Fernando Haddad critica valor do novo salário mínimo do governo de Bolsonaro

Fernando Haddad (PT), que disputou as eleições de 2018 com Jair Bolsonaro (PSL), usou as redes sociais para criticar a primeira medida do presidente eleito, que fixou o salário mínimo em R$ 998,00.

O petista também ironizou o discurso de posse de Bolsonaro, que, na ocasião, se comprometeu a “libertar” o país do “do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.

“Povo começou a se libertar do socialismo: salário mínimo previsto de R$ 1006,00 foi fixado em R$ 998,00. Sem coitadíssimo. Selva!”, escreveu Haddad no Twitter.

Povo começou a se libertar do socialismo: salário mínimo previsto de R$ 1006,00 foi fixado em R$ 998,00. Sem coitadismo. Selva! Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) 2 de janeiro de 2019.

De R$ 954 para R$ 998, o novo valor do salário mínimo já está em vigor. No entanto, a quantia é inferior aos R$ 1.006 aprovados pelo Congresso em 2018. A redução se deve à diminuição da expectativa de inflação.

Quando o Congresso votou o Orçamento, a expectativa era que a inflação medida pelo INPC fechasse 2018 em 4,2%. Agora, espera-se que fique em torno de 3,5%. Essa é uma estimativa, pois o dado oficial só sai no dia 11 de janeiro.

Em geral a decisão presidencial referente ao valor do salário mínimo é divulgada em dezembro, porém Michel Temer deixou a decisão para Bolsonaro.

Ironia em expressões usadas por Bolsonaro

Além de criticar o valor do salário mínimo, o post de Haddad cita, de forma irônica, um bordão militar usado pelo capitão reformado no Twtiter no dia da posse.

Bolsonaro havia afirmado ser “fake news” uma notícia veiculada pela coluna Radar, da revista “Veja”, segundo a qual ele “puxou a orelha dos filhos” e os alertou de que “a campanha acabou”. “Não é a primeira fake news do ano, mas vale uma risada! Vamos pra rampa! Selva!”, escreveu na rede social. A expressão “selva” é usada por integrantes do Exército como forma de cumprimento.

O “coitadíssimo” usado por Haddad no texto, também em tom irônico, repete expressão usada por Bolsonaro ao longo da campanha e da pré-campanha. Em outubro, por exemplo, antes do segundo turno, classificou como “coitadíssimo” os movimentos sociais que defendem as causas de grupos minoritários. “Isso não pode continuar existindo. Tudo é coitadíssimo. Coitado do negro, coitada da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense”, disse.