de Campos lamentaram a morte do professor, historiador e ex-vereador Hélio de Freitas Coelho, que também presidiu a Academia Campista de Letras (ACL). A paixão pelo magistério, a grande figura humana e o humanista que fez da vida uma profissão de fé; o poeta e seu jeito simples de viver; o boêmio com alma de artista e seu violão debaixo do braço pronto a solar em qualquer botequim regado a uma cerveja gelada e a prosa com os amigos, foram lembrados em postagens nas redes sociais como traços expressivos do perfil de Hélio Coelho. (Leia mais abaixo)
O prefeito Wladimir Garotinho (PP) lembrou do último abraço que recebeu de Helinho, nas comemorações dos 25 anos do Teatro Trianon e dos elogios recebidos do professor. “Ficou ao menos a gratidão pelo último abraço fraterno em evento fraterno no Teatro Trianon, onde me disse estar feliz e contente pela minha atuação como jovem e promissor político. O professor Hélio Coelho será sempre lembrado, certamente um homem de história imortal e de uma carreira invejável”. (Leia mais abaixo)
O jornalista, radialista e poeta Fernando Leite Fernandes falou da morte de Helinho como “uma surpresa agressiva, um soco no estômago” e lembrou da “história portentosa e soberana de Campos que sempre foi objeto de cuidados de Hélio como historiador e ativista político. (Leia mais abaixo)
“Ao ver, ao nosso lado, alguém de nossa estima pessoal tombar, a primeira reação é de incredulidade, depois de impotência e, por fim, a inevitável resignação. Uma morte estúpida, aos 75 anos, na plenitude de sua produção intelectual. O dia ganha contornos de surpresa agressiva, um soco no estomago, um absurdo perdê-lo agora. A história portentosa de nossa vila formosa sempre foi objeto de cuidados do ativista político, pesquisador cultural e defensor da identidade da planície. A despeito de nosso afeto ferido, Hélio Coelho deixa um espaço inocupável, o dos homens imprescindíveis”. (Leia mais abaixo)
O professor, escritor e jornalista Avelino Ferreira, autor do livro “Câmara de Campos – 360 anos”, lembrou que Helinho enfrentou tempos difíceis na presidência da Câmara, em 1972, e destacou a opção de Helinho por uma vida simples e despojada. (Leia mais abaixo)
“A Câmara era ali onde hoje fica o Museu de Campos, nos anos do regime militar. Helinho chegava e saía sempre com sua bicicleta, só resolveu comprar carro muito tempo depois. Em plena ditadura, convidou Adão Pereira Nunes e Antônio Carlos Pereira Pinto, cassados pelo regime, para proferir palestras na Câmara. Depois, trouxe ninguém menos que Luiz Carlos Prestes. Foi o bastante para a imprensa e grande parte da sociedade atacá-lo com uma carga violenta de críticas. Perdi um amigo, Helinho era um grande sujeito. E Campos perde uma grande figura”. (Leia mais abaixo)
Para Avelino Ferreira, como presidente da Câmara, Helinho era diferenciado. “Mesmo levado para um partido conservador como a Arena, por seu pai, Edgard Coelho dos Santos, também ex-vereador, ele divergia de seus correligionários porque abriu as portas da Câmara para sindicados, associações e outras entidades da sociedade civil. Era um grande defensor da democracia. Quando Leonel Brizola voltou do exílio fomos eu e ele receber o ex-governador no aeroporto”, lembrou. (Leia mais abaixo)
Avelino lembra que Helinho revelava que tinha alguns sonhos que não conseguiu realizar. “Ele queria publicar um livro com seus poemas, além de um outro livro contando a história de seu avô, natural do Espirito Santo, que era negro, ex-escravo e que se tornou farmacêutico. Uma história muito bonita. Helinho não tinha tempo, até se aposentar há pouco tempo, trabalhava muito. Mas um outro sonho, o de fazer o seu mestrado, ele conseguiu realizar, inclusive com uma tese que contou com um trabalho muito importante sobre a luta contra a ditadura militar em Campos”, observou. (Leia mais abaixo)
