Líder evangélico na Câmara vê assédio de Lula e iguala petista a ‘Satanás’

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), presidente da poderosa Frente Parlamentar Evangélica e aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), escolheu um alvo claro nos últimos dias: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, na sua opinião, tenta se aproximar do segmento religioso sem ter as credenciais necessárias para isso. (leia mais abaixo)

“Eles nunca gostaram e nem respeitaram a Bíblia Sagrada, agora usam até texto bíblico pra enganar igual a Satanás, se disfarça para enganar!”, postou o deputado no Twitter no sábado, 23. O motivo da ira era um vídeo no qual o petista citava um versículo bíblico de Provérbios 29:2: “Quando os justos governam, alegra-se o povo; mas quando o ímpio domina, o povo geme”. (leia mais abaixo)

No mesmo dia, pouco antes, Sóstenes denunciou o que considera assédio de Lula a comunicadores ligados aos evangélicos. “Atenção, evangélicos. A equipe de campanha do ex-presidiário Lula está fazendo contato com os sites e rádios gospel para tentar comprá-los para falar bem do Lula, e ou criticar o Bolsonaro. Se você perceber algum veículo começando a fazer isso, deixe de seguir, foram comprados!”, afirmou, sem mostrar qualquer evidência de que isso de fato esteja acontecendo. (leia mais abaixo)

Um dia depois, no domingo, publicou vídeo antigo de Lula – no qual o ex-presidente afirmava que não aguentava mais ver jovens sendo mortos pela polícia sendo inocentes ou porque roubaram um celular – acompanhado de uma notícia sobre a morte de uma mulher durante um roubo desse tipo. (leia mais abaixo)

“É uma completa inversão de valores! Enquanto o brasileiro assiste bens e vidas sendo covardemente tomadas, Lula, para surpresa de ninguém, está do lado do crime. Quem quer o bem do Brasil não defende bandido!”, escreveu. (leia mais abaixo)

Eleitorado
A preocupação de Sóstenes com Lula talvez se justifique. Nas últimas pesquisas de intenção de voto, o petista tem ganhado terreno entre os evangélicos, um reduto que sempre esteve firmemente com Bolsonaro. Segundo o levantamento XP/Ipespe, feito entre os dias 18 e 20 de abril, a diferença a favor do presidente nesse segmento recuou cinco pontos desde janeiro — o placar era de 43% a 27% em janeiro, e caiu para 45% a 34% em abril. (leia mais abaixo)

O líder evangélico, no entanto, ficou falando sozinho. Nem Lula nem ninguém ligado ao ex-presidente respondeu aos ataques.

Fonte: Veja