Clube que se gaba de possuir a quinta maior torcida do Estado, o Goytacaz amarga outra vez o calvário da terceira divisão, a Série B1. Se subir este ano (só há apenas uma vaga) vai chegar ao limbo da segundona para depois sonhar com céu, o retorno à elite do futebol do Rio. Depois de uma dose dupla de frustrações com as cariocas Trivella e a G-7, últimos parceiros que se tornaram um pesadelo recente para o clube, o presidente Dartagnan Fernandes, em entrevista ao Campos 24 Horas, afirma que buscou dar uma guinada na geografia de suas prospecções no mercado. Deixou o Rio e foi ao Nordeste buscar na empresa Euro Esporte (de Campina Grande-PB), um consorciado com o qual afirma ter encontrado afinidade e interesse pela metodologia de trabalho dos irmãos Cássio e Antônio Gomes. (leia mais abaixo)
Nesta entrevista, o mandatário alvi-anil afirma que espera ter, finalmente, encontrado a parceria certa este ano. “Estamos falando a mesma língua, eles tem uma filosofia de trabalho com a qual me identifiquei. Sem muito estardalhaço e promessas mirabolantes, mas com os pés no chão, inspirada na ascensão do Fortaleza, que tem sido o clube emergente mais bem sucedido, a ponto de se transformar na grande sensação do futebol brasileiro em termos de gestão”. Com esse ânimo carregado de expectativas positivas, o mandatário não se sente culpado pelo lugar em que o clube se encontra no cenário do futebol estadual e nacional. Ele responde a enxurrada de críticas que tem proliferado nos últimos meses, nas redes sociais e arquibancadas, pela situação atual do clube.(leia mais abaixo)
RESPONSABILIDADE – O que eu peço a este torcedor é para que ele acompanhe ou busque ter conhecimento do que ocorre no dia a dia do clube. Na parte interna, na parte externa, o que temos que resolver diariamente dentro e fora do clube. É uma responsabilidade muito grande, antes, durante e depois das competições. Antes você tem que montar um time e garantir condições de trabalho a todo grupo. Durante a competição você depende dos resultados campo. Se eles não vierem, vem o pós-competição, as cobranças, os compromissos que assumimos. Tendo êxito ou não precisamos honrar esses compromissos”. O Goytacaz estreia na Série B1 no dia 18 de setembro, contra o Campo Grande, no Aryzão. (leia mais abaixo)
NOVO ARYZÃO – Estamos com o estádio pronto. Fizemos reformas em vários setores no estádio como na arquibancada Tonico Pereira, na academia ali mesmo debaixo das arquibancadas, creio que somos o primeiro clube do interior a construir dois vestiários para arbitragem (masculino e feminino) para acomodar com privacidade profissionais de ambos os sexos; instalamos um posto médico com três leitos capacidade de abrigar um médico e três enfermeiros, que atende exigências determinadas pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) para partidas com público acima de 1.050 pessoas, que funcionará com três além do quadro médico móvel designado para os jogos. A Federação pede que sejam indicados dois estádios: o seu e um outro que o clube indica como segunda opção. Vamos obter todos os laudos nos próximos dias. (leia mais abaixo)
NOVO PARCEIRO – Encontramos a Euro, uma empresa do Nordeste, sediada em Campina Grande, mas atuando também no Ceará, sem promessas mirabolantes, que faz a coisa com os pés no chão. O modelo deles é baseado no que fez o Fortaleza, que é o clube emergente que tem sido a grande sensação do futebol brasileiro. A Euro trabalhou com clubes de pequeno porte no Nordeste, mas é uma empresa que vai surpreender nesta primeira experiência que eles terão no mercado do Sudeste. Percebi neles uma metodologia de trabalho e uma visão empresarial, conceitos que têm sido implantados no futebol do interior de São Paulo. E que e não pode ser diferente no Goytacaz porque hoje não se faz futebol sem esta visão de futuro. Mas com os pés no chão, sem mentiras, com propostas consistentes e nada de promessas mirabolantes. Estamos falando a mesma língua, isso é importante. As decepções causadas pelos parceiros anteriores me fizeram buscar novos parceiros. (leia mais abaixo)
TRIVELLA E A G 7 – Os outros parceiros que tivemos, infelizmente, nos prometeram uma coisa e nos decepcionaram. A Trivella e a G 7 tem um histórico na gestão empresarial de carreira de atletas, mas deixaram a desejar na gestão de clubes. São coisas diferentes. Eles usaram o clube para colocar jogadores de seu interesse no mercado, enquanto o Goytacaz serve de vitrine, de barriga de aluguel para esses jogadores. Saímos prejudicados, mas era o que tínhamos naquele momento. (leia mais abaixo).
