A sociedade brasileira demonstra estar ávida por renovação nos quadros da política nacional. O recado tem sido dado pelos eleitores, através de pesquisas de opinião com vistas às eleições municipais deste ano, segundo as quais os eleitores buscam propostas que rejeitem as velhas práticas de se fazer política no Brasil. No cenário local, o desejo de mudança segue o mesmo sentimento registrado no plano nacional. No vácuo desta sede por transformação, surgem as novas lideranças que buscam espaço no cenário atual e identificam o descontentamento do eleitorado com a política em geral, como o ex-taxista e ativista político Leonardo Arueira, de 37 anos. (leia mais abaixo)
Na visão de Leonardo, o eleitor está cansado de dar um cheque em branco aos candidatos, como tem destacado em seu trabalho nas redes sociais. Em sua avaliação, a classe política, com as exceções de praxe, não tem despertado para os sinais de esgotamento da sociedade diante desta crise de confiança nos seus representantes.
“Com raríssimas exceções, o eleitor não vê o político nas ruas ou nas comunidades onde obteve os votos que resultaram na sua eleição. Nos primeiros anos, ele some, desaparece ou fica distraindo o eleitor. Quando chega no ano da eleição, ele aparece e finge que está trabalhando. Ele conta com a amnésia de uma parte da população. Esta crise de confiança atinge a grande maioria da classe política”.
Leonardo Arueira enfatiza também a necessidade de um processo de “desintoxicação” da política. “Precisamos de sangue novo, mas com uma proposta de desintoxicação na política para afastar os velhos vícios. Este comportamento não é inteligente, por parte da classe política. É burrice achar que o eleitor é bobo. Ele pode ser enganado uma vez. Mas não se deixar enganar por outras vezes. Político que não tiver esta visão tem carreira curta. Hoje a discussão política é intensa. Os eleitores, com os quais tenho conversado pelas redes sociais, têm demonstrado reações de indignação com esta velha política”, analisou.
Arueira alerta o eleitor para que desenvolva seu senso crítico a fim de identificar novos políticos como vereadores e secretários da prefeitura de Campos, mas cuja forma de fazer política, segundo ele, se assemelha com as práticas e vícios das velhas raposas. “Eu posso dizer que esses não representam a minha geração. Se formos investigar, muitos deles nunca tiveram uma Carteira de Trabalho. Nunca deram duro na vida e ainda afirmam que querem trabalhar para o povo…”.
O ativista político lembra sua trajetória como taxista e outras atividades como no Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT).
“Trabalhei como taxista por 17 anos, tenho uma trajetória de vida dedicada ao trabalho e voltada para classe, quando lancei a campanha Acorda Taxista, em 2008, que visava afastar o então presidente do Sindicato dos Taxistas, Marcelo Vivório, contra quem fazíamos oposição. Lutamos também para que fosse vetado um projeto do então vereador Deivison Miranda que retirava o uso de película e insufilme nos veículos, que era uma forma de proteção aos profissionais e passageiros. Depois ele até ouviu a categoria e concordou com nosso movimento”.
Leonardo Arueira considera que o papel da Câmara de Vereadores tem sido “péssimo e lamentável” neste período de pandemia. “Sem ao menos fazer uma sessão virtual, a única manifestação da Câmara foi de um vereador com a doação de 500 sabonetes. O nosso povo merece coisa bem melhor. Os vícios são os mesmos”.
Por uma questão de transparência, Leonardo faz questão de se identificar também como assessor parlamentar. “Eu poderia dizer que sou apenas um ativista político. Mas faço questão de me identificar por inteiro aos cidadãos e cidadãs campistas. Sem hipocrisia. Sou assessor parlamentar do deputado Rodrigo Bacellar, recebo vencimentos como agente público que sou, tenho que prestar contas com meu trabalho. E como pré-candidato a vereador pelo Solidariedade, me desencompatibilizei em abril. Então, preciso ter a mesma transparência que cobro dos políticos, da velha política e suas velhas práticas”, finalizou.