Renan Calheiros se recusa a fazer perguntas a médicos na CPI

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), recusou-se a fazer perguntas aos dois médicos que estão nesta sexta-feira (18) na comissão do Senado. Eles são defensores do tratamento precoce contra a covid-19.(leia mais abaixo)

Renan abriu sua fala comentando a live do presidente Jair Bolsonaro de quinta-feira (17), na qual, segundo o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ele afirmou que se infectar garantia mais anticorpos que a vacinação.(leia mais abaixo)

“Estamos chegando a quase meio milhão de mortes por covid”, lembrou Renan. “Nós tivemos ontem a continuidade criminosa da defesa da imunização de rebanho, do desdém com a eficácia da vacina e o exemplo do próprio presidente de que ele era a imunização natural, porque tinha contraído o vírus. Essa irresponsabilidade não pode continuar. Um presidente da República não pode chegar a tamanha irresponsabilidade. Os brasileiros estão morrendo. Ele precisa respeitar a memória de todos.”(leia mais abaixo)

Renan prosseguiu: “O presidente continua fazendo o que sempre fez, utilizando indevidamente as mídias sociais para induzir os brasileiros ao erro e à morte, com mentiras, com falsidades. Em função deste escárnio e desse descaso, eu me recuso a fazer hoje qualquer pergunta aos depoentes, com todo respeito que tenho por vocês.”(leia mais abaixo)

“Não tenho nada para perguntar”, reiterou Renan após ser questionado pelo senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), autor da convocação dos dois médicos.(leia mais abaixo)

Após sua fala, Renan Calheiros deixou a mesa da CPI ao lado do vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Eles foram seguidos também por Humberto Costa (PT-PE).

Os senadores governistas reclamaram imediatamente do comportamento do emedebista. Marcos Rogério (DEM-RO) pediu para o presidente Omar Aziz (PSD-AM) escolher outra pessoa para ocupar a relatoria.(leia mais abaixo)

“Estou com vergonha do que estou assistindo aqui nesse momento, do papelão que fez o relator”, disse Marcos Rogério, que chamou o ato de covardia. “Ouvi outros dois que eram contra [o tratamento precoce] e questionei. Eu tenho interesse pela vida. Tenho interesse em saber se o fique em casa mata ou salva, se o tratamento precoce mata ou salva”, completou.(leia mais abaixo)

Marcos Rogério e Eduardo Girão (Podemos-CE) reclamaram que na sessão da semana passada, na qual foram ouvidos a microbiologista Natalia Pasternak e o médico sanitarista Claudio Maierovitch, não ocorreu reação similar.

“Ouvir os dois lados é um gesto de grandeza e humildade de todos”, disse Marcos Rogério.(leia mais abaixo)

Jorginho Mello (PL-SC) afirmou que o relator não poderia virar as costas para “dois médicos que vieram prestar esclarecimentos”.(leia mais abaixo)

Girão. sugeriu a divisão do tempo de Renan Calheiros a todos os senadores presentes, mas Aziz prontamente negou a solicitação. (leia mais abaixo)

Os dois depoentes de hoje são Ricardo Ariel Zimerman, ex-presidente da Associação Gaúcha de Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar, e Francisco Eduardo Cardoso Alves, especialista em infectologia pelo Instituto Emílio Ribas e diretor-vice-presidente da ANMP (Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social).

Fonte: R7