(Com atualizações) – A Prefeitura de Campos e o Ministério Público Estadual (MPRJ) emitiram, nesta terça-feira (6), uma nota conjunta veemente e incisiva a respeito das manifestações promovidas por comerciantes, liderados por entidades do setor, contra o lockdow. A nota é assinada pelo prefeito Wladimir Garotinho (PSD) e os promotores Marcelo Lessa, Maristela Naurath e Olívia Venâncio. (leia mais abaixo)
Na nota, a prefeitura e o MP “manifestam surpresa com a convocação de manifestações contra as medidas restritivas decididas nesta terça-feira no Gabinete de Crise com a participação inclusive de representantes de setores econômicos e outros membros da sociedade civil organizada”. (leia mais abaixo)
“Na ocasião foram expostos dados científicos sobre o estágio da pandemia e, após ouvir todas as ponderações, tomada a difícil decisão de manter as restrições por mais uma semana, tendo em vista a grave situação porque passam hospitais públicos e privados de Campos, com fila de espera de pacientes por leitos clínicos e de UTIs, sem prejuízo de deixar aberto o canal de diálogo com as entidades representativas do setor econômico, de modo que busquem, dentro de parâmetros estritamente científicos, tão logo o cenário epidemiológico passe a permitir a flexibilização gradual e responsável das restrições”. (leia mais abaixo)
Os comerciantes realizaram a manifestação nesta terça-feira (06), na BR-101, tendo a participação também de trabalhadores do comércio. “A Saúde está numa situação difícil, não apenas Campos, mas todo país. Mas a situação do comércio vai de mal a pior, inclusive com perspectivas de demissão em massa”, admite o presidente da Acic (Associação Comercial e Industrial de Campos), Leonardo Castro Abreu. (leia mais abaixo).
Enquanto isso, em entrevista, o subsecretário de Atenção Básica, Vigilância Sanitária e Promoção da Saúde, Charbel Kury, afirmou que Campos vive o pior momento epidemiológico da pandemia, com taxa de ocupação de 100% em leitos de UTI. “A taxa de ocupação tem uma variação, diminui de acordo com o número de óbitos. Temos dificuldades de conseguir oxigênio, medicamentos e outros equipamentos porque estão em falta no mercado, é uma situação muito difícil”, admitiu. (leia mais abaixo)
A NOTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por suas Promotorias de Tutela Coletiva, e o Município de Campos dos Goytacazes, por seu Prefeito, vêm a público manifestar surpresa com a convocação de manifestações contra as medidas restritivas decididas hoje em reunião do Gabinete de Crise, com a participação dos setores econômicos e outros membros da sociedade civil organizada, ocasião em que foram expostos dados científicos sobre o estágio da pandemia e, após ouvir todas as ponderações, tomada a difícil decisão de manter as restrições por mais uma semana, tendo em vista a grave situação por que passam os hospitais públicos e privados de Campos, com fila de espera de pacientes por leitos de clínicos e de UTIs, sem prejuízo de deixar aberto o canal de diálogo com as entidades representativas do setor econômico, de modo que se busquem, dentro de parâmetros estritamente científicos, tão logo o cenário epidemiológico passe a permitir, a flexibilização gradual e responsável das restrições, até se conseguir chegar ao funcionamento normal de todas as atividades sociais e econômicas, o que é um desejo comum de todos nós. (leia mais abaixo)
Frise-se que a decisão tomada foi embasada em recomendação unânime das autoridades médicas presentes, que mostraram os modelos matemáticos aplicáveis à espécie e, ao contrário do que tem sido veiculado sem rigor técnico, demonstrou a eficácia das medidas restritivas para o controle da curva epidemiológica e redução das infecções. (leia mais abaixo)
O Atos que, neste momento, acarretem aglomeração de pessoas, para além de demonstrar uma postura irresponsável do setor, mormente quando organizado ou incentivado por entidade de classe, não contribuem em nada para a retomada das atividades econômicas. Ao contrário, a depender do impacto que possam vir a ter no cenário epidemiológico local, apenas contribuem para retardar ainda mais a reabertura dessas atividades, contrariando o interesse comum de todos os segmentos envolvidos. (leia mais abaixo)
Sabe-se da importância do direito à livre manifestação de pensamento e de reunião pacífica sem armas, como proclamado em nossa Constituição. No entanto, não há direitos absolutos e, neste momento, é necessário mitigar esse direito, em prol do direito à vida e a um atendimento médico digno, que fica comprometido com o crescimento desenfreado da pandemia, alimentado por qualquer tipo de aglomeração de pessoas. (leia mais abaixo)
Noutro giro, os signatários desta nota fazem questão de reafirmar a sua disposição de fazer valer as medidas restritivas tomadas, seguindo fielmente as orientações da ciência, da qual não podem se afastar, muito embora reconheçam a legitimidade dos interesses eventualmente prejudicados. Não se trata de uma escolha e, sim, de uma falta de opção, ao menos neste momento, em que é preciso união para que, juntos, possamos superar esse momento difícil, que não é somente de Campos, mas de resto de toda a humanidade. (leia mais abaixo)
Conclamamos a todos os segmentos que mantenhamos o diálogo aberto e semanalmente renovado nas reuniões públicas do Gabinete de Crise, como único fórum para a discussão e deliberação das medidas a serem seguidas por nossa cidade para o controle da pandemia, de modo a evitar que se tenha que chegar à adoção de medidas extremas que, na defesa do bem maior que é a vida da nossa população, não podemos hesitar em tomar, sob pena de responsabilidade pessoal do Administrador.