Sem autorização no Brasil, vacinação contra a Covid-19 em crianças já é feita em cinco países

A Pfizer e a BioNTech anunciaram no último dia 20 que a vacina contra a Covid-19 produzida em parceria pelas duas farmacêuticas é segura e eficaz para crianças entre 5 e 11 anos. Em comunicado, elas informaram que uma dose menor do imunizante induziu resposta “robusta” nesta faixa etária. Outras empresas, como a Sinovac, fabricante da CoronaVac, a Sinopharm, a Moderna e a Bharat Biotech, da Covaxin, também já fazem testes da vacina para crianças e tiveram resultados positivos contra a Covid-19. Apesar de os menores serem menos vulneráveis à Covid-19, eles também estão suscetíveis a casos graves e internações pela doença. Até o momento, cinco países já aplicam o imunizante nesta faixa etária: China, Israel, Chile, Cuba e Emirados Árabes Unidos. Embora quase 3 bilhões de adultos já tenham sido imunizados no mundo, provando que as vacinas contra a Covid-19 são seguras e eficazes, esses resultados não são suficientes e não substituem a pesquisa necessária para a aplicação em crianças. De acordo com cientistas, seus corpos estão em desenvolvimento e reagem de maneira diferente, o que implica mais estudos para comprovação científica da eficácia e da segurança. (leia mais abaixo)

 A China foi o primeiro país do mundo a aprovar o uso de uma vacina contra a Covid-19 para crianças e adolescentes. Em junho, autorizou a aplicação da CoronaVac a partir dos 3 anos de idade. No Chile, a vacinação com CoronaVac está autorizada a partir dos 6 anos. Já no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) rejeitou, em junho, o pedido para incluir crianças a partir de 3 anos entre as pessoas que podem receber a vacina. Na ocasião, o órgão solicitou que fossem realizados mais estudos sobre a eficácia do imunizante. Para Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a CoronaVac tem características que a tornam atrativa para ser usada na população pediátrica. O especialista considera que já há novos dados que podem permitir que a Anvisa reavalie a decisão.(leia mais abaixo)

“Das vacinas que a gente está usando até agora, a CoronaVac é a que tem menos associação com evento adverso grave. Não tem nenhum até agora associado a ela de forma grave, o que para as crianças é muito importante. Não há dúvida que as vacinas que hoje estão sendo utilizadas têm uma análise de risco muito favorável. Elas trazem mais benefício do que prejuízo”, explica. “Paralelamente a isso, as crianças, de maneira geral, com uma dose menor da vacina, conseguem montar uma resposta imune muito eficiente. Elas atingem índices de eficácia muito altos, melhores do que os adultos. A CoronaVac tem uma efetividade inferior às outras, mas, para as crianças, isso não seria um problema porque ela propiciaria aquilo que elas precisam de uma forma muito segura”, completa. (leia mais abaixo)

A infectologista Raquel Muarrek, da Rede D’or, avalia que a vacinação das crianças pode auxiliar a diminuir a taxa de transmissão do vírus. “Quanto mais gente vacinada e quanto mais precoce a vacina, mais chance de a gente ter uma queda de transmissão”, afirma. Segundo a especialista, as crianças, apesar de terem menor risco de casos graves ou internação, podem ser assintomáticas e transmitir o coronavírus para as pessoas mais velhas. “Toda vacina tem melhor resposta em quem tem o sistema imune adequado. Uma criança produz maior formação de resposta imunológica do que um adulto. Então, quando você vacina uma criança, ela diminui a transmissão para pessoas com fator de risco e imunidade mais baixa”, explica Muarrek. “Se temos a maior parte da população vacinada, a gente diminui internações, risco de gravidade e mortalidade. Porém, só vai diminuir a transmissão quando chegar acima de 85% da população vacinada como um todo”, completa.(leia mais abaixo)

Sáfadi, por outro lado, diz que os dados sobre a relação entre vacinas e a taxa de transmissão do vírus ainda são frágeis. “As vacinas têm demonstrado uma eficiência muito grande para prevenir as formas graves da doença, mas para prevenir infecção e transmissão elas não têm a mesma efetividade. Uma vacina como a CoronaVac, por exemplo, ainda não tem nenhum dado que demonstre que ela consegue impedir a transmissão. Ela consegue prevenir gravidade”, ressalta. “É possível que impacte na taxa de transmissão, seria um benefício adicional muito interessante, mas a gente precisa de mais dados para afirmar isso de maneira categórica.” (leia mais abaixo)

 Rio fará mutirão de imunização no sábado e permitirá até ‘sommeliers’ de vacina
Além de China e Chile, os Emirados Árabes Unidos anunciaram a aprovação da vacina Sinopharm para crianças acima de 3 anos em agosto. Em Israel, a vacina da Pfizer é aplicada apenas em menores com problemas de saúde, como doenças pulmonares crônicas graves, imunossupressão grave, transtornos de desenvolvimento neurológico, anemia falciforme, insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar e obesidade. As autoridades de saúde do país autorizaram a imunização para crianças a partir dos 5 anos, mas com doses três vezes menores do que o padrão.(leia mais abaixo)

Já em Cuba, as crianças de 2 anos ou mais estão sendo imunizadas com a Soberana 2, vacina desenvolvida na ilha. Os Estados Unidos também planejam iniciar a vacinação deste grupo em breve. O imunologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, disse nesta semana, em entrevista à rede MSNBC, que há “chance razoavelmente boa” de que a vacina esteja disponível para crianças ainda neste ano. No entanto, ainda é necessária aprovação do FDA, órgão federal que faz a análise de vacinas e medicamentos nos EUA. Scott Gottlieb, que integra o conselho diretor da Pfizer, afirmou à TV CBS que a farmacêutica deve enviar o pedido de aprovação no início de outubro. Nesta sexta-feira, 1º, a ministra da Saúde da Argentina, Carla Vizzotti, informou que o país vai iniciar a imunização de crianças de 3 a 11 anos com a chinesa Sinopharm, que recebeu aprovação da agência reguladora argentina para uso emergencial na população pediátrica. A estimativa é que de 5,5 milhões a 6 milhões de crianças sejam imunizadas em esquema de duas doses.
 
 *Fonte: R7