Estado do Rio registra quatro casos da variante brasileira do novo coronavírus

O estado do Rio registrou quatro casos da variante brasileira do novo coronavírus. A nova variante foi identificada no Rio em exames de laboratório na Fundação Oswaldo Cruz. “Nós estamos realizando o monitoramento constante de inúmeros vírus detectáveis por PCR em tempo real. E, a partir então do sequenciamento genômico, foi possível a detecção de quatro amostras, quatro casos relacionados à linhagem P1”, explica a pesquisadora Paola Resende. (leia mais abaixo)

A Fiocruz já sabe que um dos casos está relacionado a um paciente que veio de Manaus para o Rio. Portanto, é considerado um caso importado. (leia mais abaixo)

Desde o fim de janeiro, o Rio recebeu 57 pacientes com Covid vindos de Manaus. O Ministério Público Federal e o Estadual constataram irregularidades na transferência, depois que um paciente que acabou morrendo ficou em duas enfermarias que não atendem casos de Covid.
Segundo a Fiocruz, os outros três casos da nova variante ainda estão sendo investigados para saber como se deu a infecção.

“Não é possível ainda confirmarmos a transmissão local dessa variante de preocupação P1. Agora vamos aguardar o serviço da Secretaria de Vigilância Epidemiológica do estado para monitorar os casos que não estão relacionados, epidemiologicamente, com o estado de Manaus”, afirma Paola.

O último boletim do Ministério da Saúde registra que, além do Rio, nove estados já têm a circulação da variante brasileira e, até esta segunda-feira (15), já tinham sido notificados 173 casos confirmados.

O virologista Fernando Spilki, que faz parte da rede nacional de monitoramento e sequenciamento do genoma do coronavírus no país, diz que a nova variante pode ser mais transmissível: “Dos resultados que temos até agora e pela comparação também com outras variantes que têm circulado, dessas variantes novas, o que nós temos observado, sim, é uma transmissibilidade mais alta. Nós ainda não temos dados que possam indicar, de fato, uma virulência mais alta em função de quadros mais graves, mas quanto à transmissibilidade parece bastante seguro afirmar isso”.

O que já está comprovado é a reinfecção: que quem já teve Covid pode ser infectado pela nova variante. “Já foi detectada a reinfecção pela linhagem P1 de Manaus. Essas linhagens têm variações na proteína spyke que parecem facilitar esse processo de reinfecção, porque elas conseguem escapar, digamos assim, da imunidade dada por linhagens anteriores do vírus”, destaca Fernando Spilki.

Pesquisadores afirmam que o aumento da circulação dessa variante do coronavírus no país não pode ser ignorado e vai exigir dos governos novas medidas para impedir o agravamento da doença.

“Qualquer aumento no número de casos deve ser adequadamente investigado e é possível que nós precisemos de lockdown cirúrgicos para regiões ou cidades específicas, ao menos para tentar conter a disseminação dessa cepa. E outro esforço importante também seria o de vacinação localizada, intensificação da vacinação em locais onde vai sendo determinada a transmissão comunitária, a transmissão local dessa nova variante”, fala Spilki.

O Ministério da Saúde disse que tem emitido comunicados aos estados, orientando a ampliação do sequenciamento de rotina do coronavírus, o fortalecimento das atividades de controle e a investigação de casos da nova variante.

Fonte: G1