Ostentação de Flávio Bolsonaro em Brasília constrange até mesmo assessores do Planalto

Quase dez dias após a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ter determinado a anulação da quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro no “Caso das Rachadinhas”, o senador protagoniza mais um escândalo envolvendo movimentação de elevadas somas de recursos, desta vez com a compra de uma mansão em Brasília no valor de R$ 6 milhões, de acordo com o site Antagonista. (leia mais abaixo)  

Enquanto o STF lhe dá um alívio e lhe permite ganhar tempo no caso das “rachadinhas”, onde é investigado por lavagem de dinheiro, a aquisição do luxuoso imóvel provoca críticas até mesmo de auxiliares próximos do presidente da República. (leia mais abaixo).

De acordo com o jornal EL País, da Espanha, “a aquisição da mansão em meio a uma pandemia, que agrava ainda mais as dificuldades do povo brasileiro e diante de apurações de outras denúncias contra o filho de Bolsonaro, geram críticas de assessores do Planalto, que temem repercussão negativa para o presidente”.

Dois destes assessores relataram que o momento não era o mais propício para uma movimentação como essa e temem que, de alguma maneira, a repercussão do caso possa respingar na imagem de seu pai, Jair Bolsonaro. Eles argumentam que o presidente já tem outras batalhas para enfrentar, sendo a principal delas a pandemia de coronavírus os reflexos políticos, sociais e econômicos que ela trouxe nos últimos 12 meses.

ESQUEMAS – Desde 2018, Flávio Bolsonaro é investigado por um esquema de desvio de salários de seus funcionários no período em que foi deputado estadual no Rio de Janeiro. A suspeita é que ele tenha desviado 6,1 milhões de reais de proventos de 12 de assessores entre os anos de 2007 e 2018. Parte desses recursos abasteceram as contas de seu antigo braço direito, o ex-policial militar Fabrício Queiroz, hoje em prisão domiciliar. É o esquema batizado de “rachadinha”.

O preço da mansão de Flávio Bolsonaro é quase quatro vezes maior que o patrimônio declarado em 2018.Há cerca de dois anos e meio, o total declarado por Flávio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era de R$ 1,7 milhão, incluindo imóveis e sua participação em uma franquia da Kopenhagen no Rio de Janeiro.

São muito superiores à renda de um parlamentar, que ganha R$ 33 mil reais brutos por mês. Além disso, representam um valor quase quatro vezes maior que o patrimônio declarado pelo Zero Um nas eleições de 2018.

Eis a declaração de patrimônio feita por Flávio : Apartamento residencial na Barra da Tijuca – 917 mil reais; Sala comercial na Barra da Tijuca – 150 mil reais; 50% de participação da empresa Bolsotini Chocolates e Café LTDA. – 50 mil reais; Volvo XC 2014 – 66,5 mil reais; Diversas – 558,2 mil reais; R$ 3,1 milhões referentes à nova mansão em Brasília serão pagos em 360 prestações, com amigáveis taxas de juros (entre 3,65% e 4,85%).

 Segundo Flávio Bolsonaro, acontece uma “simples compra e venda”. Ele afirma que vendeu outro imóvel e sua participação na loja de chocolates.

“A maior parte do valor dessa casa está sendo financiada no banco, com uma taxa aprovada conforme o regimento familiar, como qualquer pessoa no Brasil pode fazer”, declarou.

A nova casa da família de Flávio tem dois andares, piso em mármore, academia, sauna integrada com a piscina, churrasqueira, forno de pizza, brinquedoteca, salas de jantar e estar, garagem para oito carros, além de um espaço para home theater e monitoramento por câmeras.

DISCURSO DA MORALIDADE – O escândalo das rachadinhas, os assessores fantasmas e a compra de imóveis luxuosos em dinheiro vivo são pontos mais sensíveis para o clã Bolsonaro, que se elegeu com discursos de moralidade e combate à corrupção.

Flávio Bolsonaro se beneficia do sobe e desce do caso no elevador das instâncias da Justiça. O processo contra o senador contou com diversas paradas provocadas por manobras bem sucedidas dos advogados de defesa e outras que contaram com a participação do próprio presidente da República.

O parlamentar foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa. No âmbito dessa apuração, ainda pairam dúvidas sobre os outros 19 imóveis que ele comprou e vendeu entre 2010 e 2017 pelos quais lucrou cerca de 3,1 milhões de reais. Seu processo tem sofrido idas e vindas entre as instâncias judiciais brasileiras.