A presidente do diretório municipal do PT, professora Odisseia Pinto de Carvalho, lembra dos ensinamentos como ex-aluna do professor Hélio Coelho na Faculdade de Filosofia de Campos. (Leia mais abaixo)
“Com sua simplicidade, levava para suas aulas cantorias de violão e leituras dos livros de Osório Peixoto, principalmente O Mangue, onde tivemos a oportunidade de formarmos nosso pensamento crítico sobre os problemas sociais e o sistema capitalista perverso que vivemos. Uma perda lastimável para a sociedade campista”. (Leia mais abaixo)
O presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Campos, João Pimentel, postou que Campos perdeu um dos cidadãos mais relevantes de sua história e lembrou sua faceta de músico. (Leia mais abaixo)
“Sem dúvida, ele escreveu um capítulo no histórico de Campos. Uma perda gigantesca para nossa cidade. Foi nos anos 60 que conheci Helinho e costuramos uma forte amizade. Foi na antiga sede do Automóvel Clube Fluminense, quando fazia parte da banda Os Venenosos nos trepidantes convívios do clube. Helinho era o Keith Richards campista. (Leia mais abaixo)
O jornalista e professor Vitor Menezes ressaltou que Helinho Coelho foi um dos articuladores da realização do Festival Doces Palavras (FDP). “Ah, Helinho, como pode nos deixar assim, às vésperas de um novo FDP!, festival que você embalou no berço, quando presidia a ACL, e pelo qual tinha tanto carinho. Seu entusiasmo nos fará uma falta enorme. Você é raro, grandioso, um conterrâneo eterno que nos orgulha”. (Leia mais abaixo)
O cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), George Coutinho, rememora que, quando aluno de Hélio Coelho, sustentava uma divergência filosófica com o mestre. “Conheci Helinho quando eu tinha 19 anos. Ele tentou me convencer das virtudes de Gramsci na época. Não curti. Achei Gramsci moderado demais e estava mais sintonizado com a nitroglicerina de gente como Bakunin. Muitos anos se passaram e Gramsci estava lá muito presente em minha tese. Helinho venceu”. (Leia mais abaixo)
George lembra também da bravura de Hélio Coelho no enfrentamento ao arbítrio quando tentaram invadir o prédio da Universidade Federal Fluminense (UFF). “Helinho foi macho pra c. Quando a UFF foi violada por um por um juiz eleitoral e seus brutamontes, ocasião em que a porta do diretório acadêmico foi arrombada para apreenderem um punhado de panfletos no fundo de um armário trancado dos estudantes, Helinho peitou defendendo a instituição. Foi ameaçado de prisão. Não foi a primeira vez e pode nem ter sido a última”. (Leia mais abaixo)
O radialista Rui Ulhman admitiu também já sentir saudades do amigo em seus lugares preferidos como uma das margens do Rio Paraíba. “Nosso amigo Helinho já nos faz sentir saudades. Me lembro de suas idas ao Sitio Beira Rio, às margens do Rio Paraíba, em Barcelos. Ele adorava aquela vista do eio que lhe deu inspiração para um de seus muitos poemas”. (Leia mais abaixo)
Hélio Coelho era natural da Baixada Campista. “Nasci em Mussurepe, depois fomos para São Martinho, lembro com carinho de tudo. Das minhas primeiras professoras e amigos de infância que até hoje preservo no coração e na amizade”. (Leia mais abaixo)
Professor de História aposentado da UFF, Hélio Coelho era também formado em Ciências Sociais e Direito e dava cursos de oratória para seus alunos da Faculdade de Direito de Campos. Ele foi sepultado nesta sexta-feira (30), no Cemitério do Caju. Na quinta-feira, Helinho sofreu um infarto pela manhã em sua residência.