Secretário de Polícia Civil de Witzel pede demissão

O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, o delegado Marcus Vinícius Braga, pediu demissão na manhã de hoje. O pedido vem dias após Witzel ser alvo de uma investigação de fraude na saúde estadual que começou com a Polícia Civil e passou as mãos da Federal. leia mais abaixo

De acordo com a Polícia Civil do Rio, Braga será substituído pelo também delegado Flávio Marcos Amaral de Brito, que ocupava o posto de subsecretário de Gestão Administrativa até então. Brito também já ocupou a Subsecretaria de Inteligência. A tendência é que a mudança no comando da Polícia Civil do Rio seja oficializada no Diário Oficial da próxima segunda-feira (1).

Pedido de saída

O pedido de exoneração de Braga ocorre após operações da Polícia Civil que investigam desvio de recursos públicos dentro do próprio governo estadual. Wilson Witzel foi surpreendido com as operações, e o clima entre ambos teria ficado insustentável. Braga decidiu pedir exoneração ontem, sexta-feira. Pesou em sua escolha o conhecimento de que o empresário e fornecedor do estado Mário Peixoto, preso por suspeita de fraudes na Secretaria Estadual de Saúde, está concluindo um termo de colaboração premiada que exporia figuras importantes do governo.

Na noite de ontem, Braga já havia saído de todos os grupos de WhatsApp de delegados da Polícia Civil. Ele já comunicou, na manhã deste sábado, a todos os delegados chefes de departamentos que não é mais responsável pela pasta. Para muitos delegados, a decisão do secretário foi uma surpresa.

O secretário já teria avisado ao governador que deixaria o cargo ontem. A assessoria de imprensa do Palácio Guanabara, por telefone, negou a informação.

No lugar de Braga, assume o delegado Flávio Marcos Amaral de Brito, que era subsecretário de Gestão Administrativa. A princípio, ele estará no comando da Polícia Civil de forma interina.

TERCEIRA MUDANÇA EM UMA SEMANA 

Essa é a terceira mudança no primeiro escalão do governo do Rio desde a Operação Placebo, que investigou indícios de participação de Witzel, da primeira-dama Helena Witzel e de secretários em supostos desvios ocorridos em contratos emergenciais para o combate ao coronavírus. Nesta sexta-feira, o governador já havia demitido os secretários André Moura (Casa Civil) e Luiz Claudio Rodrigues (Fazenda), Ambos foram substituídos por nomes ligados ao secretário de Desenvolvimento Econômico Lucas Tristão, braço-direito de Witzel e também investigado no âmbito da Operação Placebo.

Witzel também foi obrigado a fazer mudanças em sua relação com a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Após a ação da PF, o deputado estadual Marcio Pacheco, colega de partido do governador, decidiu abandonar o posto de líder do governo na casa após ver Lucas Tristão —que enfrenta forte desgaste na Alerj— se fortalecer no Executivo. Ele foi substituído por Jair Bittencourt (Progressistas), vice-presidente da Assembleia e ex-secretário de Agricultura na gestão de Luiz Fernando Pezão (MDB).

Ainda na Alerj, Witzel foi alvo de três pedidos de impeachment nesta semana, apresentados pelas bancadas do PSDB, do NOVO e pela ala bolsonarista do PSL.

Além das três mudanças no secretariado, Witzel foi obrigado a anular a nomeação de Edmar Santos, ex-secretário de Saúde, para a Secretaria Extraordinária de Acompanhamento das Ações Governamentais Integradas da Covid-19 — criada para amparar o médico, que também é investigado nas denúncias de irregularidades na saúde do Rio.

Fonte: UOL e Extra