Jardim São Benedito e Praça São Salvador são retratos do abandono em Campos

Desde a fase  embrionária das cidades no Século X, as praças foram idealizadas como espaço de lazer, sociabilidade e confraternização. Os poetas vivem a decantá-las em sua funcionalidade romântica. Ponto de encontro dos namorados, quem não deu o primeiro e tantos outros beijos sob a proteção de uma árvore ou um coreto? Manifestações de arte, esportes e política ali sempre encontram abrigo, como o lúdico das crianças. Em Campos, estes aspectos poéticos das praças se tornaram ficção, bem como direitos da cidadania, da criança e da adolescência hoje são negados nestes locais, tanto na área central como nos bairros. Em muitos pontos, praças se encontram completamente entregues à ocupação da população de rua, onde a sujeira e o mau cheiro imperam, a vegetação cresce e os equipamentos quebrados compõem um quadro de total abandono e descaso com a população. Por conta desse cenário, o governo Rafael Diniz sofre muitas críticas. (leia mais abaixo)

Cartão postal da cidade, a Praça do Santíssimo Salvador é tornou-se um péssimo cartão de visitas de Campos, começando pela calçada do prédio onde funciona a Superintendência do INSS, abrigo de moradores de rua que se misturam com beneficiários que desde madrugada formam filas para a busca de benefícios.

No outro lado da praça, na esquina da Rua Inácio de Moura, próximo ao antigo prédio do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), moradores de rua ali vivem sob uma marquise, onde funcionou uma loja de artigos fotográficos. De quando em vez os transeuntes e frequentadores do local assistem uma ou outra briga onde se percebe entre eles o uso excessivo de álcool, entre outras substâncias. (leia mais abaixo)

Muitos temem que o Centro acabe sendo transformado numa verdadeira “cracolândia”, com o agravamento e o avanço deste problema social e urbano que atinge as grandes e médias cidades.

No Jardim São Benedito, o panorama é o mesmo na parte de uma das laterais da Igreja São Benedito. Ali, o volume de pessoas nas ruas aumenta devido ao trabalho social do convento das freiras situado na Rua do Ouvidor.  

Nestes locais, os moradores de rua dormem, comem, bebem, usam drogas e bebidas alcoólicas assim como mantém relações sexuais ao ar livre.   

Quem assiste inerte também a este quadro de degradação é a Prefeitura de Campos, que vê o cenário se arrastar desde o início do governo sem uma solução para pelo menos tentar minimizar o problema. (leia mais abaixo)

DEPLORÁVEL – “É muito triste ver essas pessoas num estado deplorável, se drogando e fazendo suas necessidades nas calçadas. Cadê os órgãos competentes da Prefeitura de Campos?”, indagou o comerciante Altamir Bárbara Jr, através de postagem na rede social.

Outros ponderam que os moradores de rua estão acostumados com a rua e não conseguem viver nos abrigos. Entram e querem sair logo, sentem a falta das liberdades na rua e acabam por não aceitar as regras de um estabelecimento.

Outros apontam que a maior parte desta população de rua são pessoas de outros municípios. Neste caso, sugerem que a Prefeitura de Campos deveria oferecer meios para que retornassem às suas cidades de origem, através de cooperação com as respectivas prefeituras. (leia mais abaixo)

 BAIRROS COM SITUAÇÃO SEMELHANTE – Nos bairros, a situação não é diferente. Morador do Jockey, o aposentado Nélson Araújo, 76, faz críticas ao prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e lembra que, ao contrário do avô (o ex-prefeito José Carlos Vieira Barbosa, o Zezé Barbosa), o atual gestor não cuida da manutenção das praças. “Ao contrário dele, Zezé nunca deixou de cuidar do básico, e as praças eram para ele prioridade, assim como a limpeza das ruas. Hoje a cidade está abandonada”, critica.  

O gráfico Luiz Gomes também dispara suas criticas em relação ao abandono da praça que fica em meio à Rua Agnaldo Machado, próxima ao posto de saúde do mesmo bairro. “Há uns 20 anos, eu levava minha filha para brincar aqui. Hoje você vê tudo abandonado, brinquedos quebrados e o mato tomando conta”.