Circulam pelas redes sociais vídeos que mostram uma brincadeira cuja prática tem preocupado pais e professores. No “desafio da rasteira”, ou “quebra-crânio”, como a iniciativa tem sido chamada, duas pessoas pedem a uma terceira para dar um pulo e, quando a vítima está no ar, as outras a derrubam com um pontapé.
Um dos vídeos mais compartilhados foi feito pelo Youtuber Robson Calabianqui, que tem mais de dois milhões de seguidores no canal de YouTube “Fuinha” e um milhão no Instagram. Ele gravou o desafio com o irmão, Alexandre, de 17 anos, e a mãe, Lilian, de 45.
— O desafio viralizou no (aplicativo) TikTok. Vi que vários americanos estavam fazendo, tudo em clima de brincadeira. Como faço vídeos de humor, decidi gravar um também. Minha mãe sempre participa dos vídeos, por isso fiz com ela. Foi engraçado na hora, mas depois percebemos o que poderia ter acontecido. Fui pesquisar e vi relatos de pessoas que haviam se machucado, por isso voltei atrás — conta Calabianqui.
Após a publicação, o jovem diz ter sido alertado sobre os riscos da brincadeira e decidiu fazer outro vídeo para que os seguidores não a reproduzissem.
— Minha campanha agora é para que não reproduzam o vídeo. Eu poderia ter perdido a minha mãe numa brincadeira boba. Sei que muitas vezes não percebemos os riscos do que fazemos. Por isso admiti que errei, e espero que meu exemplo faça com que outras pessoas não se arrisquem — conta o jovem.
Brincadeira pode matar
Médicos alertam: a prática é extremamente perigosa. Segundo o reumatologista e fisiatra do Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo (Creb), no Rio de Janeiro, Haim Maleh, os riscos do desafio vão desde uma luxação até um traumatismo craniano.
— O menor risco seria quebrar alguma região do corpo, o que poderia ser tratado de maneira mais conservadora, com a imobilização, ou até realizando uma cirurgia. Também há a possibilidade de a vítima sofrer uma luxação, que é quando a articulação sai do lugar — diz o médico.
No entanto, a brincadeira pode causar problemas ainda mais graves.
— Outras consequências são lesões na coluna, o que pode deixar alguém paraplégico, tetraplégico ou até causar algum problema neurológico. Por último, o mais grave seria um traumatismo craniano. A criança pode sofrer um derrame, entrar em coma e morrer — alertou ainda Maleh.
A fama do desafio se espalhou para além do aplicativo TikTok depois que invadiu as escolas, especialmente as da América do Sul, onde a febre se originou. No dia 4 de fevereiro, o Colégio Santo Tomás de Aquino, em Caracas, Venezuela, publicou no Twitter uma nota de esclarecimento depois que uma gravação que exibia alunos seus realizando o desafio viralizou nas redes sociais.
“Foram citadas à direção do colégio as partes envolvidas (os alunos com seus respectivos responsáveis) para iniciar os procedimentos correspondentes, ajustados com as disposições legais pertinentes”, informa a nota.
Fonte: Extra