A reta final para emissão do título de eleitor tem movimentado as redes sociais de direita e esquerda na tentativa de convencer jovens que ainda não tiraram o documento a votar. (leia mais abaixo)
O prazo termina no dia 4 de maio e, como mostrou a Folha, até o final de março pouco mais de 1 milhão de adolescentes de 16 e 17 anos haviam emitido o título, o que corresponde a 17,1% dessa população no país. (leia mais abaixo)
Nessa faixa etária, o voto é facultativo. O cadastramento pode ser feito por quem for completar 16 anos até a data do primeiro turno, em 2 de outubro. (leia mais abaixo)
A emissão do título de eleitor pode ser feita de forma online pela página TítuloNet do TSE ou presencial, no cartório eleitoral mais próximo. Para isso, basta apresentar a documentação obrigatória. Não é necessário autorização de responsáveis legais para solicitar o documento.
No PT, a movimentação para conscientizar os jovens sobre a participação política e incentivar a emissão do título começou em dezembro, com o lançamento da campanha “Meu Primeiro Voto”, com ações de conscientização em escolas, universidades e outros locais públicos. (leia mais abaixo)
Em março, em meio à campanha de alistamento eleitoral promovida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a cantora Anitta tuitou que só tiraria foto com fãs maiores de 16 anos se eles mostrassem uma foto do título de eleitor. (leia mais abaixo)
A postagem teve mais de 250 mil curtidas, 5.800 comentários e 16,8 mil retuítes. (leia mais abaixo)
Anitta é uma das vozes críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PL) e já discutiu na rede social com o presidente e seus apoiadores, como o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. No último sábado (16), ela bloqueou o presidente no Twitter. (leia mais abaixo)
Outras mensagens da cantora incentivando o voto jovem também viralizaram. Uma delas foi compartilhada pelo ator hollywoodiano Mark Ruffalo, que destacou que os americanos só conseguiram derrotar Donald Trump com o apoio dos jovens. (leia mais abaixo)
A onda de incentivo cresceu ainda mais no final do mês, quando manifestações políticas feitas pelas cantoras Pabllo Vittar e Marina no festival Lollapalooza foram enquadradas pelo ministro do TSE, Raul Araújo, como propaganda eleitoral antecipada. (leia mais abaixo)
A decisão motivou uma campanha contra a censura e de incentivo à participação política e acabou revogada dias depois, após o PL, partido do presidente, desistir da representação contra as artistas. (leia mais abaixo)
Para tentar atrair o voto dos jovens, o PL lançou o movimento “Filia Brasil”, com o objetivo de aumentar o eleitorado do partido e difundir bandeiras conservadoras. (leia mais abaixo)
A cientista política Tathiana Chicarino, professora na Fesp-SP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), destaca que Bolsonaro não tem mais o mesmo apelo que tinha em 2018, quando havia um grande movimento da juventude de direita que veio na esteira das jornadas de junho 2013 e do impeachment de Dilma Rousseff (PT).
“Se essa juventude de direita lá nos anos de 2017, 2018 tinha um apelo maior na política no sentido de enfrentar o que está aí, ser contra o que está aí, hoje esse sentimento é muito menor. Não estou dizendo que ele é inexistente, mas ele é muito reduzido”, afirma. (leia mais abaixo)
“Esse contexto está muito diferente, mas não quer dizer que o Bolsonaro perdeu completamente o apelo com a juventude. Isso ainda pode ser construído nas redes, pela fragmentação que as próprias redes têm”, completa. (leia mais abaixo)
Segundo levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (Daap/FGV), entre o dia 1º de março e 6 de abril foram publicados 287,7 mil tuítes com hashtags incentivando a participação de adolescentes nas eleições. (leia mais abaixo)
Os marcadores bolsonaristas predominam. Enquanto a hashtag #lulapalooza, em referência à manifestação de Pabllo Vittar no festival em São Paulo, foi usada 2.752 vezes, o marcador #soujovemsoubolsonaro22 -usado por bolsonaristas para compartilhar fotos de adolescentes que tiraram o título para ajudar a reeleger o presidente- apareceu 146.948 vezes. (leia mais abaixo)
Como não foi utilizada uma metodologia de detecção de bots – os chamados perfis robotizados- os pesquisadores ponderam que não é possível dizer que todas as mensagens foram compartilhadas por usuários reais. (leia mais abaixo)
Em Palmas (TO), a estudante de escola pública Giovanna Marasca, 16, é evangélica e diz que tirou o título eleitoral há duas semanas, mas que havia tomado a decisão já em 2018 quando viu Bolsonaro defendendo “a família e a liberdade, com unhas e dentes”, o que despertou nela o que chama de patriotismo. (leia mais abaixo)
“Decidi tirar meu título eleitoral para votar nos candidatos que defendem a pauta de Deus, pátria, família e a liberdade”, disse ela, que defende que os jovens participem da eleição. (leia mais abaixo)
“Quanto mais políticos e celebridades apoiarem, melhor, mas antes temos que saber votar em candidatos limpos e honestos, senão minha geração pode errar feio.” (leia mais abaixo)
Cientistas políticos ouvidos pela Folha destacam que, mesmo com o movimento feito nas redes sociais bolsonaristas para tentar atrair o eleitorado jovem, os dados existentes até então apontam que a maior parcela desse público se identifica com a esquerda. (leia mais abaixo)
De acordo com a pesquisa Datafolha de março, Lula alcançava 51% das intenções de voto entre eleitores de 16 a 24 anos, enquanto Bolsonaro era preferido por 22%. No eleitorado em geral, Lula registra 46% das intenções de voto e Bolsonaro, 26%. (leia mais abaixo)
Outro dado da pesquisa é que a rejeição ao presidente nessa fatia do eleitorado é o dobro da do petista. Enquanto 62% dos jovens dizem que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum, Lula é rejeitado por 30% deles. No quadro geral, o chefe do Executivo é rejeitado por 55% e Lula por 37%. (leia mais abaixo)
Para o cientista político e professor da FGV Eduardo Grin, o jovem já não é lulista, como em 2002, quando o petista foi eleito pela primeira vez, mas é majoritariamente anti-Bolsonaro. (leia mais abaixo)
“O eleitor mediano do Bolsonaro é o homem de classe média alta, com escolaridade e com alta renda”, diz, destacando que políticas adotadas ao longo da gestão do presidente na área da educação e meio ambiente prejudicam a imagem dele entre a maior parte dos adolescentes. (leia mais abaixo)
Em São Paulo, Antônio Vlahos da Silva, 16, estudante da rede particular, diz que tirou o título há dois meses pela internet por acreditar que a voz de todos deve estar incluída na sociedade. (leia mais abaixo)
Insatisfeito com o governo Bolsonaro, Antônio afirma que pretende votar no ex-presidente Lula, por ver nele um candidato capaz de derrotar o atual mandatário. (leia mais abaixo)
Leonardo Avritze, que é professor de ciência política da UFMG, coordenador do Instituto da democracia, afirma que a agenda mais conservadora tende a ser rejeitada por essa parcela de eleitores nas capitais, mas que ainda não há clareza sobre o perfil desse público a nível nacional.
“O Brasil é um país muito mais diversos, mas a juventude de cidades como Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília parece estar se identificando com agendas mais progressistas.” (leia mais abaixo)
A emissão do título de eleitor pode ser feita até o dia 4 de maio de forma online pela página TítuloNet do TSE ou presencial, no cartório eleitoral mais próximo. Para isso, basta apresentar a documentação obrigatória. Não é necessário autorização de responsáveis legais para solicitar o documento.
Fonte: Folhapress