Um ano após tragédia, Capitólio (MG) prepara calendário especial para fomentar turismo em 2023

Depois de um ano da tragédia que matou dez pessoas, feriu 32 e desestabilizou Capitólio (MG), a cidade está prestes a lançar um calendário especial para fomentar o turismo, principal atividade econômica da região. Ao R7, o prefeito Cristiano Geraldo (PP) confirmou o lançamento para o dia 15 de janeiro, um domingo. (leia mais abaixo)

O objetivo é somar outros eventos, como grandes shows e festivais de gastronomia e balonismo, pontos de interesse aos turistas no sudoeste mineiro, às já procuradas atrações turísticas capitolinas. (leia mais abaixo)

Como o município e os vizinhos foram altamente afetados pelo desabamento da rocha no Lago de Furnas e suas consequências, a ideia da prefeitura local é justamente reforçar o setor que ali é o mais relevante.(leia mais abaixo)

“Esse verão aí promete muita coisa boa, novidades e eventos para poder fomentar o nosso turismo. O início de ano é um período muito importante para nós de Capitólio, pois recebemos um alto número de turistas”, afirma Geraldo.(leia mais abaixo)

O desabamento de uma rocha em 8 de janeiro do ano passado, ao lado dos cânions do Lago de Furnas, atingiu quatro embarcações, deixando dez pessoas mortas e 32 feridas.(leia mais abaixo)

Imagens gravadas por turistas registraram o momento da queda de parte do ‘paredão’. Pelo vídeo, se nota o desespero dos visitantes e é possível observar ao menos uma lancha ser diretamente atingida.  (leia mais abaixo)

As vítimas do acidente em Capitólio eram, em maioria, turistas de Minas Gerais e de São Paulo, além do piloto de uma das lanchas. (leia mais abaixo)

A investigação da Polícia Civil concluiu que o incidente se tratou de um evento natural, sem influência de ação humana. Portanto, não houve culpados.(leia mais abaixo)

Segundo os moradores e profissionais que atuam com as atrações no Lago de Furnas, nunca houve qualquer acidente similar ao que ocorreu na tarde daquela sexta-feira.(leia mais abaixo)

Sofrimento para além das perdas
Em episódios trágicos como o de Capitólio, nada produz mais impacto e trauma que a dor pelas vidas perdidas, sobretudo para as famílias das vítimas. No entanto, no caso do incidente em Furnas, o efeito foi ainda mais grave.(leia mais abaixo)

Dependente sobremaneira de seus passeios e atrações, o município cujo carro-chefe é justamente o turismo, e que ainda se recuperava dos danos econômicos causados pela pandemia de Covid-19, viu o movimento de visitantes despencar nos meses seguintes.(leia mais abaixo)

A soma do medo de quem pretendia viajar ao local e a desinformação propagada nas redes sociais – além das chuvas e depois o frio nos meses seguintes ao desabamento –, levaram uma dura crise à cidade e à região como um todo, que perdurou pelo ano de 2022.(leia mais abaixo)

Um terço dos empregos e 30% das empresas da cidade, segundo a prefeitura, estão diretamente ligados ao turismo.(leia mais abaixo)

Embora não haja uma estimativa exata da gestão municipal, empresários e profissionais da área relatam que, no período após o desabamento, os cortes foram comuns em vários estabelecimentos.(leia mais abaixo)

Com 20% da rede hoteleira ocupada no início de 2022 ante o cenário de crise, e 50% entre maio e junho, isso indicava, portanto, que a recuperação econômica seria muito lenta, e dependeria do movimento de visitantes no verão de 2022 para 2023.(leia mais abaixo)

Readaptação e segurança
Diferentemente das informações falsas espalhadas à época, que davam conta de que todas as atrações da cidade haviam fechado devido a acidente, somente os trechos dos cânions no Lago de Furnas, um dos maiores lagos artificiais do mundo, ficaram interditados.(leia mais abaixo)

As atividades do passeio, entre os mais procurados da região, retornaram três meses depois, sob novas regras de funcionamento, a fim de impedir o risco de acidentes aos visitantes e profissionais do turismo. As medidas constam em um decreto da prefeitura capitolina, publicado em março.(leia mais abaixo)

Os protocolos incluíam a avaliação geológica diária das rochas e o uso obrigatório de equipamentos de segurança, entre outras medidas.(leia mais abaixo)

Embora o incidente tivesse envolvido apenas o lago, outras atrações aproveitaram o contexto para aprimorar e reforçar as condições de segurança, e, ao mesmo tempo, devolver a sensação de tranquilidade para os potenciais visitantes.(leia mais abaixo)

Por parte do poder público, o governo mineiro e as prefeituras da região lançaram o plano “Reviva Capitólio – Viva o Mar de Minas”, com R$ 5 milhões destinados a 80 ações, a partir de quatro eixos estratégicos: diagnóstico da tragédia; ordenamento de uso e ocupação dos atrativos; capacitação, formação e informação turística; comunicação e marketing.(leia mais abaixo)

Juntamente ao Reviva Capitólio, a gestão estadual estendeu a Rede Integrada de Proteção ao Turismo para Capitólio e as vizinhas São João Batista do Glória e São José da Barra, com investimento de mais R$ 2 milhões em infraestrutura nos municípios. O objetivo da rede, segundo o governo, é fortalecer o turismo seguro na região.(leia mais abaixo)

A cidade recebeu, ainda, um seminário da Abeta (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura), em parceria com o Sebrae, para integrar e capacitar os profissionais de turismo na região em relação à segurança nas atrações, marketing e boas práticas ambientais.(leia mais abaixo)

O que se espera para o verão
O tão aguardado verão, promessa de melhora no movimento do turismo após um ano turbulento, já tem gerado bons resultados para a região.

Segundo o prefeito Cristiano Geraldo, após os baixos números de visitantes entre janeiro e junho, o mês de novembro teve, nos hotéis e pousadas, uma média de ocupação de 80%, que subiu a 90% em dezembro, além de uma procura expressiva pelas casas de aluguel.

“Tivemos aí uma crescente muito bacana nesse final de ano, de novembro para cá”, diz o gestor, ao lembrar que os primeiros meses do ano tendem a receber um público ainda maior.

Empresários ouvidos pela reportagem também sentiram a melhora nos últimos meses de 2022.
Proprietário de uma agência que realiza passeios no parque Canela de Ema, Adriano Leonel disse que seu negócio teve um aumento de 70% no público, se comparados o início e o final do ano passado.

Marco Antônio, gestor de uma das empresas responsáveis pelos passeios de barco no Lago de Furnas, diz estar muito satisfeito com a volta do movimento de visitantes à normalidade, fruto de um trabalho de reposicionamento de imagem da região após o incidente de um ano atrás.