Uma estudante universitária da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) é acusada por seus colegas de curso de ter desviado quase R$ 1 milhão que seriam utilizados para financiar a festa de formatura do curso. O caso é investigado pela polícia.(leia mais abaixo)
Procurada pela CNN, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a Polícia Civil investiga pelo crime de apropriação indébita uma mulher de 25 anos.(leia mais abaixo)
A suspeita é a aluna da FMUSP Alicia Dudy Muller Veiga, que nega todas as acusações e diz que tudo aconteceu com conhecimento da comissão de formatura.(leia mais abaixo)
De acordo com a polícia, o suposto golpe aconteceu no dia 25 de novembro do ano passado, no bairro de Mirandópolis, na zona sul da capital paulista.(leia mais abaixo)
“Uma das vítimas, um homem, de 25 anos, compareceu na delegacia no início da noite desta terça-feira (10) e contou aos policiais que a suspeita teria se apropriado da quantia aproximada de R$ 920 mil que seria usada para a formatura dos alunos do curso de medicina da USP”, informou a SSP em nota.(leia mais abaixo)
Ainda segundo o relato da vítima aos policiais, os estudantes só descobriram o desvio do dinheiro no início deste ano, no dia 6 de janeiro, quando a própria suspeita contou da transferência de dinheiro em um grupo do WhatsApp.(leia mais abaixo)
O caso foi registrado na capital paulista no 14º Distrito Policial da Polícia Civil, no bairro de Pinheiros, e encaminhado ao 16º Distrito Policial, da Vila Clementino.
Em nota enviada à CNN, a assessoria da FMUSP informou que a diretoria da faculdade foi informada que a comissão de formatura – “e, portanto, os alunos aderentes à formatura da Turma 106ª” – foram vítimas de fraude depois de arrecadar recursos para a organização da festa de formatura prevista para o final de 2023.(leia mais abaixo)
“Os fatos estão sendo apurados, buscando-se identificar os responsáveis pela fraude e a Diretoria está apoiando na orientação aos alunos envolvidos”, afirmou a FMUSP.(leia mais abaixo)
A CNN entrou em contato com representantes de entidades universitárias da FMUSP – o Centro Acadêmico e a Atlética – para comentar o caso.(leia mais abaixo)
O Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC) optou por não se manifestar sobre o caso e informou que não se envolve com as comissões de formatura. Não houve retorno por parte da Atlética.(leia mais abaixo)
Investigação paralela
A CNN obteve um inquérito policial que mostra que a mesma aluna suspeita de desviar o dinheiro da formatura é alvo de outra investigação policial por lavagem de dinheiro e estelionato em uma lotérica de São Paulo. Não é possível afirmar que este caso está relacionado às denúncias dos alunos da FMUSP.(leia mais abaixo)
De acordo com a SSP-SP, o suposto crime aconteceu no dia 12 de julho do ano passado, em uma lotérica dentro de um supermercado Pão de Açúcar – Ricardo Jafet, no bairro da Vila Mariana, na capital paulista.(leia mais abaixo)
Uma pessoa representante da lotérica compareceu à Divisão de Investigações Criminais (DEIC) de São Bernardo do Campo e fez a denúncia de que Alicia Muller “vinha realizando apostas em valores altos diariamente, sempre pagos por meio de transferência via pix”.(leia mais abaixo)
“Porém, no dia 12 de julho de 2022, a mulher teria deixado um prejuízo de R$192.908,47, após ter feito o agendamento do valor via pix, sem pagar efetivamente pelas apostas que realizou”, informou a SSP-SP em nota.(leia mais abaixo)
O caso foi registrado como lavagem de dinheiro e estelionato na DEIC de São Bernardo do Campo.(leia mais abaixo)
A CNN entrou em contato com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) questionando se o caso já está na Justiça, mas não houve retorno.(leia mais abaixo)
“Comissão tinha acesso à informação”, diz suspeita à CNN
A CNN entrou em contato pelo WhatsApp com Alicia Muller para responder as acusações.(leia mais abaixo)
Ela enviou o seguinte posicionamento: “Nego todas as acusações e informo que a comissão de formatura tinha acesso à informação da retirada do dinheiro.”(leia mais abaixo)
Relato dos alunos
A CNN entrou em contato com membros da comissão de formatura da Turma 106 da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).
Em nota conjunta, eles informaram que, no dia 6 de janeiro deste ano, tomaram conhecimento que Alicia “retirou, sem o conhecimento e consentimento de qualquer outro membro da comissão, um montante totalizando aproximadamente R$ 927 mil“.(leia mais abaixo)
O dinheiro foi transferido para conta pessoal de Alicia, acusam os alunos. Ele tinha sido arrecadado ao longo de quatro anos de curso pela empresa Ás Formaturas, contratada pela turma para administrar as celebrações de fim de ano.(leia mais abaixo)
“A atitude isolada da Sra. Alicia Muller não representa moral e eticamente a postura dos demais membros desta Comissão e os mais de 110 alunos aderidos, vítimas dessa conduta”, escreveu a comissão de formatura.(leia mais abaixo)
“Ressalta-se o entendimento desta comissão de que a Sra. Alicia Muller descumpriu nosso estatuto ao movimentar esse montante sem a assinatura de nenhum outro membro e transferindo-o a uma conta pessoal sua”, acrescentou.(leia mais abaixo)
Pela versão apresentada por Alicia aos colegas, ela teria perdido cerca de R$ 800 mil do valor arrecadado ao investir em um esquema alegadamente fraudulento de investimento. O restante teria sido utilizado para contratação de advogados na tentativa de reaver o dinheiro.(leia mais abaixo)
Os alunos ainda pontuaram que estão “avaliando as medidas legais cabíveis e estruturando um plano de ação para as próximas semanas”.(leia mais abaixo)
Contrato foi cumprido, diz empresa
Procurada pela CNN, a Ás Formaturas se manifestou através de sua assessoria destacando que, em relação a esta turma de medicina da USP, “a Ás não se comprometeu com a realização ou produção de qualquer evento”.(leia mais abaixo)
“A responsabilidade da Ás no contrato limitava-se a arrecadar os valores dos formandos e transferir para a turma, além da realização da cobertura fotográfica”, acrescenta o comunicado da empresa.(leia mais abaixo)
“Neste sentido, todas as transferências foram realizadas rigorosamente conforme estabelecido nas cláusulas contratuais”, concluiu a Ás Formaturas.(leia mais abaixo)
A empresa ainda afirmou que está “à disposição das autoridades para o fornecimento de contratos, documentos, e-mails e demais informações”.(leia mais abaixo)
A Ás concluiu dizendo que está em contato com a comissão para buscar alguma solução que viabilize a realização do evento planejado.
Fonte: CNN