Futuro dos servidores da Prefeitura e dos hospitais nas mãos dos Vereadores

Quando começar a sessão legislativa desta terça-feira (17) na Câmara de Campos, os vereadores, sobretudo os independentes, do chamado “Grupo dos 10” (foto acima), terão a responsabilidade de decidir o futuro dos quatro grandes hospitais filantrópicos da cidade, que têm enormes serviços prestados e correm o risco de fechar, e ainda de milhares de servidores públicos municipais e suas famílias. A expectativa é que os projetos enviados pelo Governo Rafael Diniz à Câmara, chamados de ‘pacote de maldades”, não sejam aprovados. A maioria dos vereadores– 16 dos 25–  já disse que não vota nos projetos, visto que prejudicam hospitais e servidores. Porém, o discurso do governo nos últimos dias tem um tom ameaçador. E a estratégia seria de retaliação, ou seja, pessoas ligadas aos vereadores poderiam perder seus cargos na Prefeitura. Caso mudem de posição e cedam à pressão, aprovando os projetos, não será fácil para os vereadores. 

Desiludidos, servidores públicos municipais e hospitais filantrópicos (Álvaro Alvim, Beneficência, Santa Casa e Plantadores de Cana) atravessam seu pior momento neste fim de ano. Todos esperavam ações e projetos da Prefeitura para Campos voltar a crescer, fortalecer seus hospitais e valorizar seus servidores. Todavia, os projetos que foram enviados pelo governo Diniz para votação na Câmara, muda as regras de pagamento do auxílio-alimentação e insalubridade. Os novos critérios prejudicam os servidores. Já na área de saúde, o projeto do Governo, segundo os diretores dos hospitais, criar muitos entraves, e podem levá-los até a fechar as portas.

Para saber o drama pelo qual passam milhares de servidores e suas famílias, é preciso saber seus motivos. Há muito tempo sem reajuste salarial e com poucas condições de trabalho, sobretudo na área de saúde, os servidores dizem que desfizeram-se as ilusões com o Governo Diniz. A frustração é porque durante a campanha eleitoral para prefeitura, a ênfase do discurso era a valorização do servidor. E a grande maioria acreditou. E a ilusão trouxe desilusão.

Já os quatro hospitais filantrópicos enfrentam enormes dificuldades e não conseguem absorver tantos pacientes do HGG e Ferreira Machado como faziam antes, o que causa problemas sérios, como pacientes recebendo atendimento nos corredores dos dois hospitais de emergência, entre outros. Os hospitais filantrópicos acumulam dívidas com fornecedores e funcionários em razão do atraso do pagamento da Prefeitura, e podem até fechar as portas.

Desde que a Prefeitura iniciou o atraso do pagamento da Tabela SUS, os hospitais se viram obrigados interromper vários serviços, como o fechamento da Pediatria do Plantadores de Cana e a desativação de leitos de UTI na Beneficência Portuguesa. Além disso, há falta de medicamentos e vários médicos já não querem tirar plantões nos hospitais filantrópicos, em razão dos constantes atrasos de salário.

Resta saber se o presidente da Câmara, Fred Machado, vai mesmo colocar os projetos em pauta esta semana, a última de trabalhos legislativos de 2019, ou vai esperar o início dos trabalhos legislativos em fevereiro de 2020.