(Última atualização em 21/02 às 10h51)


Veja vídeo da coletiva da delegada de SJB ao final das informações – A delegada titular da 145ª DP em São João da Barra, Madeleine Farias, concedeu uma coletiva, na manhã desta quinta-feira (21), sobre o pastor Israel Maciel Gonçalves Ribeiro, 45 anos, que se apresentou na noite desta quarta-feira (20) após ter cometido um homicídio, cuja vítima foi o jovem Lucas Muniz Abucezze, 21 anos, em Atafona. O pastor falou sobre o comportamento agressivo da vítima, que seria usuário de drogas. O pastor enfatizou as inúmeras agressões, insultos e ameaças de morte que sofreu da vítima, algumas das quais dentro de sua igreja.
Uma mulher também foi presa por falso testemunho. Ela teria dito que a arma pertencia à vítima, mas na verdade pertence ao pastor.
O DIA DO CRIME:
O pastor Israel contou à delegada que por volta das 13h da última segunda-feira (18), ele estava consertando sua caminhonete em frente a igreja, quando Lucas se aproximou, o ofendeu com palavras de baixo calão e tentou agredi-lo. Nesse momento, então, pegou a arma que estava dentro da caminhonete e efetuou o primeiro disparo que acertou o tórax do rapaz.
Lucas ainda tentou correr e o pastor efetuou mais um disparo e depois mais um tiro que executou a vítima, no crânio. O pastor relatou ainda que fugiu do local com a arma, que foi encontrada em uma casa, que era de sua mãe(falecida), no Parque Prazeres, em Guarus.
DELEGADA:
A delegada declarou que, no depoimento de cerca de três horas, o pastor confessou o crime, revelando que teriam ocorrido muitas discussões entre ele e a vítima, em virtude da vítima ser usuário de drogas. Segundo ainda a delegada, o pastor alegou também que constantemente havia desavenças devido a xingamentos e insultos por parte do Lucas aos fieis da igreja e ao pastor, dentro da própria igreja.
Outra alegação do pastor foi a de que recebeu ameaças de morte. Disse também que a vítima Lucas teria quebrado uma garrafa e dito que iria cortar a sua garganta.
Por conta dessas ameaças, o pastor passou a andar com a arma, que seria do seu pai, para se proteger.
Madeleine explicou a situação processual. O pastor vai responder por homicídio qualificado privilegiado. Madeleine explicou que, ‘segundo a dinâmica, é de que ele agiu devido a agressão da vítima, mas daí ele parte para uma execução onde ele não deixa chance de defesa’.
O pastor não ficou preso por não haver mandado e ter se apresentado espontaneamente após o período de 24 horas do flagrante. O inquérito será encaminhado ainda nesta quinta-feira (21) para o Ministério Público.
FALSO TESTEMUNHO:
A delegada contou também que enquanto aguardava a oitiva do pastor, por volta das 20h, a advogada dele teria relatado sobre uma testemunha que teria presenciado todo ocorrido. Ela se apresentou espontaneamente à delegacia, narrando que estava com o pastor dentro da igreja e que Lucas teria chegado armado e insultado o pastor. Disse que teria ocorrido luta corporal e Lucas teria dado um tiro na mão do pastor, que conseguiu pegar a arma e que mesmo baleado o rapaz teria dito que iria pegar outra arma para tentar matar o pastor, o que a delegada definiu como ‘um show de horrores’.
A testemunha foi advertida sobre o falso testemunho, já que as provas técnicas mostravam o contrário ao seu depoimento. Ela insistiu em sua versão e, posteriormente, ela se retrata e se desculpa. Mas a delegada Madeleine determinou a prisão em flagrante. Todavia, considerando que se trata de um crime (Falso Testemunho) afiançável, a testemunha pagou a fiança de um salário e foi liberada.
PASTOR SE ENTREGA À POLÍCIA
(Última atualização 01h15, 21/02/2019) – O pastor Israel Maciel Gonçalves Ribeiro, 45 anos, suspeito de assassinar a tiros o jovem Lucas Muniz Abucezze, 21 anos, em Atafona, em São João da Barra, se entregou à polícia na noite desta quarta-feira (20). Ele presta depoimento na 145ª DP/SJB acompanhado de advogados sobre o crime que ocorreu na tarde da última segunda-feira (CASO AQUI). Membros de uma igreja e amigos resolveram manter durante à noite e a madrugada uma vigília diante da delegacia fazendo orações pelo pastor.
A delegada Madeleine Farias, responsável pelo caso, tomou depoimento do pastor Israel até o fim da noite. Informações ainda não oficiais são de que o pastor teria confessado que a arma do crime era dele, e não da vítima, conforme havia sido ventilado inicialmente. Outra informação diz respeito ao que fez com a arma após o caso. Ele teria ido de barco de São João da Barra para Gargaú e deixado a arma, um revólver calibre 32, em uma casa.
Ainda não há informações sobre o que ele disse em seu depoimento sobre o que ocorreu entre ele e a vítima no dia do fato.
Após o depoimento, já no início da madrugada desta quinta-feira, a polícia teria levado o pastor ao endereço em que deixou a arma. Esta informação também ainda deverá ser confirmada pela Polícia Civil, assim como a liberação do pastor após a localização da arma, em virtude de ter saído do flagrante.
A mulher do suspeito também esteve na delegacia para apoiá-lo.
AMIGO DO PASTOR
Um dos participantes da vigília diante da 147ª DP/SJB, um homem de iniciais J.G, morador na sede de São João da Barra, falou por telefone com a redação do Campos 24 Horas.
“Estamos aqui para apoiá-lo, porque o conhecemos. Trata-se de um homem de bem, que chegou ao seu limite. Ele, inclusive, aconselhava a vítima em razão de condutas agressivas com a família, mas não adiantou”, disse. E acrescentou:
“Foi uma tragédia, mas estamos orando a Deus. Inclusive à meia noite vamos todos orar para que o caso tenha o desfecho que Ele achar mais juto. Foi uma tragédia, mas o pastor tentou fazer de tudo, dentro dos limites humanos, para tentar evitar que chegasse a esse fim. Inclusive, o pastor havia colocado câmeras diante de sua casa, com medo do que poderia acontecer com ele”, afirmou.