Nildo: audiência para tentar salvar Ao Livro Verde

Postado por Fabiano Venancio – A Câmara Municipal de Campos deve abraçar um movimento denominado SOS Ao Livro Verde para evitar o fechamento da livraria mais antiga do Brasil, ameaçada de encerrar suas atividades devido às dificuldades financeiras. O vereador Nildo Cardoso (União Brasil) usou da tribuna na sessão desta terça-feira (27) para tratar do assunto e propor uma audiência pública a fim de buscar uma solução. A proposta foi aprovada, por unanimidade, pelo plenário do Legislativo. O Legislativo também aprovou a proposta de encaminhamento ao Coppam o pedido de tombamento do estabelecimento como patrimônio histórico. (Leia mais abaixo)

A livraria, que completa 180 anos em 2024, enfrenta uma dívida de pouco mais R$ 1,9 milhão, a maior parte com dívidas bancárias, e já entrou na Justiça da Comarca de Campos com um pedido de autofalência. (Leia mais abaixo)

— Fui hoje lá conversar com o proprietário Ronaldo Sobral e pedi autorização para que pudesse ocupar a tribuna a falar sobre a situação do Livro Verde. Nós, campistas, não podemos ficar de braços cruzados. Já perdemos o Monitor Campista, outro patrimônio nosso. Cabe a nós como representantes do povo buscarmos uma saída porque será uma vergonha se perdermos também Ao Livro Verde, que é uma referência não apenas para Campos, mas para o Brasil — disse o vereador. (Leia mais abaixo) 

O legislador, que já foi funcionário da livraria, na década de 1970, também buscou solução junto à Procuradoria Geral do Município, Roberto Landes, e ainda encaminhou oficio à presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural (Coppam), Auxiliadora Freitas, para que a livraria, assim como o prédio, seja tombada como patrimônio histórico do município.     

— Vamos trazer para esta audiência todas as instituições de cultura, as universidades, os professores e estudantes em geral, para fazermos um SOS Ao Livro Verde a fim de tentar salvar esse patrimônio que é nosso não podemos perder — acrescentou Nildo. (Leia mais abaixo)

As dívidas acumuladas pelo histórico estabelecimento estão assim distribuídas: Banco do Brasil, R$ 706 mil; Caixa Econômica Federal, R$ 150 mil; Bradesco, R$ 22 mil; Itaú, R$ 423 mil, num total de cera de R$ 1.490.000,00. As outras dívidas, em torno de R$ 400 mil, foram contraídas com fornecedores.   (Leia mais abaixo)

Nildo Cardoso também propôs que seja buscada uma saída juntos aos bancos credores, através de suas fundações, como retribuição à cidade. (Leia mais abaixo)

— Grande parte das dívidas são de juros e correções, que dão origem a esses lucros abusivos que eles têm e poderiam abrir mão. Todos os bancos tem sua fundação cultural. Por que o Banco do Brasil não utiliza sua? Por que a Fundação Bradesco não pode fazer o mesmo?  Por que o Itaú que também demonstra tanto lucro a cada ano, não pode dar sua contribuição? Será que não conseguimos esses recursos? E a Lei Rouanet, está aí só para beneficiar cantores em seus shows?. (Leia mais abaixo)  

— Vejo alguns falarem que a situação da Ao Livro Verde foi um problema de gestão. Não foi, não… A livraria ficou fechada durante a pandemia, exatamente no início das aulas, em março de 2020. Em 2021 foi a mesma coisa. Qual estabelecimento consegue ficar dois anos sem vender absolutamente nada? — indagou. (Leia mais abaixo)

PELO BRASIL – A crise que atinge as livrarias não atinge apenas Campos. Com as vendas online e a cultura do audiovisual, as gigantes do ramo no Brasil, que não trabalham com artigos de papelaria e escritório como as congêneres campistas, também respiram por aparelhos. Outras sucumbiram. (Leia mais abaixo)

A Livraria Cultura, em 2017, fez um pedido de recuperação judicial. As dívidas da foram estimadas em pelo menos R$ 285 milhões. No mesmo ano, a Livraria Saraiva, sua concorrente, seguiu pelo mesmo caminho. Com dívidas em torno de R$ 675 milhões, a livraria pediu també recuperação judicial. (Leia mais abaixo)

Em 2018 foi decretada a falência da Livraria Laselva, que chegou a ter 83 lojas, espalhadas pelo país. Após passar por várias turbulências e ser administrada por três gerações diferentes da família durante sua história, a franquia também sucumbiu à crise editorial. (Leia mais abaixo)

Além da maior comodidade dos livros virtuais, a questão do preço passou a ser primordial. Sem lojas físicas e todos os custos operacionais, a gigante global Amazon se tornou a maior vendedora de livros no Brasil e no mundo. (Leia mais abaixo)

Os livreiros analisam que hoje os leitores costumam ir às livrarias para folhear os livros, descobrir novidades, mas depois de pesquisas on-line, acabam comprando no site virtual da Amazon com diferença de preço de pelo menos 30% do varejo tradicional. O fator preço ainda é preponderante para a maioria dos consumidores.