ACIC e CDL: preocupação com suspensão do atendimento presencial em bancos

A cada dia, a população vem contando com a tecnologia para fazer transferências e pagamentos pelos aplicativos dos bancos. Por um lado, facilita à vida das pessoas que dominam a internet e as ferramentas tecnológicas. No entanto, nem toda a população sabe utilizar o recurso e fazer as operações. Esta situação pode ser comprovada no início da cada mês, quando a maioria dos aposentados formam filas quilométricas nas portas das agências bancárias para receber o benefício e precisam de ajuda dos atendentes. De acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), em 2020, dos 103,5 bilhões de transações bancárias, 67% foram realizadas via celular ou internet. As agências foram responsáveis por apenas 3% das operações no período. Em Campos nos últimos três anos, 120 bancários perderam o emprego. (leia mais abaixo)

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos- ACIC- Leonardo Castro de Abreu, destaca que infelizmente esta medida bancária acaba prejudicando não só os aposentados como também os empresários que precisam fazer algumas operações bancárias no interior da agência, devido ao valor financeiro a ser retirado ou sacado. “ Na agência do Bradesco, do centro, por exemplo são três funcionários para o atendimento, o que acaba causando filas e demora no atendimento”. Numa cidade onde temos uma grande parte da população que não tem formação e capacidade suficiente para entender as mudanças tecnológicas, elas são privadas por estas medidas adotadas pelos Bancos, principalmente pelo Bradesco em nossa cidade, destacou Leonardo (leia mais abaixo)

– Outro problema enfrentado pela população está relacionado à demora no abastecimento dos terminais eletrônicos das agências bancárias. A situação se agrava ainda, nos finais de semana e período de feriado prolongado quando chega a faltar dinheiro nos caixas eletrônicos, sem contar a falta de um segurança no interior da agência, explico o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas ( CDL) Edvar Freitas Júnior.(leia mais abaixo)

Leonardo lembrou ainda que recentemente foi registrado um assalto a um cliente que fazia um saque na agência do Banco do Brasil, da Praça São Salvador, no final de semana. Neste caso, o cidadão teve o dinheiro recuperado por meio de uma ação rápida da Polícia Presente, que conseguiu prender os autores do assalto.(leia mais abaixo)

De acordo com dados do Banco Central, desde o mês de agosto passado, 43,4% dos municípios brasileiros (2.427) não possuíam agência, e a situação se agravou com o inicio da pandemia da Covid-19 em março de 2020. Desde o início da pandemia, pelo menos 2.080 agências em todo o país foram fechadas. O Bradesco, que tinha a maior rede em março do ano passado, fechou pelo menos 1.315 unidades, segundo o BC.(leia mais abaixo)

Já o Banco do Brasil, que hoje possui a maior rede, perdeu 389 agências entre março de 2020 e agosto de 2021. O Itaú reduziu em 110 agências e o Santander em 163. A Caixa não encerrou agências no período.(leia mais abaixo)

O Banco Central informou em relatório que o Brasil tem pelo menos um canal de atendimento presencial em todas as cidades. “Atualmente, dos 2.426 municípios sem agência bancária, 450 são atendidos por correspondentes e 1.976 são atendidos por Postos de Atendimento e correspondentes.(leia mais abaixo)

A Febraban destacou que a decisão de abrir ou fechar um ponto de atendimento é tomada por bancos individuais com base em suas respectivas estratégias de negócios. “Os bancos estão adaptando suas estruturas à nova realidade do mercado, em que a utilização dos canais digitais de atendimento vem ganhando espaço em detrimento dos canais físicos e presenciais”, afirmou.(leia mais abaixo)

SINDICATO – O presidente do Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região, Rafanele Alves explica que é necessário pensar a automação em termos de realidades distintas. Uma coisa é tratar da automação bancária em grandes centros como Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais. No Norte e Noroeste Fluminense, assim como em outras cidades com realidades rurais, onde a conversas olho no olho acaba sendo principal condição para fechamento de negócio, a automação e a criação de agências digitais têm dificultado e muito a vida dos clientes do sistema financeiro.(leia mais abaixo)

– Não é raro recebermos reclamações de clientes que não tem mais a quem recorrer, já que o/a gerente de sua conta está sediado em São Paulo. Essa realidade, inevitável, tem causado grandes transtornos para os clientes de nossa região. Aproveitando a onda da automação e a própria pandemia, acabou agilizando todo esse processo, os bancos estão demitindo bancários e dificultando a entrada e acesso dos clientes no interior das agências bancárias. Bancos estão acabando com os guichês de caixa, extinguindo essa e outras funções na estrutura de funcionamento das agências em nossa base, destacou o líder dos bancários, Rafanele Alves.(leia mais abaixo)

Nos últimos três anos mais de 120 bancários foram demitidos, isso nos bancos privados e públicos, incluindo nesse total as adesões aos chamados Planos de Demissão Voluntária. Temos ainda que considerar outras “facilidades”, como o pix e o trabalho remoto (home office), que estão, infelizmente, contribuindo para o afastamento do convívio e da relação entre bancários e clientes, concluiu Rafanele.