O Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) entrou com uma notificação junto ao Ministério Público Estadual (MPRJ), através do qual busca garantir aos servidores afastados na área da Saúde a complementação salarial (gratificações) que foi suspensa pela prefeitura. Em tempos de pandemia, os servidores têm feito denúncias e reclamações contra o governo Rafael Diniz, especialmente os que estão na linha de frente de atendimento aos pacientes. Os servidores que têm mais de 60 anos (estão no grupo de risco), e foram afastados, por recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), se mostram decepcionados e preocupados com a suspensão do pagamento de gratificações, num momento em que mais precisam. Já os servidores da ativa têm outras queixas, como a falta e precariedade dos equipamentos individuais de proteção (EPI). Vale ressaltar que mais de 200 funcionários da área da Saúde já foram afastados por suspeitas de contaminação pelo Covid-19. (leia mais abaixo)
O presidente do Sindicato dos Médicos, José Roberto Crespo, disse ao Campos 24 Horas que o Simec luta para preservar o direito dos servidores, reforça as queixas dos trabalhadores afastados e fez críticas ao tratamento a eles dispensado pelo governo.
“O que constatamos é que governo não tem o servidor como prioridade. A prioridade é com os gastos com as compras e licitações, mas na hora de investir no trabalhador, que é quem move o sistema e faz a máquina funcionar, isso fica em segundo plano”, criticou.
José Roberto Crespo também lembra a promessa do governo municipal em aumentar a gratificação por insalubridade, a fim de compensar os servidores na missão de combater a pandemia em Campos. Mas a promessa caiu no vazio ou esquecimento. (leia mais abaixo)
SERVIDOR
Ex-presidente da Associação dos Servidores do Hospital Ferreira Machado, Durval Almeida, de 64 anos, reclama do governo Diniz que retirou dos servidores afastados a gratificação salarial dos funcionários afastados.
“Sou servidor do Estado e à disposição da Prefeitura e atuo no Hospital Ferreira Machado. Como temos mais de 60 anos, fomos afastados do trabalho por determinação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e demais autoridades da Saúde por sermos do grupo de risco, temos mais de 60 anos. Então, tivemos nossa gratificação suspensa. Ao suspender esta complementação salarial, o prefeito Rafael Diniz não apenas comete mais uma maldade com nós servidores, mas também viola o princípio da isonomia previsto na Constituição Federal, já que prestamos o mesmo serviço executado pelos trabalhadores da prefeitura, mas ganhamos menos”, argumentou. (leia mais abaixo)
Durval assinava ainda que este complemento salarial tem origem num decreto em vigência deste o governo Arnaldo Vianna. “Não estamos em casa por vontade nossa. Queremos trabalhar, mas fomos impedidos por esta ordem das autoridades médicas. Estamos passando por dificuldades. Não podemos receber auxílio do governo federal porque somos funcionários públicos. E não temos aumento do governo estadual há mais de 20 anos. O Ministério Público Estadual precisa tomar uma providência”, apelou.
EQUIPAMENTOS – Sobre a falta de equipamentos e os problemas da interrupção de gratificação dos servidores no grupo de risco afastados, o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos, José Roberto Crespo, admite que os problemas existem.
“Existem falhas que necessitam de correção. Tenho conversado com o pessoal que trabalha no setor de compras da Prefeitura, e o que eles têm me informado é de que os custos destes equipamentos subiram assustadoramente, e as empresas estão com dificuldades de entregar esse material. Há uma briga enorme entre as prefeituras na disputa pela aquisição destes equipamentos”.
Nas redes sociais, funcionários do Hospital Ferreira Machado, maior hospital de emergência de Campos, reclamam a necessidade de testes para aferição da situação dos servidores em relação ao Ccovid-19.
Crespo admite que os profissionais que atuam no Hospital da Beneficência Portuguesa, onde fica localizado o Centro de Combate ao Coronavírus (CCC) em Campos, há um “serviço mais organizado” quanto às condições de trabalho.
“Os maiores problemas estão no Ferreira Machado, onde houve inclusive o caso de um paciente que foi lá para tratar de uma fratura, mas tinha suspeitas de ter contraído o Covid-19. Mas estes profissionais que entraram em contato com este paciente já foram isolados”.
O médico demonstra preocupação com o avanço da pandemia e a flexibilização do isolamento social. “O número de leitos no CCC na Beneficência está esgotado. O Hospital de Campanha não vai ficar pronto mesmo. Em Campos, havia um número de duas mortes por dia, agora temos registros de até cinco mortes diariamente. Acho que deveríamos segurar um pouco mais a flexibilização do isolamento social não apenas aqui, mas em todo Brasil. É uma situação ainda muito grave e assustadora”.
REPÚDIO – Ainda sobre a suspensão da gratificação, o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos lembra que a entidade já adotou uma posição com uma nota de repúdio e anuncia providências. “O Sindicato dos médicos de Campos já se posicionou e repudiamos com veemência a suspensão das gratificações dos profissionais, que não foram afastados por recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) devido à idade, por estarem no grupo de risco”.
Na nota, o Sindicato também assinala que “a interrupção nos repasses referentes às gratificações consiste numa deliberação por gestores públicos que veem no servidor um peso no sistema e ocorre no momento em que o mundo está acometido por uma pandemia causada por uma moléstia desconhecida e altamente infectante”.
Na nota, o Simec ressalta que “a suspensão das gratificações confirma o total descaso da administração municipal com profissionais que atuam no sistema público há mais de 30 anos, com dedicação e competência”.
Por fim, o Simec acrescenta ainda que não foi cumprida promessa de aumento das gratificações por insalubridade para as equipes que estão atuam na linha de frente da pandemia. “Vamos adotar as providencias cabíveis para que possamos vencer mais este desafio”.