Qual pode ser o impacto das manifestações para o futuro do governo Bolsonaro?

Em meio a uma crise em seus apenas cinco meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro e aliados convocaram os brasileiros a ocuparem as ruas em defesa de sua administração neste domingo.

A convocação, que nasceu como tentativa de resposta às manifestações realizadas em cerca de 200 cidades no dia 15 contra os cortes no Orçamento da Educação, ganhou inicialmente um viés de enfrentamento contra os demais Poderes (Congresso e Supremo Tribunal Federal) e assumiu depois um caráter de defesa das agendas do governo, como a Reforma da Previdência e o pacote anticrime elaborado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro.

Na tentativa de dar um ar mais espontâneo ao movimento, o presidente desistiu de comparecer aos atos. “Por tratar-se de uma manifestação livre e espontânea, [o presidente] não quer associá-la ao governo”, disse à imprensa o porta-voz a Presidência, general Otávio Rêgo Barros, como justificativa. Em relação ao movimento deste fim de semana, o atual desafio do governo Bolsonaro é reunir apoio popular expressivo que possa fortalecê-lo nas negociações com o Congresso Nacional, onde não construiu uma base de apoio. A estratégia embute risco alto – se a mobilização for pequena, Bolsonaro ficará ainda mais fraco na segunda-feira.