EDITORIAL: Vaias a Rafael Diniz retratam reprovação ou rivalidade política?

Um dia após o único hospital de Guarus, o HGG, ter problemas sérios com o desabamento de parte do teto de uma enfermeira e alagamentos em vários setores, provocando a transferência de dezenas de pacientes para outros hospitais durante as chuvas fortes que atingem a cidade e evidenciando que faltou investimento na melhoria da infraestrutura da Saúde pública, o prefeito Rafael Diniz foi vaiado por pessoas que participavam da inauguração de um shopping a poucos metros do hospital.

Mais do que saber a quem são ligadas as pessoas que vaiaram Diniz, é preciso identificar o porquê do descontentamento que gera um grande número de críticas à sua gestão em quase todas as rodas de conversa da cidade e nas redes sociais. Sabemos que uma parcela expressiva da população, se no shopping Guarus estivesse, talvez teria o mesmo comportamento enquanto o prefeito discursava. Mas, por que as vaias? Por questões políticas ou reprovação à sua gestão?

A maioria das respostas dadas por Diniz sobre as dificuldades da prefeitura parece estar no sentido contrário ao que as pessoas desejam discutir e ouvir dele nesse momento em que muitos problemas são evidenciados. Está claro que o que grande parte da população questiona e debate nesse momento na gestão Diniz não é escassez de recursos, mas competência administrativa.

Ao perceber as vaias, Diniz tentou mostrar coragem e granjear a simpatia das pessoas presentes no shopping, falando, mais uma vez, sobre a escassez de recursos: “Talvez muitos não estivessem aqui hoje. Talvez muitos não tivessem a coragem de pegar o microfone, aqui, e olhar nos olhos dos senhores”. 

Está claro que as pessoas não querem mais ouvir falar de escassez de recursos. É um erro insistir nessa linha. Pessoas de praticamente todos os segmentos demonstram ter o desejo de ver Diniz tocando projetos e criando alternativas de desenvolvimento que tirem o município desse momento ruim, pois é desolador ver setores importantes passando por problemas de ordem grave.

No mês que vem, Diniz completará três anos à frente da Prefeitura. E pouco adianta nesta altura do campeonato tentar mudar o foco dos debates, das críticas. É preciso, acima de tudo, mostrar competência administrativa e política, aglutinando pessoas que possam apontar caminhos para recuperar a cidade e colocá-la em outro patamar.