O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, dará novo depoimento à justiça na segunda-feira (23/1). Na ocasião, é esperado que o ex-ministro fale do conteúdo de seu celular e justifique o motivo de não ter trazido o aparelho na viagem dos Estados Unidos de volta ao Brasil.
A nova oitiva foi solicitada pela defesa do ex-ministro e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o documento, Torres está disposto a responder a todas as perguntas feitas pela autoridade policial.
O ex-secretário foi instruído por seu advogado, Rodrigo Roca, a usar do direito de ficar calado durante o último depoimento, realizado nessa quarta-feira (18/1). A medida permitiu que a equipe de defesa tivesse acesso à íntegra dos autos para que, no próximo depoimento, o ex-ministro fale.
O inquérito investiga se houve omissão ou outros crimes da parte de Torres nos atos terroristas em 8 de janeiro. Na oitiva desta semana, que durou cerca de uma hora, ele foi questionado, também, sobre a minuta de decreto para instaurar estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — a intenção do documento era reverter o resultado do pleito que definiu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República.
Juristas ouvidos pelo Correio avaliam que a postura de Torres é comum em inquéritos e legítima, uma vez que o investigado não pode produzir provas contra si. O direito é protegido pela Constituição Federal de 1988. “Ele poderia ter esclarecido algo para facilitar a defesa, mas, como já foi anunciado que as investigações vão tentar conseguir informações por outros meios, é melhor para ele esperar o material físico e, a partir daí, dar esclarecimentos em cima de acusações com mais elementos”, explica Felipe Albuquerque, professor de direito da Universidade Federal do Ceará (UFC).