Escutar música perto da hora de dormir pode atrapalhar o sono

A música é algo muito presente na vida de grande parte das pessoas e muitas gostam de levar esse hábito para a cama, próximo ao horário de dormir. Mas será que isso pode prejudicar o sono? (leia mais abaixo)

Após perceber que estava acordando no meio da noite com “músicas chicletes” na cabeça, um pesquisador da Universidade Baylor (Estados Unidos) percebeu que tinha uma oportunidade de estudar como a música, especialmente as “chicletes”, aquelas que grudam na cabeça, podem afetar os padrões do sono. (leia mais abaixo)

O estudo, publicado recentemente na revista Psychological Science, investigou, então, essa relação entre ouvir música e dormir, focando em um mecanismo raramente explorado: as “músicas chicletes”, que também podem surgir na mente enquanto uma pessoa tenta dormir. 

Seis vezes mais chances
De acordo com a equipe, o cérebro dos seres humanos continua processando música mesmo quando ninguém está tocando, incluindo momentos em que, aparentemente, estão dormindo. Todo mundo sabe que ouvir música é bom – e muitas pessoas costumam ter esse hábito perto da hora de dormir. (leia mais abaixo)

Entretanto, muitas vezes, o exagero não faz bem. Quanto mais uma pessoa ouve música, maior a probabilidade de ela ficar com uma melodia na cabeça e, quando isso acontece, é provável que o sono piore, de acordo com a pesquisa.

Os achados mostram que aqueles que escutam “músicas chicletes” regularmente à noite – uma ou mais vezes por semana – têm seis vezes mais chances de apresentar baixa qualidade de sono em comparação às pessoas que raramente experimentam esse tipo de melodia. (leia mais abaixo)

Surpreendentemente, o estudo descobriu ainda que algumas músicas instrumentais são mais propensas a provocar esse fenômeno e interromper a qualidade do sono do que a músicas líricas, por exemplo.

De Taylor Swift a Carly Rae
A pesquisa envolveu 209 participantes que completaram uma série de questionários sobre a qualidade do sono, hábitos musicais e frequência de “músicas chicletes”, incluindo a regularidade com que experimentaram esse tipo de fenômeno enquanto tentavam dormir, acordando no meio da noite e imediatamente ao despertar pela manhã. (leia mais abaixo)

No estudo, 50 pessoas foram levadas para o laboratório da universidade, onde a equipe tentou induzir as “músicas chicletes” para determinar como isso afetava a qualidade do sono. A polissonografia – um teste considerado padrão ouro para o sono – foi usada para registrar as ondas cerebrais das pessoas, a frequência cardíaca, a respiração e muito mais enquanto dormiam.

Os pesquisadores explicaram que, antes de os participantes dormirem, eles colocaram três músicas populares para tocar: ‘Shake It Off’, de Taylor Swift, ‘Call Me Maybe’, de Carly Rae Jepsen, e ‘Don’t Stop Believin’, de Journey. (leia mais abaixo)

Aleatoriamente, a equipe elegeu quais pessoas iriam ouvir as versões originais dessas músicas e quais escutariam as versões instrumentais. Após essa etapa, elas responderam se e quando experimentaram o fenômeno da “música chiclete” e, a partir daí, foi analisado se isso impactou de alguma forma o sono. 

Maior dificuldade para dormir
As descobertas mostraram que os participantes que relataram ter ficado com a música na cabeça tiveram mais dificuldade em dormir, acordaram mais vezes durante a noite e passaram mais tempo em estágios leves de sono. (leia mais abaixo)

Para os pesquisadores, os resultados foram surpreendentes, já que o esperado era que as pessoas tivessem a “música chiclete” na mente quando tentassem dormir, mas não se sabia que poderiam acordar regularmente do sono com a melodia na cabeça. 

De acordo com a equipe, quase todo mundo acreditava que a música melhorava o sono, mas o estudo mostrou que aqueles que ouvem mais música dormem pior. Além disso, as melodias instrumentais levaram a uma qualidade inferior do sono, já que o gênero gera cerca de duas vezes mais o fenômeno da “música chiclete”. (leia mais abaixo)

Escute com moderação
Com os achados, os pesquisadores recomendam fazer pausas ocasionais caso a pessoa perceba que a melodia “já grudou na cabeça”. O momento de ouvir a música também é importante: o ideal é evitar escutá-la muito próximo da hora de dormir.

Outra orientação é buscar se envolver em alguma atividade cognitiva que permita à pessoa o foco total em uma tarefa. Perto da hora de dormir, por exemplo, em vez de assistir TV ou jogar videogames, seria melhor passar de cinco a 10 minutos escrevendo uma lista de tarefas e colocando pensamentos no papel. (leia mais abaixo)

Estudos anteriores descobriram que as pessoas que levaram cinco minutos para escrever as próximas tarefas antes de dormir “descarregaram” pensamentos preocupantes sobre o futuro e conseguiram pegar no sono mais rápido.

Fonte: Dr. Jairo Bouer