JUDICIALIZAÇÃO – Nós entramos com uma ação contra a G 7. O Goytacaz teve que arcar com custos do futebol que eles deveriam assumir, já que assumiram o controle do futebol, mas quem pagou fomos nós. Estamos pleiteando um ressarcimento de R$ 300 mil. Eles tomaram decisões unilaterais que lesaram terrivelmente o clube. (leia mais abaixo)
ALTOS CUSTOS – No Rio hoje fazer futebol é muito difícil porque os clubes de pequeno porte arcam com uma despesa muito elevada. Para inscrever um jogador eu gasto R$ 500,00. Uma transferência interestadual custa R$ 1.600,00. Um alvará de funcionamento. R$ 16 mil – 15 mil. Hoje o custo de um borderô é muito caro. Há o quadro móvel da Federação, com árbitro, assistentes e outros profissionais que vem para o jogo, um custo que não fica por menos de R$ 6 mil por jogo. É melhor você jogar fora do que em casa, onde a despesa do mandante é muito alta. Com esta pandemia, sem público, fica pior ainda. (leia mais abaixo)
SOBREVIVÊNCIA – No Rio, de vez em quando há um clube suspenso de campeonatos porque não tem condições financeiras de arcar com o borderô. Aí, se em 48 horas não pagar fica desligado da competição. Se não tiver como pagar, a Federação aplica uma resolução de diretoria e suspende o clube. A Ferj deveria repensar essas resoluções para os clubes de pequeno porte, que ficaram com suas condições de sobrevivência prejudicadas ainda mais com a pandemia. (leia mais abaixo)
DIVISÃO DE CUSTOS – A Euro vai custear as despesas com o futebol, onde a folha de pagamento deve ficar em torno de R$ 100 mil mensais. O Goytacaz oferecer os custos de logística de transporte, estada, alimentação e manutenção dos atletas com todas as condições de trabalho. Mandei fazer nove suítes no Aryzão, onde instalamos uma nova estrutura para os atletas, com espaços e salas de convivência, ventiladores de teto e cozinha. (leia mais abaixo)
GOYTA É VIÁVEL – O Goytacaz tinha uma dívida de cerca R$ 2 milhões, mas com os recursos da transferência do Jussiê para a Europa antes da minha gestão, recursos foram alocados para pagamento de dívidas trabalhistas com ações já finalizadas e em fase de execução. Conseguimos diminuir grande parte desta dívida, que hoje está perto de R$ 1 milhão. Não é uma dívida impagável no atual contexto no mercado do futebol para o Goytacaz, um clube conhecido no Brasil inteiro. É uma dívida que pode ser administrada em curto prazo e liquidada em médio prazo pelo clube. Porém, precisamos crescer para termos estas receitas. (leia mais abaixo)
DISPUTAS NACIONAIS – Nosso objetivo é subir em 2022 para a Série A2, a segunda divisão estadual. Mas além das disputas estaduais há também as competições nacionais promovidas pela CBF. Nosso planejamento inclui a partir no próximo ano disputar a Copa Rio, a fim de adquirir direito de jogar a Série D di Campeonato Brasileiro. Com essas disputas jogando pelo país afora, o clube volta a recuperar o prestígio nacional, a melhorar suas receitas e viver em melhores condições. Um clube que passa para a Série C do Campeonato Brasileiro já entra com uma cota de R$ 7 milhões. Se passar para a Série B já recebe R$ 16 milhões. (leia mais abaixo)
