Pediatria é fechada no Plantadores de Cana

A crise na Saúde de Campos provocada pela falta de repasses da Prefeitura aos quatro maiores hospitais filantrópicos da cidade, passa a afetar crianças que precisam da rede pública. Um dos hospitais que vive situação delicada, o Plantadores de Cana, anunciou, nesta quarta-feira (13), que fechou sua Pediatria, onde eram atendidas cerca de duzentas crianças por mês. O diretor do hospital, Frederico Paes (foto acima), disse estar decepcionado com a forma com que a Prefeitura de Campos tem tratado a questão da Saúde.

Para entender o que aconteceu, o Campos 24 Horas ouviu Frederico: “Estamos no limite. E, em vez de pagar o que nos deve, a Prefeitura ainda entra com recurso na Justiça para protelar o pagamento”, afirma o diretor do hospital.

Segundo Frederico Paes, que também é presidente do Sindicato das Instituições de Saúde da cidade, o drama dos hospitais aumenta a cada dia.

“Enquanto aguardamos o pagamento dos repasses em atraso, o Plantadores de Cana apanha até remédio emprestado. Estamos vivendo com o mínimo, por isso que tivemos de optar entre a Pediatria e a UTI neonatal. Optamos por fechar a Pediatria e manter a UTI funcionando, pois temos uma maternidade de portas abertas 24 horas e há crianças prematuras que nascem aqui e dependem da unidade de tratamento intensivo” explicou, acrescentando que:

“Já comuniquei o fechamento da Pediatria à promotora de Tutela Coletiva da Infância e da Juventude do Ministério Público Estadual, Anik Rabello Assed Machado. Ela já entrou com uma ação na Justiça para que a Prefeitura pague. Essa é uma crise sem precedentes. Estou triste e decepcionado com o governo municipal, que não nos dá uma posição e ainda age de uma forma que nos entristece”, finalizou Frederico.

OUTRA PEDIATRIA

O Hospital da Beneficência Portuguesa também tem uma Pediatria que atende crianças oriundas dos Hospitais HGG e Ferreira Machado. Por enquanto, a Beneficência ainda realiza atendimento infantil e internação de crianças pelo SUS, apesar de também estar passando por sérias dificuldades financeiras em função da falta de repasses nos últimos três meses.

Segundo os dirigentes  dos hospitais, a dívida total de Prefeitura gira em torno de R$ 15 milhões.

A Prefeitura, por sua vez, alega que há queda de arrecadação e admite que não tem recursos para pagar os três meses de repasses atrasados a curto prazo.