O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, anunciou nesta terça-feira (7) que nos municípios do estado, onde não houver casos confirmados da Covid-19, as medidas restritivas podem ser flexibilizadas. Segundo o governador, só estarão liberados as cidades que comprovarem ter uma eficiente barreira sanitária. As escolas permanecem fechadas em todo o estado do Rio.
O governador disse que a circulação será permitida nesses municípios do RJ, mas sem aglomerações. Além disso, os moradores dessas cidades também não poderão sair para visitas à municípios vizinhos. Veja abaixo alguns municípios que terão a movimentação flexibilizada.
No entanto, o governador não explicou como será o controle para evitar o aumento de circulação nessas regiões. Ele disse que está em contato frequente com os prefeitos e prefeitas do interior.
O texto ainda será publicado em um decreto com mudanças sobre o enfrentamento ao coronavírus.
Comércio por delivery
Witzel, que participou de uma entrevista coletiva no Palácio Guanabara, também autorizou a abertura de todo o comércio – e não só bares e restaurantes – para entregas em domicílio (delivery) em todo o estado.
“Vamos autorizar também em todo estado um delivery para o comércio. Foi um acordo que fiz com a Firjan, com a Fecomércio. Não haverá aumento presencial nas lojas. Não haverá pessoas no drive-thru, haverá apenas a entrega em casa”.
Municípios citados pelo governo
São Francisco de Itabapoana
São Fidélis
Quissamã
Carapebus
Conceição de Macabu
Varre-Sai
Natividade
Bom Jesus de Itabapoana
Italva
Cardoso Moreira
São José de Ubá
Cambuci
Carmo
Miracema
Santo Antonio de Pádua
Aperibé
Itaocara
Paty do Alferes
Cantagalo
Comendador Levy Gasparian
São Sebastião do Alto
Santa Maria Madalena
Macuco
Cordeiro
Duas Barras
Engenheiro Paulo de Frontin
São José do Vale do Rio Preto
Vassouras
Quarentena até fim de abril
Com a quantidade de casos no Estado, Witzel diz que já há a previsão para estender a quarentena na maior parte do Estado até o final do mês de abril, afirmou o governador.
“Como o noroeste do Estado apresenta a ausência do vírus, nós podemos permitir a maior preocupação de pessoas. Nossa maior preocupação é com a saúde, mas também precisamos nos preocupar com a economia”, explicou.
O governador voltou a fazer um apelo para que as pessoas fiquem em casa. Caso contrário, pode tomar medidas mais duras em relação ao isolamento social.
“Nós ainda estamos no início dessa pandemia, e as pessoas precisam entender que nós devemos ficar em casa. A movimentação nas ruas tem sido grande, a movimentação nas praias tem levado a aglomeração de pessoas. Estamos com um aumento da internação, e os dados são preocupantes. Isso é preocupante. Ainda não podemos aumentar a circulação de pessoas. Se isso acontecer, teremos dificuldade de atender as pessoas, seja no público, seja no privado”.
O governo estadual também anunciou que irá entregar 1 milhão de cestas básicas para 2,5 milhões de pessoas na capital, Baixada Fluminense e São Gonçalo, na Região Metropolitana. As entregas ocorrerão a partir de quarta-feira (8).
“Foi criado um grande mutirão que vai atender, nessa primeira fase, 940 mil famílias, totalizando 2,5 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza, pobreza ou baixa renda”, disse o vice-governador, Cláudio Castro.
Internações
O secretário de Saúde afirmou que começa a aumentar as internações em hospitais públicos.
“Há uma tendência de crescimento da nossa curva. No último final de semana, a gente mostrou que está aumentando a pressão das internações nos hospitais públicos. Saúde agora é ficar em casa. O número de casos novos nos assustou. As pessoas estão se arriscando e arriscando os outros, o que é pior”, disse Edmar Santos.
Respiradores
O Estado espera adquirir 1595 respiradores no total. Segundo o governador, há dificuldades, e se mais casos ocorrerem, não haverá estrutura para atender todos os doentes do Estado. A estimativa é de que 10% dos casos precisem do equipamento.
“Se tivéssemos 16 mil pessoas contaminadas, teríamos que usar a capacidade máxima desses respiradores.
Nós temos que ter controle da circulação de pessoas, porque se não nós não vamos conseguir dar conta e não conseguiremos salvar pessoas”, disse Witzel.
Testes
Witzel alertou que o governo terá dificuldades de fazer testes para todos caso as notificações de contaminados pela Covid-19 aumentem.
“Se essa movimentação continuar, talvez tenhamos que tomar medidas mais restritivas, que foram adotadas em outras partes do mundo. Não é o momento de ir para a rua, de passear nos calçadões. Ainda não temos condições de fazer testes na maior parte da população. Do 1 milhão de testes que encomendamos, recebemos apenas 50 mil testes.”
Fonte: G1