NOVA LEI – Possibilita a entrada de capital estrangeiro, que antes era proibido. Pela nova lei, você pode pagar a dívida dentro de um percentual da sua receita naquele ano. Se você subir de Série há um aumento de receita, então você parcela aquela dívida dentro do que o clube arrecada, não mais aquele valor fixo, que num ano um clube é capaz de arcar, mas no ano seguinte não tem como honrar se cair de divisão. A nova lei define uma flexibilização e corte de juros e multas com os quais os clubes de pequenos não tinham condições de arcar. (leia mais abaixo)
GOYTACAZ S/A – Não há outro caminho para o clube, a não ser a transformação do futebol em clube-empresa, com o Goytacaz S/A. O Goytacaz Futebol Clube não deixará de existir como instituição com seus órgãos de deliberação, como o Conselho Deliberativo e o Conselho Fiscal, que inclusive irão aprovar ou não a transformação do futebol em sociedade anônima. Mas o futebol empresa é o caminho. (leia mais abaixo)
FORTALEZA – O Fortaleza tem um modelo de gestão que envolve a participação da torcida nos resultados. Saiu da Série C para a B e lodo depois para a Série A, disputou uma Sul Americana e pode ir ainda mais além. Vamos fazer isso aqui q partir deste ano. O Rogério Ceni contribuiu muito na gestão e na estrutura do Fortaleza, muito além do campo. Eles (da empresa) assimilaram isso lá e vamos trabalhar aqui com base nestes conceitos de gestão. (leia mais abaixo)
MANDATO – Meu mandato vence no dia 31 de dezembro de 2022. Pela reforma do estatuto, em razão da pandemia, houve uma prorrogação por mais dois anos. Mas eu posso antecipar as eleições para e sair antes, o que estou planejando fazer. São várias as razões que me levam a tomar esta decisão, entre elas a pressão familiar. Quando meu filho vai a um jogo ou está na fila do pão não é um torcedor comum, mas o filho do presidente do Goytacaz. Ele pode até escutar certas coisas, mas releva para não causar prejuízo ao pai. Mas antes quero deixar o Goytacaz com a condição de tocar o seu futebol como clube empresa numa S/A . (leia mais abaixo)
FUTURO DO RIO – Os clubes pequenos do Rio estão em situação muito delicada. Vejam o caso do Macaé e da Cabofriense, que há pouco tempo estavam na Série A do Rio e disputando Campeonato Brasileiro. Hoje são clubes com salários atrasados e endividados. Não aguentaram manter aquela estrutura, sem recursos. Hoje o que mantém os clubes são as transferências. Vejam o caso do Serra Macaense, que obteve R$ 9 milhões com a venda do Matheus Babi do Botafogo para o Athlético Parananese. No Goytacaz vamos também valorizar a prata casa, com a equipe sub-20 deste ano. O Nikolas, jovem jogador que comelou aqui no clube e passou pelo Campos, está de volta. E outros virão nesta boa safra deste nosso sub-20. (leia mais abaixo)
GRUPO – O técnico é o Osmar Coaracy, já foi inclusive apresentado, que já trabalhou em equipes como o Vasco, Bangu, Duque de Caxias e Bangu, mas que tem um trabalho reconhecido no futebol do Nordeste. O restante da comissão técnica é de fora, mas dois são daqui da região. Estamos montando um grupo para vencer a competição. São jogadores novos, alguns mais experientes, com disposição para conquistar seu espaço no futebol e participar deste projeto. Jogadores aos quais explicamos como é o Goytacaz, sua história, o peso do clube na comunidade e as cobranças. Eles estão conscientes de sua responsabilidade. Alguns são conhecidos da torcida, como o zagueiro Jordan, o próprio meia Nikolas, que é prata da casa, o goleiro Nunes, que já esteve também aqui conosco. Jogadores experientes como o Cassiano, um bom atacante; e o Léo Carioca, um meio-campista que jogou na Portuguesa e no Paysandu/PA, entre outros.