Regina Duarte finalmente assume o Ministério da Cultura

Com discurso de que veio para “pacificar” o setor, a atriz Regina Duarte tomou posse da Secretaria Especial da Cultura em cerimônia no Palácio do Planalto nesta quarta-feira — horas depois de exonerar seis secretários, entre eles Dante Mantovani, presidente da Funarte, desagradando a ala olavista do governo.

Ela aproveitou a ocasião para mandar um recado ao presidente Jair Bolsonaro, que acompanhou a solenidade.

Na plateia lotada, que tinha até área reservada para fã-clubes, viam-se poucos artistas, como as atrizes Maria Paula e Rosamaria Murtinho, o ator Carlos Vereza (que afirmou ter sido convidado para um cargo na secretaria) e o locutor de rodeios Cuiabano Lima.

“O convite que me trouxe até aqui falava em porteira fechada e carta branca. Não vou esquecer não, hein presidente ” disse Regina, rindo.

Durante seu discurso, logo após o de Regina, Bolsonaro disse, também rindo, que ela passará por um “momento probatório” e afirmou ter certeza de que enfrentará bem esse período. Mais sério, o presidente respondeu a cutucada da atriz:

“Regina, todos os meus ministros também receberam seus ministérios de porteira fechada. É o linguajar político, ou seja, eles têm liberdade para escolher seu time. Obviamente, em alguns momentos eu exerço poder de veto. Já o fiz em todos os ministérios, até para proteger a autoridade, que por vezes desconhece algo que chega ao nosso conhecimento. Isso não é perseguir ninguém. É colocar os ministérios e as secretarias na direção que foi tomada pelo chefe do executivo.”

Antes de começar a cerimônia, Regina desceu a rampa de braços dados ao vice-presidente Hamilton Mourão, como uma noiva, enquanto Bolsonaro e sua mulher, Michele, seguiam na frente.

Eles foram para o palco, onde estavam a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves; o ministro do Turismo,  Marcelo Álvaro Antônio, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina; e o ministro da Casa Civil, Braga Neto.

Em sua fala, Bolsonaro aproveitou para falar da Lei Rouanet, um dos assuntos que mais o mobilizaram na Cultura desde a campanha à presidência.

“Depois de um ano de governo nós achamos, tenho certeza, a pessoa certa, que pode valorizar, por exemplo, a Lei Rouanet, tão mal utilizada no passado. Acredite, o teto para um só artista era um R$ 60 milhões de reais. Entendemos que era um exagero. Botamos um teto e um filtro.”

Bolsonaro voltou a dizer que “a Cultura foi cooptada pela política, de modo que ela foi usada para interesses político-partidários”.

Antes, Regina alternou momentos de humor, lançando mão de trechos até teatralizados, com frases mais sérias.

E agradeceu o apoio que recebeu de ministros, artistas e anônimos.

Me disseram: “Calma, calma, no começo é assim mesmo, depois melhora”. Tive muito incentivo do tipo: “Segura essa para a gente antes que um aventureiro lance mão”, antes que um aventureiro lance mão — disse, citando verso de “Samba de Orly”, de Vinicius de Moraes, Toquinho e Chico Buarque.